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Lula abre cinco pontos, Flávio tenta conter a distância e a eleição de 2026 ganha novo contorno

Nova rodada da Nexus/BTG coloca o presidente na frente no primeiro turno e mostra que a disputa contra Flávio Bolsonaro continua apertada no segundo; resultado reforça a polarização e expõe o tamanho do desafio da direita para transformar crescimento em liderança

A nova pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (10) acrescenta mais um capítulo à cada vez mais disputada corrida presidencial de 2026. No principal cenário estimulado de primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 35%.

São cinco pontos de diferença — uma distância que, de acordo com a margem de erro de dois pontos percentuais, coloca Lula numericamente à frente fora da faixa de empate técnico.

Mais do que um simples placar, o resultado ajuda a desenhar o atual mapa da eleição: Lula continua ocupando a dianteira da corrida, enquanto Flávio Bolsonaro permanece como seu principal adversário e concentra o voto oposicionista em torno do sobrenome Bolsonaro.

A fotografia, entretanto, está longe de representar uma eleição resolvida.

O segundo turno deixa isso ainda mais evidente.

No segundo turno, a disputa continua em terreno da incerteza

Quando os entrevistados são colocados diante de um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, a vantagem do presidente diminui.

Lula aparece com 47%, contra 44% de Flávio Bolsonaro.

A diferença de três pontos permanece dentro da margem de erro de dois pontos percentuais e, portanto, caracteriza empate técnico.

É justamente nesse ponto que a pesquisa ganha importância política.

O primeiro turno apresenta Lula com uma vantagem mais confortável. Já o segundo mostra uma eleição potencialmente muito mais apertada, na qual a transferência de votos dos demais candidatos, o comportamento dos indecisos e a mobilização dos eleitores podem alterar significativamente o cenário.

Em outras palavras: liderar o primeiro turno não significa ter uma eleição ganha.

E a pesquisa deixa isso cristalino.

A disputa entre os dois continua sendo o centro da tabuleiro

A presença de outros nomes no primeiro turno revela, por outro lado, uma oposição ainda fragmentada.

Ronaldo Caiado aparece com 5%, Renan Santos chega a 4% e Romeu Zema registra 3%.

Samara Martins soma 2%. Augusto Cury e Cabo Daciolo aparecem com 1% cada.

Os demais nomes testados não alcançam 1%.

O dado mais relevante não está apenas nos percentuais individuais, mas na configuração do cenário: Flávio Bolsonaro continua muito à frente dos demais nomes da direita e se mantém como o principal polo alternativo a Lula na pesquisa.

Isso produz uma consequência importante para a eleição: qualquer movimento capaz de alterar a distribuição desse eleitorado pode modificar a fotografia da disputa.

A eleição ainda tem caminho pela frente — e, em uma corrida presidencial marcada pela polarização, poucos pontos percentuais podem representar uma diferença politicamente enorme.

Lula avança, mas não desmonta a resistência bolsonarista

A evolução do segundo turno merece atenção especial.

Na rodada anterior, Lula aparecia com 46%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 45%. Agora, o presidente passa a 47%, e o senador recua para 44%.

É uma oscilação pequena em termos absolutos, mas suficiente para ampliar a vantagem numérica de Lula de um para três pontos.

O movimento, contudo, não autoriza concluir que exista uma tendência consolidada.

A própria série histórica da Nexus/BTG mostra que os dois nomes vêm alternando momentos de maior proximidade. Em diferentes rodadas, Lula e Flávio permaneceram dentro da margem de erro, evidenciando uma disputa que continua aberta.

Esse comportamento recomenda cautela na leitura política: pesquisa eleitoral é fotografia, não sentença.

O que esta em jogo

A principal mensagem da pesquisa talvez esteja justamente na combinação entre os dois turnos.

De um lado, Lula demonstra capacidade de permanecer na liderança do cenário de primeiro turno.

De outro, Flávio Bolsonaro demonstra que possui um eleitorado suficientemente robusto para manter uma disputa competitiva em eventual segundo turno.

A diferença de apenas três pontos na segunda rodada mostra que o presidente, apesar da liderança numérica, ainda não construiu uma vantagem que elimine a possibilidade de uma eleição apertada.

E esse talvez seja o aspecto mais importante da pesquisa.

A eleição de 2026 continua sendo uma disputa em aberto.

Os outros candidatos e o espaço da terceira via

Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema aparecem como os principais nomes fora da polarização Lula-Flávio, mas ainda em patamares significativamente inferiores aos dois primeiros colocados.

Caiado registra 5%; Renan Santos, 4%; e Zema, 3%.

O quadro revela a dificuldade de uma candidatura alternativa romper, até aqui, a estrutura de polarização que domina a corrida presidencial.

Ao mesmo tempo, os percentuais mostram que existe um eleitorado fora do eixo principal da disputa.

A questão política é saber se esse espaço permanecerá fragmentado ou se, ao longo da campanha, poderá ser concentrado em uma candidatura capaz de se apresentar como alternativa aos dois polos.

Por enquanto, a pesquisa não aponta essa ruptura.

Cinco pontos de que viram notícia

O levantamento também produz um dado expressivo no primeiro turno: 5% dos entrevistados afirmam votar branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 3% não sabem ou não responderam.

No segundo turno, 8% rejeitam os dois nomes apresentados e 1% permanece sem resposta.

São percentuais que não podem ser ignorados.

Em uma disputa apertada, especialmente no segundo turno, o comportamento desse eleitorado pode assumir peso decisivo na formação do resultado final.

A eleição ainda não começou e ser decidida nas pesquisas

O retrato apresentado pela Nexus/BTG reforça uma característica que vem marcando a eleição de 2026: Lula e Flávio Bolsonaro aparecem como os protagonistas de uma disputa que continua fortemente polarizada, mas ainda sem vantagem definitiva de nenhum dos lados no segundo turno.

O presidente entra na nova rodada com cinco pontos de vantagem no primeiro turno e três no confronto direto.

Flávio, por sua vez, permanece suficientemente próximo para manter aberta a possibilidade de uma eleição competitiva.

O resultado, portanto, não autoriza triunfalismo de nenhum dos lados.

Para Lula, a pesquisa representa a manutenção da liderança, mas também mostra que a vantagem precisa ser convertida em maioria efetiva no segundo turno.

Para Flávio Bolsonaro, os números mostram que o desafio não é apenas chegar ao segundo turno — é ampliar sua base para além do eleitorado já identificado com o bolsonarismo.

É aí que está o verdadeiro significado desta pesquisa.

Mais do que apontar um vencedor antecipado, a Nexus/BTG revela uma eleição em movimento, na qual Lula permanece na frente, Flávio conserva força competitiva e o restante do campo político ainda procura espaço para romper uma polarização que, até agora, continua dominando a sucessão presidencial.

Metodologia

A pesquisa Nexus/BTG ouviu 2.001 eleitores entre os dias 7 e 9 de agosto, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08428/2026.

De Damatta Lucas

Imagem: Arquivo

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