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Dilema de um progressista: Ciro Nogueira faz oposição ao governo, mas partidários marcham juntos com Wellington Dias

Há no mínimo uma incongruência política entre o que o senador piauiense Ciro Nogueira (PP) diz e o que faz. Reconduzido recentemente à presidência nacional do Progressistas, o parlamentar tem dito reiteradas vezes que só vai discutir sucessão estadual no ano que vem, em 2022, mas se prepara para se lançar, nesta segunda-feira (26), como pré-candidato ao governo do estado nas próximas eleições. E o que é mais estranho: apoia, por enquanto, a decisão de seus correligionários a permanecerem na base aliada do governo petista no Piauí contra o qual faz ferrenha oposição.

A deputada federal Margarete Coelho (PP-PI), por exemplo, já disse que não há nenhuma orientação do senador ou do partido contrária à sua permanência como aliada do Governo Wellington Dias e garantiu, independemente do que vem propagando o presidente do PP, que vai continuar, sim, marchando ao lado do grupo governista. Aliás, a deputada já deu sinal verde para que a sua irmã, a jornalista Sádia Castro, permaneça secretária de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar-PI).

Pelos bastidores da política ouve-se até que a deputada poderia deixar o partido que milita desde o seu ingresso na política se por acaso se sentir pressionada ou isolada dentro do Progressistas. Preferindo, então, optar por outra sigla partidária da base aliada do governo. E opções é o que não lhe falta. Já estaria havendo, inclusive, uma movimentação de vários partidos para atrair a deputada, que tem uma densidade político-eleitoral indiscutivelmente muito forte. E uma dessas agremiações interessadas seria o Partido Liberal (PL), que no Piauí está sob o comando do deputado estadual Fábio Xavier.

No início desta semana, a deputada se reuniu com o governador Wellington Dias (PT), em Brasília, oportunidade em que trataram exclusivamente, segundo a própria parlamentar, de pauta administrativa, de orçamento e obras para o Piauí. E nega veementemente que esteja deixando de ocupar o espaço que sempre ocupou na gestão do governo petista. Na gestão anterior de Wellington Dias ela foi vice-governadora. “Continuamos ajudando o governo”, assegurou.


Deputada Margarete Coelho e o governador Wellington Dias

“Nossa conversa foi administrativa. Tratamos do orçamento. Discutimos obras importantes para o Piauí e como é possível ajudar. Não falamos de questões políticas. Mas não há mudança. Continuamos ajudando o governo”, afirmou.

Juntos com a deputada Margarete Coelho, estão também os progressistas Hélio Isaías, deputado estadual e secretário de Estado dos Transportes; e o deputado estadual Wilson Brandão, secretário de Estado da Mineração, Petróleo e Eneregias Renováveis. Inclui-se aí o deputado estadual Firmino Paulo. Todos eles já têm compromisso firmado com o governador Wellington Dias, seguindo na contramão do que gostaria Ciro Nogueira e do que prega abertamente o presidente estadual da sigla, deputado Júlio Arcoverde, para que todos saiam da base governista, mas só conseguiu resgatar o deputado estadual B. Sá Filho. A balança pesa mais a favor do lado governista quando se trata de densidade político-eleitoral.


Deputados estaduais Wilson Brandão, Hélio Isaías e Firmino Paulo também estão com Wellington Dias

Com Ciro Nogueira estão, por enquanto, os progressistas deputados estaduais Júlio Arcoverde, Lucy Soares e B. Sá Filho, além da deputada federal Iracema Portela.


Deputados B. Sá Filho e Júlio Arcoverde

Dividido e remando contra essa realidade política que favorece nitidamente o grupo governista, o senador tenta criar um estrondoso fato político com o seu autolançamento a governo do Estado, que será virtual, com poucas lideranças presenciais.

A situação do Progressistas é tão inconsistente que até mesmo os três vereadores eleitos pelo partido em Teresina estão ao lado do prefeito Dr. Pessoa (MDB), contra quem o PP fez oposição ano passado. O que diz Ciro Nogueira sobre isso, em reunião com os próprios vereadores: que podem seguir ajudando o prefeito, mas sem ocupar cargos. Porém, podem indicar. É dessa forma, meio atropelada, meio oposição, com partido dividido, que o senador tenta agregar lideranças para a sua aventura governista.

Incongruência maior não há.

Redação Jogo do Poder