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MPPI pede o bloqueio dos bens de Kleber Montezuma por improbidade administrativa na Semec

O promotor Fernando Santos, do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), ajuizou ação civil de improbidade administrativa na sexta-feira (28) contra o ex-secretário da Educação de Teresina, Kleber Montezuma,  a advogada Bianca Ribeiro Rocha Cavalcante e a professora Rejane Magalhães Lima Siqueira. Na ação, é pedida a indisponibilidade dos denunciados no valor de R$ 117.786,64.

Foi instaurado em 2017 inquérito civil para investigar denúncia do Sindicato dos Servidores Públicos de Teresina (Sindserm) ao MPPI, referente a contratação de advogados para atuarem na assessoria jurídica da Secretaria Municipal de Educação (Semec) sem a realização de concurso público.

O promotor enviou ao então secretário Kleber Montezuma duas solicitações para que apresentasse, no prazo de 10 dias, a relação de todos os procedimentos administrativos nos quais a servidora Rejane Magalhães Lima Siqueira apresentou parecer jurídico, assim como a cópia do ato de nomeação de todas as assessorias jurídicas que atuavam na secretaria, mas que não houve resposta em nenhuma delas.

O inadimplemento no cumprimento de dever de ofício, segundo o membro do MPPI, caracteriza ato de improbidade administrativa.

Consta ainda que no dia 7 de abril de 2017 foi excluído o cargo comissionado de Assessor Jurídico das Secretarias Municipais, mas que os assessores jurídicos continuavam a existir na Semec, emitindo pareceres jurídicos. “Ao omitir-se, em não tomar providências no sentido de envidar esforços para que fossem exonerados os assessores jurídicos da Semec, o secretário deixou de praticar dever de ofício e contribuiu dolosamente para que permanecesse o estado de ilegalidade dos assessores, burlando os princípios da Administração Pública”, diz trecho da petição.

Além de Rejane Magalhães, o Ministério Público afirmou que a servidora e assessora jurídica da Semec Bianca Ribeiro Rocha Cavalcante também elaborava pareceres jurídicos (executando atividades de consultoria e assessoramento jurídico) e atuava na Assessoria Jurídica/Gabinete Semec, arvorando-se, também, das funções dos procuradores do Município de Teresina.

Omissão das assessoras

Segundo a ação, a servidora Rejane Magalhães Lima Siqueira, lotada na Semec, no cargo de Professor Segundo Ciclo, atuava em desvio de função, em cargo comissionado ilegal e cujo ato de nomeação como Assessora Jurídica da Semec jamais foi enviado ao MPPI.

Já a servidora assessora jurídica Bianca Ribeiro Rocha Cavalcante também elaborava pareceres jurídicos, executando atividades de consultoria e assessoramento jurídico e atuava na Assessoria Jurídica/Gabinete Semec e não poderia exercer tal cargo público comissionado.

“As Assessoras jurídicas da Semec foram instadas a enviarem os pareceres jurídicos nos quais atuaram após requisição feita ao gestor público pelo MP/PI, que estão devidamente colacionados aos autos deste processo. Logo, tinham pleno conhecimento do estado de ilegalidade que encontravam-se. As Assessoras Jurídicas possuíam conhecimento fático e jurídico sobre a distorção legal existente na SEMEC. Porém, como beneficiavam-se de tal situação, foram dolosamente coniventes e omitiram-se em promover a devida correção de rumos da situação descrita, no sentido de envidar esforços para sanar os vícios legais existentes. Ou seja, suas atuações também foram calcadas em erro inescusável”, afirmou o promotor.

Pedidos

Ao final, é pedida a concessão liminar da indisponibilidade dos bens móveis, imóveis e ativos financeiros dos denunciados, a condenação ao ressarcimento ao erário de todos os valores expendidos irregularmente, no montante de R$ 117.786,64 e às penas previstas no art. 12 da Lei 8.429/92 cumulativamente e/ou alternativamente, conforme a extensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelos agentes.

O que diz Kleber Montezuma

Procurando na tarde deste domingo (30), o ex-secretário de Educação de Teresina Kleber Montezuma informou ao GP1 não ter conhecimento sobre a ação. “Eu não tenho conhecimento não. Porque a assessoria jurídica, quando eu era secretário, era feita pela Procuradoria Geral do Município”, disse Montezuma.

(Com informações GP1)

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