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Prefeitura de Teresina amplia atendimento de assistência social para população de rua

A Prefeitura Municipal de Teresina (PMT), por meio da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), promoveu um total 8.040 atendimentos de assistência social, de janeiro a agosto deste ano, segundo dados divulgados pela Gerência de Proteção Social Especial (GPSE). Os atendimentos ofertados são: do Centro Pop, Casa do Caminho, Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) e o Restaurante Popular de Teresina.

O Centro de Valorização para População em Situação de Rua, que foi inaugurado em agosto deste ano, em apenas um mês de funcionamento, ampliou o atendimento, contabilizando um total de 1.327, sendo que em julho, foram 978 atendimentos.

De acordo com o secretário da Semcaspi, Allan Cavalcante, a proposta do Centro de Valorização para População de Rua é ampliar e melhorar os serviços ofertados a este público.

“Esta unidade é algo inovador no país. Teresina é a única capital que tem um Centro de Valorização para População de Rua. Reunimos nesta unidade serviços já existentes e melhoramos o atendimento, como o Centro Pop, a Casa do Caminho e o Serviço de Abordagem Social, para que possam prestar estes atendimentos de forma centralizada e em um espaço equipado e acessível a este público. Agora, eles têm um espaço para tomar banho, fazer uma refeição, a lavanderia e em breve vamos disponibilizar espaços para pós-alta médica”, explicou.

Allan Cavalcante ressalta que dentre as assistências sociais prestadas para a população em situação de rua é a refeição no Restaurante Popular de Teresina, de forma gratuita, para os encaminhados pelo Centro de Valorização.

“Mesmo com a pandemia da Covid-19, o Restaurante Popular de Teresina não desassistiu a população em situação de rua. Havia fechado para o público geral, no entanto, em agosto, reabrimos normalmente, com a refeição gratuita para a população em situação de rua e com um preço reduzido para o público em geral, de R$2,50 passou a ser R$2,00. Com um cardápio variado, balanceado e mais nutritiva”, pontuou.

Acompanhamento Integral

Edson Araújo, gerente da Casa do Caminho, explica que a Casa do Caminho é configurada, legalmente, como casa de passagem, no entanto, a união e inclusão de novos serviços em plena pandemia, a unidade de acolhimento passou a atender de forma mais próxima e integral a população em situação de rua.

“A Casa do Caminho é uma casa de passagem que funciona 24h. Dentro do espaço interno temos quartos com divisão por grupos, como: grupos com necessidade especial, como por exemplo, pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos, que são acompanhados por cuidadores e enfermeiros; e os grupos com autonomia. Todos subdivididos em espaços masculinos e femininos. A novidade é o quarto social, destinado a população LGBTQIA+. Na Casa do Caminho ofertamos: cinco refeições diárias, banheiros e produtos para higienização pessoal, serviço de repouso, além de atividades socioeducativas, como cinemas, jogos recreativos, alfabetização, tudo para que possam enveredar no processo de saída das ruas”, esclareceu.

Acolhimento transforma vidas

Joelson Oliveira, 33 anos de idade, conta sobre a experiência de sair das ruas de Teresina e ser acolhido pelo Centro de Valorização para População em Situação de Rua, com a sua esposa, Luziana Conceição, que está gestante de oito meses.

“Eu estava na rua com minha esposa e não tenho condições para sair dela agora, por vários motivos. Estamos acolhidos no Centro de Valorização. Aqui, tenho sido bem acolhido, não é apenas um local para dormir e comer, tem um objetivo principal, que é transformar vidas. O acolhimento é importante até a pessoa se preparar para estar de volta a sociedade e ter um emprego”, relatou, que já está há quatro dias acolhido pelo Centro de Valorização.

Segundo Jéssica Nayara, 30 anos de idades, há dois anos reside na Casa do Caminho e se sente acolhida na unidade. “A Casa do Caminho representa tudo para mim. É paz, alegria, amor e harmonia. Gosto muito daqui. Sinto-me muito acolhida”, conta.

Abordagem social não é compulsória

A gerente do Centro Pop, Lidiane Oliveira, reforça que o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) atua por meio do mapeamento nos territórios pelos Agentes de Proteção Social (APS) e também a partir de denúncias recebidas no Centro de Valorização e unidades e nos Creas, para que sejam feitas as abordagens e os devidos encaminhamentos.

“É importante destacar que o espaço da rua é público, onde as pessoas têm o direito de ficar. Nós, enquanto poder público, ofertamos os serviços para os usuários, e acima de tudo, devemos respeitar a autonomia dos usuários, se eles não desejar sair da rua, nós não podemos forçar. A Política Pública não tem o papel de polícia e nós temos que desconstruir essa lógica de sanitarização das ruas, é uma coisa que já aconteceu e que não pode acontecer. O que temos que garantir a eles é o direito e uma qualidade de vida melhor, mesmo estando na rua”, pontuou.

Jogo do Poder

Fonte: Semcaspi