A campanha começou: Rafael, Fábio Novo, Anamelka e Emanoel Paiva entram no jogo eleitoral de 2026

Da força da reeleição de Rafael Fonteles à disputa por espaço na Câmara e na Assembleia, a largada deste domingo coloca nomes de diferentes perfis diante do maior desafio: transformar articulação política em voto
A eleição deixou de ser promessa e virou realidade.
A partir deste domingo, 16 de agosto, o calendário eleitoral de 2026 entra em uma nova etapa, com os candidatos autorizados a apresentar oficialmente seus nomes, propostas e projetos ao eleitor. No Piauí, a largada movimenta um tabuleiro político que vinha sendo montado há meses e que agora começa, de fato, a ser testado nas ruas.
Mais do que uma disputa entre nomes, a eleição será uma disputa entre projetos, forças políticas, histórias pessoais e capacidade de convencimento.
É nesse ambiente que entram candidaturas como as de Rafael Fonteles, Fábio Novo, Anamelka Albuquerque e Emanoel Paiva, cada um partindo de uma posição diferente, com expectativas próprias e estratégias distintas para conquistar o eleitor.
E se há uma certeza nesta largada, é a de que a eleição ainda está longe de estar decidida.
Rafael Fonteles: transformar liderança em vitória
Para o governador Rafael Fonteles, que busca a reeleição, o desafio é diferente daquele enfrentado pelos demais candidatos.
Rafael entra na campanha ocupando o centro do principal projeto político do grupo governista. A candidatura foi oficialmente consolidada pela base aliada, que reuniu partidos e lideranças em torno da continuidade do projeto iniciado em 2023. A convenção do chamado “Time do Povo”, realizada em julho, confirmou a estrutura da chapa governista.
Os números disponíveis também ajudam a explicar o ambiente em que o governador começa sua caminhada. Pesquisa Data AZ divulgada em junho apontou Rafael com 63,17% das intenções de voto no cenário estimulado para o Governo do Estado. Outro levantamento, divulgado em maio, mostrou forte vantagem do governador também em Teresina.
Mas eleição não se ganha apenas com pesquisa.
A campanha exigirá de Rafael a capacidade de transformar aprovação administrativa e alianças políticas em mobilização eleitoral. E, principalmente, manter o discurso de continuidade sem permitir que a vantagem inicial produza acomodação.
O governador terá ainda de administrar uma eleição que não será apenas estadual. A disputa presidencial, o Senado, a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa estarão todos misturados no mesmo ambiente eleitoral.
Rafael, portanto, começa a campanha com uma vantagem política importante: é o candidato a ser batido.
E isso muda completamente o comportamento dos adversários.
Fábio Novo: a missão de consolidar espaço e ampliar a bancada
Se Rafael disputa a continuidade do comando do Estado, Fábio Novo entra em campo com uma tarefa igualmente estratégica: renovar e ampliar seu mandato na Assembleia Legislativa e, ao mesmo tempo, continuar exercendo papel importante na organização política do PT no Piauí.
Presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, Fábio Novo chega à campanha carregando uma experiência que ultrapassa os limites de uma candidatura individual.
Ele participou ativamente da montagem das chapas proporcionais do partido e da articulação da base governista. Em junho, afirmou que a chapa federal da federação Brasil da Esperança estava fechada com o número máximo permitido pela legislação, enquanto a composição estadual passava pelos últimos ajustes.
Isso revela uma característica importante de sua candidatura: Fábio Novo não está pensando apenas no próprio voto.
Sua campanha também estará associada à estratégia de fortalecimento do PT e de seus aliados na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Uma pesquisa do Instituto Vetor³, realizada em junho, colocou Fábio entre os nomes mais lembrados para deputado estadual, com 1,22% das citações, em um cenário bastante pulverizado.
Na prática, começa agora a fase em que Fábio precisará transformar sua capacidade de articulação política em presença eleitoral.
O eleitor quer saber não apenas quem organiza a política, mas quem consegue representar seus interesses depois da eleição.
E é justamente nesse ponto que o candidato pretende concentrar sua caminhada.
Anamelka Albuquerque: segurança pública como bandeira e renovação como discurso
A candidatura de Anamelka Albuquerque tem uma característica própria.
Delegada da Polícia Civil e candidata a deputada federal pelo MDB, ela leva para a campanha uma trajetória profissional construída dentro da segurança pública e uma agenda que pretende transformar sua experiência policial em atuação política no Congresso Nacional.
Anamelka deixou oficialmente suas funções na Polícia Civil em julho para disputar a eleição, cumprindo as regras de desincompatibilização.
Sua expectativa é ocupar um espaço que ainda é pequeno na representação política: o da mulher com experiência direta na área de segurança pública.
E existe um componente eleitoral importante nessa estratégia.
Segundo dados divulgados pelo TSE e pelo TRE-PI, as mulheres representam 52% do eleitorado piauiense em 2026. Apesar disso, a bancada federal do Piauí é formada exclusivamente por homens. Anamelka tem utilizado justamente essa contradição para defender maior presença feminina na política.
Mas sua candidatura não está limitada à questão feminina.
A segurança pública será uma das principais vitrines de sua campanha. Em manifestações recentes, a delegada defendeu planejamento, tecnologia, valorização dos profissionais e integração entre as forças policiais como caminhos para enfrentar a violência.
É uma candidatura que pretende falar diretamente com um eleitor preocupado com criminalidade, proteção das famílias, violência contra a mulher e funcionamento das instituições.
Anamelka sabe que a disputa por uma vaga na Câmara será dura.

Por isso, sua expectativa nesta largada é transformar visibilidade em voto, experiência profissional em autoridade política e presença feminina em representação parlamentar.
Emanoel Paiva: União Progressista aposta na expansão
Do outro lado do tabuleiro está Emanoel Paiva, candidato a deputado federal pela federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.
Vereador de Água Branca e ex-secretário municipal de Finanças de Santo Antônio de Lisboa, Emanoel chega à campanha com um perfil diferente: o de uma liderança municipal que tenta ampliar sua presença para uma dimensão estadual.
Sua estratégia passa pela construção de uma rede de alianças no interior e na capital.
A pré-candidatura ganhou força com apoios políticos importantes e com a tentativa de ampliar sua presença junto a prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças municipais. Entre os movimentos registrados antes da campanha está a aproximação com o vice-prefeito de Teresina, Jeová Alencar.
Emanoel representa também uma aposta da União Progressista em renovar sua bancada federal.
A federação trabalha com uma chapa competitiva para ampliar sua representação no Congresso, reunindo nomes com diferentes trajetórias e bases eleitorais.
Para Emanoel, portanto, a campanha começa com uma pergunta fundamental:
será possível transformar uma trajetória construída nos municípios em uma candidatura competitiva em todo o Piauí?
É essa resposta que os próximos 45 dias deverão começar a oferecer.
Quatro candidaturas, quatro caminhos
O interessante desta largada eleitoral é que os quatro nomes representam momentos diferentes da política piauiense.
Rafael Fonteles começa a corrida tentando transformar uma posição de liderança em uma vitória eleitoral confortável.
Fábio Novo entra com a experiência política, a liderança partidária e a missão de consolidar seu espaço na Assembleia e fortalecer o projeto do PT.
Anamelka Albuquerque aposta na segurança pública, na experiência profissional e na força do eleitorado feminino para conquistar uma vaga em Brasília.
Emanoel Paiva, por sua vez, tenta fazer a travessia entre a política municipal e a representação federal, apoiado por uma rede crescente de alianças.
São trajetórias diferentes, mas que agora passam a enfrentar o mesmo desafio: convencer o eleitor.
Agora começa a eleição de verdade
Durante meses, os candidatos falaram em pré-campanha. Reuniram lideranças, visitaram municípios, organizaram chapas, buscaram apoios e construíram estratégias.
A partir de agora, entretanto, o discurso precisa encontrar o eleitor.
A campanha eleitoral é o momento em que a política deixa as salas de reunião e ganha as ruas. É quando o candidato precisa ouvir, explicar, responder, enfrentar críticas e mostrar por que pretende ocupar determinado cargo.
No Piauí, a eleição de 2026 começa com um cenário particularmente movimentado.
Rafael Fonteles parte de uma posição privilegiada. Fábio Novo busca consolidar sua força política. Anamelka tenta abrir espaço para uma nova representação na Câmara Federal. Emanoel Paiva aposta na força das alianças municipais para transformar uma candidatura em projeto estadual.
No fim, porém, a urna não registra pesquisas, discursos ou promessas.
Registra votos.
E é justamente por isso que, a partir deste domingo, começa a parte mais difícil da política: transformar expectativa em confiança e confiança em voto.
O jogo está aberto.
Fonte: Damatta Lucas
Imagens: Divugação



