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Pesquisa BTG/Nexus abre a campanha com disputa acirrada e mostra onde Lula e Flávio precisam buscar votos

Levantamento divulgado no primeiro dia útil após o início oficial da campanha coloca Lula na frente no primeiro turno, mas revela uma eleição ainda aberta e marcada por forte disputa entre os dois principais polos políticos

A campanha presidencial de 2026 começa oficialmente sob o impacto de uma pesquisa que funciona como uma espécie de fotografia inicial da corrida ao Palácio do Planalto. Divulgado nesta segunda-feira (17), um dia depois do início oficial da campanha eleitoral, o levantamento BTG Pactual/Nexus mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança, mas também deixa claro que a distância para Flávio Bolsonaro (PL) não permite falar em eleição definida.

Mais do que apontar quem está na frente, a pesquisa revela onde estão as forças e as fragilidades dos dois principais concorrentes. Lula aparece com vantagem no primeiro turno e mantém superioridade nas simulações de segundo turno, enquanto Flávio demonstra capacidade de concentração de votos no eleitorado mais alinhado à direita e, especialmente, entre os evangélicos e os chamados eleitores não polarizados.

Na pesquisa espontânea, aquela em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado, Lula é citado por 38% dos eleitores, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado aparece com 2%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 1%. O dado chama atenção porque, em uma eleição que acaba de entrar oficialmente na fase de campanha, Lula consegue ser lembrado espontaneamente por um contingente expressivo do eleitorado.

Quando são retirados da conta os 6% que declararam voto branco ou nulo e os 17% que não souberam ou não responderam, Lula alcança aproximadamente 49,35% dos votos válidos nesse cenário espontâneo.

A liderança existe, mas a eleição está longe de estar resolvida

No cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula aparece com 41%, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado registra 5%, enquanto Renan Santos e Romeu Zema aparecem com 4% cada. Augusto Cury e Samara Martins têm 1%.

A vantagem de cinco pontos coloca Lula em posição favorável no início da campanha, mas o histórico recente das pesquisas BTG/Nexus mostra que a distância entre os dois principais nomes vem oscilando. Levantamentos anteriores também registraram aproximação entre Lula e Flávio, principalmente nas simulações de segundo turno.

É justamente por isso que os números divulgados agora ganham importância. Eles não representam um resultado eleitoral, mas estabelecem o primeiro grande ponto de referência da campanha oficial, permitindo observar quais movimentos políticos poderão alterar a correlação de forças ao longo das próximas semanas.

Segundo turno transforma a disputa em uma corrida apertada

Se o primeiro turno apresenta Lula à frente, o segundo turno mostra uma realidade muito mais equilibrada.

Na simulação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 47%, contra 44% do senador. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, trata-se de uma disputa bastante apertada.

Nos demais cenários, Lula também aparece numericamente à frente: 45% contra 42% de Ronaldo Caiado; 46% contra 41% de Romeu Zema; e 47% contra 36% de Renan Santos.

O quadro reforça uma característica que vem aparecendo nos levantamentos anteriores: a vantagem de Lula no primeiro turno não se transforma automaticamente em uma vantagem confortável no segundo. Em julho, por exemplo, a própria BTG/Nexus já havia registrado Lula com 47% contra 43% de Flávio em uma simulação de segundo turno.

A eleição, portanto, começa com uma diferença importante entre estar na frente e ter uma vantagem consolidada.

Mulheres são um dos principais pontos de força de Lula

O detalhamento da pesquisa ajuda a entender de onde vem a vantagem presidencial.

Entre as mulheres, Lula aparece com 46%, contra 32% de Flávio Bolsonaro — uma diferença de 14 pontos percentuais. Entre os homens, porém, o quadro se aproxima: Flávio registra 41%, contra 36% de Lula.

O recorte mostra que o eleitorado feminino poderá desempenhar papel decisivo na eleição. Para o campo governista, manter essa vantagem será estratégico. Para a oposição, reduzir essa diferença será provavelmente uma das tarefas centrais da campanha.

No eleitorado religioso, a disputa também apresenta comportamentos distintos. Lula alcança 46% entre os católicos e Flávio 34%. Entre os evangélicos, entretanto, ocorre uma inversão: Flávio chega a 49%, contra 34% de Lula.

Os números deixam evidente que a disputa não se resume à tradicional divisão entre esquerda e direita. Ela passa também por gênero, religião, identificação política e pelo enorme contingente de eleitores que ainda não se considera pertencente a nenhum dos dois campos.

O eleitor “não polarizado” pode ser decisivo

Talvez um dos dados mais importantes para compreender o começo da campanha esteja justamente fora da polarização tradicional.

Entre os eleitores que se definem como não polarizados, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula: 32% contra 31%.

É um empate técnico, considerando a margem de erro, mas politicamente o número merece atenção.

Esse grupo pode representar um dos principais campos de batalha da eleição. São eleitores que não se identificam diretamente nem com Lula nem com o bolsonarismo e que, portanto, podem mudar de posição à medida que a campanha apresentar propostas, críticas, alianças e confrontos.

Para Lula, o desafio será ampliar sua capacidade de comunicação para além de sua base tradicional. Para Flávio, a questão será transformar a força existente entre setores conservadores em capacidade de atração de eleitores que não estão organicamente vinculados ao bolsonarismo.

Uma fotografia, não um resultado

É preciso, entretanto, interpretar a pesquisa dentro de seus limites. O levantamento foi realizado por telefone com 2.003 eleitores entre 14 e 16 de agosto, justamente no momento em que a campanha eleitoral começava oficialmente. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Isso significa que os números devem ser vistos como um retrato do momento, e não como uma previsão do resultado de outubro.

A partir de agora, candidatos terão propaganda, debates, viagens, alianças, programas de governo e exposição diária para tentar modificar esse cenário. A campanha também poderá produzir fatos novos capazes de alterar rapidamente a percepção do eleitor.

Por isso, a importância desta pesquisa está menos em apontar um vencedor antecipado e mais em mostrar como a corrida começa.

Lula larga na frente, especialmente entre as mulheres e em setores do eleitorado católico. Flávio demonstra força entre os homens e, principalmente, entre os evangélicos. E existe um terceiro território eleitoral, o dos não polarizados, onde a disputa começa praticamente empatada.

É nesse espaço que a campanha poderá ganhar ou perder intensidade.

A primeira fotografia da eleição mostra Lula em vantagem. Mas também mostra que Flávio Bolsonaro está suficientemente próximo para transformar a disputa em uma corrida competitiva. E, quando faltam ainda muitos capítulos para o eleitor chegar à urna, talvez a principal mensagem da BTG/Nexus seja justamente esta: a campanha começou, os candidatos ainda têm muito a conquistar e a eleição está aberta à disputa.

Por damatta Lucas

Imagem: Fernando Frazão

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