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Confronto Israel x palestinos se intensifica e deixa mais de 50 mortos

Os confrontos entre os grupos armados palestinos e Israel se intensificaram na última madrugada e aumentaram a tensão na região da Faixa de Gaza, provocando o temor de uma “guerra em larga escala”. Autoridades locais estimam em mais de 50 o número de mortos desde o início das piores hostilidades em anos.

Na madrugada desta quarta-feira (12), Israel realizou centenas de ataques aéreos em Gaza, enquanto militantes palestinos dispararam levas de foguetes contra Tel Aviv e Beersheba, uma cidade do sul.

Ao menos 49 pessoas foram mortas em Gaza desde que a violência se intensificou na segunda-feira, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave. Seis pessoas foram mortas em Israel, disseram autoridades médicas israelenses.

Em comunicado, o movimento islamista armado Hamas anunciou a morte de vários de seus comandantes, entre eles Bassem Issa, chefe de seu braço militar na cidade de Gaza.

Já Israel registrou danos consideráveis que não eram observados desde a guerra de Gaza de 2014, com casas e carros destruídos. Segundo o exército israelense, mais de mil foguetes foram lançados desde segunda-feira por grupos palestinos.

Quase 850 foguetes caíram em Israel ou foram interceptados pelo sistema de defesa Cúpula de Ferro, informou o porta-voz do exército israelense, Jonathan Conricus. Outros 200 foguetes caíram dentro da Faixa de Gaza, segundo o militar.

Na terça-feira à noite a aviação israelense atacou um prédio de 12 andares no qual líderes do Hamas tinham seus escritórios e, em seguida, outro prédio de nove andares, que abrigava um canal de televisão local, casas e lojas.

O exército afirmou que o alvo era o “chefe de inteligência militar” do Hamas, Hasan Kaogi, e o “diretor de contrainteligência” do movimento islamista armado, Wael Isa.

Além do crescente número de mortos, mais de 300 palestinos ficaram feridos e muitos foram retirados dos escombros de edifícios. Do lado israelense, mais de 100 pessoas ficaram feridas.

Escalada

A escalada de violência começou após um fim de semana de tensão na Esplanada das mesquitas, lugar sagrado para muçulmanos e judeus, situado no setor palestino de Jerusalém.

Mais de 900 palestinos ficaram feridos em confrontos com a polícia israelense no leste da cidade. Manifestantes receberam a polícia com pedras enquanto autoridades responderam com balas de borracha e granadas de atordoamento.

Na segunda-feira (10), O Hamas lançou uma salva de foguetes como gesto de “solidariedade” aos 900 palestinos feridos.

O episódio aconteceu no dia que Israel comemorava a conquista de Jerusalém e da Cidade Velha murada. Em 2021, a data coincide com o fim do Ramadã, o mês de jejum dos muçulmanos —próximo à mesquita Al-Aqsa está o Muro das Lamentações, o local de oração mais importante para os judeus.

Jerusalém vive dias de tensão entre palestinos e Israel desde que famílias palestinas do bairro Sheikh Jarrah passaram a ser ameaçadas de despejo. A disputa pelo terreno, onde foram construídas várias casas de quatro famílias palestinas, começou após decisão do tribunal distrital de Jerusalém, que decidiu que judeus têm direito ao terreno.

O caso agora está com a Suprema Corte de Israel, que realiza hoje uma nova audiência sobre o caso. Uma lei israelense, no entanto, diz que, se judeus puderem provar que sua família vivia em Jerusalém Oriental antes da guerra de 1948, eles podem pedir que seus “direitos de propriedade” sejam restaurados.

Protestos contra a expulsão de famílias palestinas acontecem há semanas. Para especialistas, os atuais confrontos na Esplanada das Mesquitas são os mais violentos desde 2017.

Preocupação internacional

A preocupação em relação à região aumenta na comunidade internacional e o Conselho de Segurança da ONU se prepara para outra reunião de emergência nesta quarta-feira.

O presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, pediram hoje uma “desescalada”, assim como o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, enquanto o enviado da ONU para o Oriente Médio, Tor Wennesland, advertiu para o risco de uma “guerra em larga escala”.

O Tribunal Penal Internacional (CPI) advertiu para “possíveis crimes” no conflito.

Fontes diplomáticas afirmaram à AFP que a ONU, com a ajuda do Catar e do Egito, iniciou uma mediação com as partes “afetadas” para conquistar uma distensão.

Estado de emergência em Lod

Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou estado de emergência na cidade de população judaica e árabe de Lod, onde a polícia informou sobre distúrbios por parte dos residentes árabes.

O ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, afirmou durante uma visita à cidade israelense da Ashkelon que “o exército continuará atacando para garantir uma calma total e duradoura”.

“Apenas quando alcançarmos este objetivo poderemos falar de trégua”, disse.

Israel organizou centenas de ataques aéreos contra o território palestino de Gaza, controlado pelo Hamas, dirigidos contra o que exército descreve como áreas militares palestinas.

“Se (Israel) quer uma escalada, estamos preparados”, declarou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, que pediu a retirada das forças de segurança da Esplanada das Mesquitas de Jerusalém Oriental, cenário nos últimos dias de confrontos entre a polícia israelense e manifestantes palestinos. (Com informações Uol)

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