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Trabalhando contra o Piauí, senador vê na CPI da Covid-19 oportunidade para fazer política contra o Governo do Estado

Desde o ano passado, Ciro Nogueira (Progressistas) vem trabalhando contra iniciativas do governo piauiense, inclusive se posicionando contrário a medidas que visam o crescimento do estado e o seu destaque no cenário nacional: fazendo oposição por oposição, para tentar conquistar espaço político na mídia, dizem analistas.

Ao afirmar ao Estadão que vai propor a inclusão de governadores e prefeitos na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que quer investigar a omissão do governo federal na pandemia da Covid-19, o senador piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, só tem um objetivo: atingir o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), pelo seu protagonismo no enfrentamento à doença, que se alastra por todo o país. Desde o ano passado, o senador vem trabalhando contra iniciativas do governo piauiense, inclusive se posicionando contrário a medidas que visam o crescimento do estado e o seu destaque no cenário nacional: fazendo oposição por oposição, para tentar conquistar espaço político na mídia, dizem analistas políticos.

O governador piauiense, que é presidente do Consórcio Nordeste, que reúne todos os gestores nordestinos, e líder do Fórum de Governadores do Brasil, vem se destacando nacionalmente por sua luta junto ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal e ao Ministério da Saúde em gestões e sugestões para o combate à pandemia, inclusive assumindo contrapontos com o presidente da República, Jair Bolsonaro.


Dias, em entrevista

Em rede social, o governador Wellington Dias postou: “O Brasil é hoje, infelizmente, o epicentro da pandemia do coronavírus. Buscamos reuniões com entidades internacionais, como a Organização das Nações Unidas, para ajuda humanitária ao nosso país, principalmente para acelerar vacinação. O Brasil também chama a atenção da mídia internacional pela falta de uma organização nacional de combate a Covid-19”, disse ele, sobre entrevista para a rede Telesur, que exibirá a matéria para a Argentina, Uruguai, Nicarágua, Equador, Venezuela, Bolívia, Colômbia e Brasil.


Dias em reunião com governadores


Dias em reunião com a participação do governador de São Paulo, João Dória (PSDB)

Dizendo que Wellington Dias gosta mesmo é de fazer propaganda, o senador Ciro Nogueira parte para o ataque, cujo gesto de pedir improvável ampliação da CPI para incluir governadores e prefeitos é visto por alguns analistas políticos como mais uma tentativa de tirar vantagem política para as eleições de 2022. Aliás, desde que rompeu com o governador Wellington Dias, o senador piauiense vem tentando, inclusive em out-doors espalhados no ano passado por vários municípios piauienses, colocar-se como candidato a governador.

Vinha fazendo isso ostensivamente, com críticas pesadas em suas redes sociais, contra o Governo do Piauí. Chegou a recuar quando o ex-presidente Lula (PT) recuperou, este ano, seus direitos políticos e passou a assumir um papel de confronto ao Governo Bolsonaro, que tem o senador como aliado. Com Lula no tabuleiro político, de quem também foi aliado, Ciro viu crescer a força de Wellington Dias no Piauí.

Chegou, inclusive, a pedir união de todos, independemente de cores partidárias, para o combate ao novo coronavírus.


Senador Ciro Nogueira

Mas o senador Ciro Nogueira viu agora uma oportunidade de voltar a atacar o governador do Piauí, com a decisão do ministro do STF Luís Roberto Barroso, determinando que o Congresso abra a CPI da Covid-19, que vem sendo protocolada por vários partidos, para investigar os supostos desmandos e omissão do governo central em relação ao enfrentamento da pandemia. A partir daí, críticas ao governo piauiense começaram a pipocar novamente no Twitter do parlamentar, sua rede social favorita.


Ministro Luís Roberto Barroso (STF)

Em uma de suas postagens, o senador diz: “O governador precisa parar de fazer propaganda e politicagem. Pode e deve agir para mais testagem. Pode fazer parceria com os municípios, sobre os quais tem jogado o ônus de fiscalização de suas medidas restritivas autoritárias e ineficientes”.

Mais adiante, afirma: “O governador Wellington Dias decreta isolamento social e bota a polícia no encalço dos cidadãos. Faz uma política autoritária de confinamento. Ele está na contramão de um trabalho sanitário eficaz, de testagem em massa”.

Ora, o senador bem sabe que tudo tem a ver com decisões erradas do governo federal que ele defende, a começar pelo negacionismo. Se a União tivesse se despertado para o alerta sinalizado em todo o mundo antes de a pandemia se alastrar pelo Brasil, talvez não tivéssemos o descalabro que temos agora, com essas médias absurdas de 3 mil a 4 mil mortes por dia. Afirmam também os cientistas que em relação aos testes, uma das principais razões de atraso em sua aplicação no país era a escassez dos materiais necessários para a sua fabricação no período inicial da pandemia no Brasil, no mês de março de 2020. O Brasil ignorou a gravidade que se previa, quando poderia organizar, por exemplo, uma logística eficiente e o incentivo à produção de insumos para a testagem em massa, como fora feito por vários países no ano passado.


Presidente da República, Jair Bolsonaro

Em vez de se posicionar contra as medidas desesperadoras que vêm sendo tomada por governadores e prefeitos de todo o país, na tentativa de frear as ondas de contaminação e de mortes que se multiplicam Brasil afora, o senador Ciro Nogueira, que se diz filho 05 de Bolsonaro, deveria orientar aquele que ele afirma que lhe adotou de parar de esculhambar com governadores e prefeitos que tentam seguir o que recomendam os organismos de saúde de todo o mundo, pela ausência do governo federal, do presidente, na condução responsável de enfrentamento à doença.

Ao contrário, o que o presidente faz é, ainda, bater de frente com seus próprios ministros de Saúde, que são substituídos por decisões que às vezes coincidem com as que adotam os gestores estaduais e municipais, promove aglomerações, ironiza o número de mortes e dá bananas para um país que vem sendo considerado o epicentro, o lugar mais perigoso do mundo para se viver ou visitar por conta da pandemia, justamente pela irresponsabilidade de uma gestão que o senador piauiense tanto venera.

Redação Jogo do Poder