Integridade e defesa da democracia estão entre os principais critérios do eleitor para escolher presidente, aponta Quaest

Pesquisa mostra que ausência de envolvimento com corrupção lidera preferência nacional, enquanto compromisso democrático aparece em segundo lugar; rejeição também é fortemente associada à corrupção
Na hora de decidir em quem votar para a Presidência da República, o eleitor brasileiro demonstra estar mais atento à conduta ética e à relação do candidato com a democracia do que a posicionamentos de confronto com instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional.
É o que revela a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada neste domingo (6), encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo. O levantamento mostra que não ter envolvimento com corrupção é o atributo mais valorizado pelos eleitores, citado por 31% dos entrevistados.
Logo depois aparece o compromisso com a democracia, escolhido por 28%. O resultado coloca integridade e respeito às instituições democráticas no centro das preocupações do eleitorado brasileiro.
Na sequência, aparece uma preocupação diretamente ligada ao cotidiano da população: o combate à violência e à criminalidade, apontado por 15% dos entrevistados como a característica mais importante em um candidato.
A experiência política vem depois, com 9%.
Outros atributos receberam percentuais bem menores. Ser religioso foi mencionado por 4% dos entrevistados. Já não ter exercido anteriormente um mandato político apareceu com 2%, mesmo percentual atribuído à característica de ser crítico ao STF.
A relação do futuro presidente com o Congresso também demonstrou ter pouco peso na escolha do eleitor. Apenas 1% considera importante que o candidato seja crítico ao Legislativo, enquanto o mesmo percentual valoriza um candidato que se apresente como aliado do Congresso.
Ser aliado do STF, por sua vez, não apareceu como característica decisiva entre os entrevistados.
Preferências mudam de acordo com o perfil político
A pesquisa também revela diferenças importantes quando o eleitorado é dividido entre lulistas, bolsonaristas e aqueles que não se identificam com nenhum dos dois grupos.
Entre os eleitores que se identificam com o lulismo, o compromisso com a democracia assume a primeira posição. Para 29% desse segmento, essa é a característica mais importante que um candidato deve apresentar.
No campo bolsonarista, a prioridade é outra: 41% apontam a ausência de envolvimento com corrupção como o principal atributo a ser considerado na escolha.
Entre os eleitores independentes, a preocupação com a integridade também ocupa o topo da lista. Nesse grupo, 33% valorizam principalmente que o candidato não esteja envolvido com corrupção, enquanto 26% destacam o compromisso com a democracia.
Os números mostram, portanto, que, apesar das diferenças políticas entre os grupos, corrupção e democracia permanecem como fatores centrais na avaliação dos candidatos.
Corrupção também é o principal motivo para rejeitar um candidato
Quando a pergunta muda — deixando de lado aquilo que o eleitor procura e passando a considerar o que poderia fazê-lo rejeitar completamente um candidato — a corrupção ganha ainda mais peso.
Quatro em cada dez entrevistados, ou 40%, afirmaram que o envolvimento com corrupção seria motivo suficiente para não votar de maneira alguma em determinado candidato.
A falta de compromisso com a democracia aparece novamente em segundo lugar, com 21% das respostas.
O desempenho na área da segurança pública também pode provocar rejeição. Para 13% dos entrevistados, não ter uma postura considerada eficiente no combate à violência e ao crime seria motivo para descartar um candidato.
A falta de experiência política foi citada por 5%.
Já não ser religioso apareceu com 3%, mesmo percentual registrado para a condição de ser aliado do STF. Ter sido político anteriormente e ser aliado do Congresso ficaram com 2% cada.
Na parte inferior da lista estão as posições de confronto com as instituições. Apenas 1% apontou ser crítico ao Congresso como motivo para rejeição, enquanto o mesmo percentual mencionou ser crítico ao STF.
Outros 3% disseram que nenhuma das características apresentadas seria suficiente para determinar a rejeição de um candidato. 6% não souberam responder ou preferiram não responder.
Levantamento ouviu mais de 2 mil brasileiros
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre 30 de agosto e 1º de setembro e ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, em diferentes regiões do país.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07065/2026.
Os resultados ajudam a dimensionar quais características podem ter maior influência na disputa presidencial: enquanto discursos de confronto com STF ou Congresso aparecem com peso reduzido, integridade, democracia e segurança pública concentram a maior parte das expectativas e também dos fatores capazes de provocar rejeição ao candidato.
Por Damatta Lucas – Imagem: Reprodução (TSE)



