Rafael Fonteles põe o 13 nas ruas e transforma reta final da campanha em plebiscito sobre seu governo

A poucos dias da eleição, governador percorre o interior, mobiliza Teresina e aposta em obras, investimentos e parcerias para convencer o eleitor a renovar o projeto que comanda o Piauí
A campanha entrou na contagem regressiva — e Rafael Fonteles quer fazer dos próximos dias uma grande demonstração de força política. O governador e candidato à reeleição intensificou a agenda pelo interior e por Teresina, levando para as ruas uma mensagem que passou a ocupar o centro de sua estratégia eleitoral: em 2022, o eleitor precisava conhecer Rafael; agora, quatro anos depois, pode avaliar diretamente o governo que ele comandou.
É uma mudança importante de cenário. O candidato que chegou à primeira disputa estadual ainda buscando reconhecimento agora percorre o Piauí apresentando obras, investimentos e resultados como credenciais para pedir mais quatro anos de mandato. A campanha do 13 tenta, assim, transformar a eleição em uma comparação entre o que foi feito, o que está em andamento e o que ainda pode ser entregue.
A ofensiva ganhou força em municípios do Norte do Estado. Em Pedro II, Rafael colocou o desenvolvimento regional no centro do discurso e apresentou uma agenda que combina turismo, infraestrutura, saúde, educação e geração de oportunidades.
O município, tratado pelo governador como um dos grandes polos de desenvolvimento do Piauí, aparece como uma vitrine dessa estratégia. O teleférico, prometido como realidade, é apresentado como um novo impulso para o turismo e para a economia local. A ampliação da conectividade por novas rodovias e o avanço do aeródromo completam o pacote de investimentos defendido para a região.
Mais do que obras isoladas, a narrativa construída pelo governador procura vender a ideia de um ciclo de desenvolvimento capaz de produzir efeitos em cadeia. Turismo movimenta hotéis, restaurantes, comércio e serviços; infraestrutura facilita a circulação; um aeródromo amplia as possibilidades de atendimento e negócios; e novos investimentos privados podem encontrar melhores condições para chegar ao interior.
“O governo será julgado pelo que entregou”
Em entrevista à Rádio Imperial, Rafael também colocou o Festival de Inverno de Pedro II no tabuleiro eleitoral. A promessa de ampliar os investimentos no evento enquanto estiver no comando do Estado reforça uma visão de turismo como instrumento econômico, além de cultural.
Mas o ponto politicamente mais forte da passagem por Pedro II foi outro: a avaliação do governo nas urnas.
Rafael lembrou que, em 2022, disputou pela primeira vez o Governo do Estado e conquistou a confiança dos piauienses mesmo sendo desconhecido por parte do eleitorado. Agora, a situação é diferente. O nome já é conhecido. O governo já foi experimentado. E a população terá a oportunidade de julgar quatro anos de administração.
É justamente nesse argumento que a campanha pretende concentrar boa parte de sua força.
Não é mais uma eleição para apresentar um candidato. É uma eleição para avaliar um governador.
Piracuruca entra no mapa da mobilização
Em Piracuruca, durante entrevista à Rádio Sete Cidades, Rafael retomou sua trajetória e destacou a experiência adquirida desde a chegada ao Palácio de Karnak.
O governador atribuiu parte de sua formação política aos ensinamentos de Lula, Wellington Dias e às lideranças municipais que participaram da construção de seu projeto. Ao mesmo tempo, procurou reforçar uma imagem de proximidade com as cidades e seus gestores.
Na área econômica, o discurso ganhou outro componente: o papel do setor privado na geração de empregos.
Para Rafael, cabe ao poder público construir um ambiente de confiança para quem deseja investir e empreender. Infraestrutura, crédito, qualificação profissional e redução da burocracia aparecem como instrumentos para estimular a iniciativa privada e ampliar as oportunidades.
Agricultura, pecuária, turismo e economia criativa são apontados como setores capazes de impulsionar municípios do interior. Piracuruca, nesse cenário, é apresentada como uma cidade que vem ampliando sua importância regional.
Ao lado do prefeito Marcelo Jatobá, Rafael reforçou a parceria política e administrativa e voltou a pedir a confiança do eleitor.
Piripiri mostra a força da estratégia
Em Piripiri, Rafael encontrou na prefeita Jôve Oliveira uma das principais parceiras de sua agenda política e administrativa. O discurso voltou a ser ancorado em resultados.
A chegada do novo campus da Universidade Federal do Piauí, autorizada pelo governo Lula, foi apresentada como uma das conquistas de maior impacto para o município e para toda a região. A expansão do ensino superior é tratada como um investimento de longo prazo, capaz de alterar as perspectivas de milhares de jovens.
Mas a lista apresentada pelo governador é mais ampla: Universidade Estadual, ruas asfaltadas e calçadas, rodovias recuperadas, escolas de tempo integral, Piauí Saúde Digital, reforço na segurança pública, Corpo de Bombeiros, praças e obras nas comunidades.
A mensagem eleitoral é construída sobre uma pergunta simples: se o governo entregou resultados, por que interromper o caminho?
É nesse ponto que a campanha tenta transformar a experiência dos últimos quatro anos em argumento para a reeleição.
Do interior à capital, o 13 acelera
Enquanto percorre o interior, Rafael também levou a mobilização para Teresina. Neste domingo, a campanha colocou o 13 nas ruas da capital, em uma caminhada que simboliza a entrada definitiva na fase mais intensa da disputa.
O discurso ganhou dimensão estadual e nacional. Rafael associou a mobilização ao desenvolvimento do Piauí, à soberania e à perspectiva de continuidade de um projeto alinhado ao presidente Lula.
O número 13, tratado pela campanha como símbolo de esperança e continuidade, passa a funcionar também como elemento de identidade eleitoral.
E o relógio político corre.
A poucos dias até a eleição.
Nesse intervalo, cada município visitado, cada liderança mobilizada e cada obra apresentada passa a fazer parte de uma disputa muito mais ampla: a tentativa de transformar realizações administrativas em confiança eleitoral.
Rafael Fonteles chega à reta final apostando que a melhor resposta para quem pergunta por que votar novamente nele está nos próprios resultados que o governo coloca diante do eleitor.
De Pedro II a Piracuruca. De Piripiri a Teresina. Do turismo à educação. Da infraestrutura à saúde. Da segurança à economia.
O governador quer que a urna seja o lugar onde o eleitor faça essa conta.
E a campanha do 13 já deixou claro que pretende passar os próximos 21 dias colocando essa conta nas ruas, nas cidades e no debate eleitoral.
Agora, não é mais sobre quem Rafael Fonteles pretende ser. É sobre o que ele fez — e sobre o que promete fazer com mais quatro anos pela frente.
Texto: Damatta Lucas / Imagem: Rede Social



