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Anamelka aposta em uma nova visão para as políticas de proteção às mulheres e leva experiência da segurança pública para o debate nacional

A pré-candidatura da delegada Anamelka Albuquerque à Câmara dos Deputados surge sustentada por uma trajetória construída dentro da segurança pública, mas com um discurso que procura ir além do enfrentamento da violência. Ao longo dos anos de atuação na Polícia Civil do Piauí, especialmente nas áreas voltadas à proteção das mulheres, ela passou a defender uma compreensão mais ampla das políticas públicas, baseada não apenas na repressão aos crimes, mas também na prevenção, na educação e na transformação cultural da sociedade.

Essa é justamente a principal marca de sua proposta política. Em vez de concentrar o debate exclusivamente na criação de novos mecanismos de proteção para as mulheres, Anamelka defende que o enfrentamento da violência passa, necessariamente, pela conscientização dos homens. A ideia é ampliar o alcance das políticas públicas para que elas promovam mudanças de comportamento, fortaleçam o respeito às mulheres e estimulem uma cultura de igualdade dentro das famílias, das escolas, dos ambientes de trabalho e das instituições.

A visão defendida pela pré-candidata parte do princípio de que a violência de gênero não será superada apenas com punições mais severas. Embora considere essencial o fortalecimento da legislação, ela argumenta que o país precisa investir também em ações permanentes de educação, prevenção e responsabilidade coletiva, envolvendo toda a sociedade.

Foi justamente durante sua passagem pela Polícia Civil que Anamelka participou da construção de iniciativas consideradas pioneiras no Piauí. Entre elas está a implantação da primeira Delegacia Especializada na Investigação de Feminicídios do estado, além da elaboração de uma metodologia específica para investigação desse tipo de crime, trabalho que recebeu reconhecimento nacional por contribuir para o aperfeiçoamento das políticas de segurança pública.

Segundo a delegada, essas experiências demonstraram que decisões baseadas em dados, planejamento estratégico e integração entre os órgãos públicos produzem resultados mais consistentes do que ações isoladas. A partir dessa vivência, ela passou a defender que políticas públicas eficientes precisam ser permanentes e fundamentadas em evidências.

Outro ponto defendido pela pré-candidata é a criminalização do assédio moral. Para ela, o Congresso Nacional precisa avançar na criação de mecanismos legais que ampliem a proteção às vítimas e reforcem a responsabilização de quem pratica esse tipo de violência, frequentemente presente em ambientes de trabalho, instituições e relações de poder.

Mas talvez a principal diferença de seu discurso esteja justamente na tentativa de romper uma lógica tradicional das políticas voltadas às mulheres. Em vez de limitar essas ações ao atendimento das vítimas, Anamelka sustenta que elas devem alcançar também quem precisa rever comportamentos e valores. Na prática, significa defender programas educativos direcionados aos homens, campanhas permanentes de conscientização, fortalecimento da educação para o respeito às diferenças e incentivo à resolução pacífica dos conflitos.

Esse entendimento acompanha uma tendência observada em diversos países, onde especialistas em segurança pública e direitos humanos têm defendido que a prevenção da violência exige mudanças culturais profundas. Nesse modelo, homens deixam de ser vistos apenas como potenciais autores de violência e passam a ser chamados a participar da construção de uma sociedade baseada no respeito, na igualdade e na corresponsabilidade.

Ao abordar segurança pública, Anamelka também amplia o conceito tradicional de combate ao crime. Em suas manifestações públicas, ela afirma que proteger vidas depende de planejamento, inteligência policial, investimentos em tecnologia, valorização dos profissionais da segurança e integração entre as forças policiais. Para ela, prevenção e investigação qualificada caminham lado a lado.

Sua trajetória à frente de órgãos especializados na proteção das mulheres fortalece um discurso que procura unir experiência técnica e formulação de políticas públicas. É essa bagagem que a pré-candidata pretende levar ao Congresso Nacional, defendendo que a segurança pública não pode ser tratada apenas como reação à criminalidade, mas como uma política de Estado construída sobre prevenção, conhecimento e compromisso social.

Mais do que ampliar direitos já existentes, a proposta apresentada busca provocar uma mudança de perspectiva: fazer das políticas destinadas às mulheres um instrumento de transformação de toda a sociedade. Afinal, combater a violência significa também formar novas consciências, promover o respeito desde cedo e envolver homens e mulheres na construção de relações mais equilibradas, justas e humanas.

Por Damatta Lucas para o Jogo do Poder

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