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Grito dos Excluídos transforma 7 de Setembro em palco de reivindicações sociais em todo o país

Mobilização nacional leva às ruas críticas à desigualdade, defesa da moradia, fim da escala 6×1, reforma agrária e soberania; atos ocorrem em capitais e cidades do interior

O 7 de Setembro de 2026 ganha dois retratos distintos nas ruas do Brasil. De um lado, os tradicionais desfiles cívicos e as cerimônias oficiais que celebram a Independência do país. Do outro, manifestações organizadas por movimentos populares, sindicatos, pastorais sociais, igrejas e entidades da sociedade civil que transformam a data em espaço de cobrança por direitos e mudanças sociais.

É nesse segundo cenário que acontece, nesta segunda-feira (7), o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas, uma mobilização nacional que pretende colocar no centro do debate aquilo que seus organizadores consideram uma parcela frequentemente esquecida da população.

A mensagem levada às ruas é direta: não existe soberania plena, segundo os movimentos, sem moradia digna, trabalho decente, acesso à saúde, proteção às mulheres e redução das desigualdades.

Entre as principais bandeiras deste ano estão o fim da escala de trabalho 6×1, a garantia de moradia, a reforma agrária e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Também fazem parte da agenda o combate ao feminicídio, a defesa da soberania nacional e reivindicações relacionadas às condições de trabalho, renda e participação popular.

O 7 de Setembro sob outra perspectiva

Realizado tradicionalmente em paralelo às celebrações oficiais da Independência, o Grito dos Excluídos procura disputar o próprio significado da data.

Enquanto os desfiles apresentam símbolos nacionais, forças militares, autoridades e celebrações cívicas, os manifestantes levam para as ruas cartazes, palavras de ordem e reivindicações relacionadas ao cotidiano da população.

A ideia defendida pelo movimento é ampliar o conceito de independência: um país pode ser politicamente soberano, mas ainda conviver com profundas desigualdades sociais.

É justamente nesse ponto que a mobilização constrói seu discurso. Soberania, para os participantes, também passa pela capacidade de garantir condições dignas de vida para quem trabalha, produz, cria os filhos e enfrenta diariamente problemas de moradia, emprego, saúde e segurança.

O lema escolhido para esta edição reforça essa leitura: “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”

O movimento mantém ainda sua palavra de ordem histórica: “Vida em Primeiro Lugar!”

Das grandes capitais ao interior

A mobilização se espalha por diferentes regiões brasileiras, mostrando que o Grito dos Excluídos não se limita às grandes capitais.

Em São Paulo, a principal concentração ocorre pela manhã, na Praça da Sé, seguida de caminhada até o Largo São Francisco. A programação também prevê uma missa na Catedral da Sé.

Em outros municípios paulistas, como Cajamar, Mogi das Cruzes e São José dos Campos, manifestações também integram a agenda do dia.

No Rio de Janeiro, Petrópolis recebe ato pela manhã, enquanto uma atividade complementar está prevista para a capital fluminense no próximo sábado (12), em Jacarepaguá.

Em Belo Horizonte, os participantes se concentram na Praça da Rodoviária e seguem até o Viaduto Santa Tereza, onde está previsto um ato político e cultural.

No Espírito Santo, a mobilização em Vitória parte da Praça Portal do Príncipe em direção ao Palácio Anchieta.

Nordeste transforma reivindicações em bandeiras

O Nordeste também participa da mobilização nacional.

No Ceará, Fortaleza recebe ato no bairro Jangurussu, enquanto Quixeré também terá atividade. Juazeiro do Norte e Crateús já registraram mobilizações nos últimos dias.

Na Bahia, Vitória da Conquista terá manifestação durante a manhã. Salvador, por sua vez, iniciou a programação antecipadamente com a décima edição do chamado “Gritinho”.

Em Maceió, a programação inclui celebração ecumênica e caminhada a partir da Praça Sinimbu.

No Maranhão, uma atividade foi realizada no sábado (5), em São Luís.

Já em João Pessoa, a manifestação ocorre simultaneamente ao desfile oficial da Semana da Pátria. A caminhada pretende colocar reivindicações sociais e trabalhistas lado a lado com a programação tradicional do 7 de Setembro.

Amazônia, juventude e defesa do território

No Norte do país, as atividades incorporam com força questões relacionadas à Amazônia, à juventude e à defesa do território.

No Pará, parte da programação começou no Dia da Amazônia, celebrado no sábado. Belém recebeu debates no bairro Terra Firme, enquanto Curuçambaba promoveu a 11ª Marcha da Juventude.

Em Manaus, a programação ocupa praticamente todo o dia no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), reunindo feira, atividades culturais, celebração religiosa e caminhada.

Sul também leva o movimento às ruas

No Paraná, Curitiba recebe manifestação durante a tarde, na Praça Tiradentes. No litoral, Matinhos terá concentração pela manhã e ato político na sequência.

No Rio Grande do Sul, Porto Alegre terá caminhada com concentração em frente ao IFRS. Em Lajeado, uma mobilização percorre trecho entre a Ponte do Arroio Saraquá e o Parque Beira Rio.

Em Santa Cruz do Sul, participantes se integram ao desfile cívico realizado durante a manhã.

Brasília e Mato Grosso completam o mapa de mobilizações

No Distrito Federal, o Grito dos Excluídos acontece na Praça Zumbi dos Palmares, no Plano Piloto.

Em Mato Grosso, Cuiabá recebe manifestação no fim da tarde, enquanto Cáceres terá atividade pela manhã. Em Rondonópolis, a programação ocorre na Cúria Diocesana, depois de um seminário preparatório realizado na Universidade Federal de Rondonópolis.

Três décadas de resistência

O Grito dos Excluídos nasceu a partir das discussões realizadas durante a segunda Semana Social Brasileira, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) entre 1993 e 1994.

A primeira edição nacional aconteceu em 7 de setembro de 1995. Desde então, o movimento escolheu justamente a data que simboliza a Independência brasileira para questionar o que considera as contradições de um país que conquistou sua independência política, mas ainda enfrenta desigualdade, pobreza e dificuldades de acesso a direitos básicos.

Ao completar 32 edições, o Grito mantém a mesma estratégia: usar o simbolismo do 7 de Setembro para perguntar quem, de fato, consegue desfrutar da independência e da cidadania no Brasil.

Assim, enquanto o país celebra oficialmente sua Independência, as ruas apresentam uma segunda narrativa.

É o 7 de Setembro dos excluídos, dos trabalhadores e dos movimentos sociais — uma manifestação que transforma a celebração da soberania nacional em cobrança por uma soberania que, para seus participantes, também precisa chegar à mesa, à casa, ao trabalho e à vida cotidiana de milhões de brasileiros.

Redação: Damatta Lucas / Imagem: Agência Brasil

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