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O Lixo tomou conta de Teresina. E cadê a gestão?

A cidade que já exibiu a limpeza urbana como cartão de visitas agora convive com reclamações, sujeira e justificativas. A Taxa do Lixo aumenta, a Justiça reage e o cidadão começa a perguntar: afinal, quem está cuidando de Teresina?

Há problemas que uma administração pública pode esconder atrás de números, gráficos, discursos e inaugurações.

O lixo, não.

O lixo aparece.

Está na esquina, na calçada, no terreno abandonado, nas proximidades dos mercados, nas periferias, nos bairros mais afastados e também em áreas nobres. Está na fotografia da cidade. Está na reclamação do cidadão. Está na percepção de quem circula diariamente por Teresina.

E é justamente por isso que o avanço dos problemas relacionados à limpeza urbana deveria preocupar seriamente a Prefeitura.

Porque o lixo não é apenas um problema sanitário ou ambiental.

É também um termômetro de gestão.

E o termômetro de Teresina, nesse quesito, não parece nada confortável.

De cartão de visitas a dor de cabeça

Durante anos, a limpeza urbana foi tratada como uma das áreas em que Teresina conseguia apresentar resultados positivos. Não era uma cidade perfeita, evidentemente, mas havia uma percepção de que a coleta funcionava e de que o poder público conseguia manter um padrão razoável de organização.

Hoje, a conversa mudou.

O que se vê é uma sucessão de reclamações.

E quando a reclamação passa a ser recorrente, já não pode ser tratada como um episódio isolado.

É preciso perguntar:

O que aconteceu?

Onde está o planejamento?

Onde está a fiscalização?

Onde está a inovação?

Onde está a coordenação entre as estruturas municipais responsáveis pela política urbana?

E, acima de tudo, onde está a liderança política capaz de enfrentar o problema?

Porque não é possível imaginar que uma capital como Teresina, em pleno 2026, continue enfrentando o problema do lixo quase exclusivamente com a velha fórmula de recolher aquilo que já foi jogado.

Isso não é planejamento.

É reação.

O problema chegou à taxa do lixo

A discussão ganhou ainda mais combustível com a chamada Taxa do Lixo.

A Prefeitura de Teresina alterou a fórmula de cálculo da TCRD por meio da Lei Complementar Municipal nº 6.313/2025, reduzindo o divisor de 3.000 para 1.000.

O resultado matemático é direto: mantidos os demais elementos da fórmula, a cobrança pode chegar ao triplo do valor anterior — uma majoração de 200%.

A mudança foi contestada pela OAB-PI e acabou suspensa pelo Tribunal de Justiça do Piauí para o exercício de 2026.

A Prefeitura recorreu ao Supremo Tribunal Federal.

Enquanto a disputa judicial continua, permanece uma pergunta muito mais simples e muito mais importante para o cidadão:

se o contribuinte precisa pagar pelo serviço, que serviço ele está recebendo?

Essa pergunta não é jurídica.

É política.

É administrativa.

É de gestão.

E merece uma resposta objetiva.

Mais dinheiro não é sinônimo mais eficiência

Existe uma armadilha perigosa nesse debate.

Transformar a discussão do lixo em uma simples discussão sobre arrecadação.

Não é suficiente dizer que a cidade precisa de mais recursos para a limpeza urbana.

É preciso demonstrar onde esses recursos serão aplicados.

Quanto custa a coleta?

Quanto custa o transporte?

Quanto custa a destinação final?

Quanto é arrecadado?

Quanto efetivamente retorna para o serviço?

Quais metas serão alcançadas?

Quantos pontos de descarte irregular serão eliminados?

Qual será o percentual de cobertura da coleta seletiva?

Quais resultados serão apresentados à população?

O contribuinte não pode ser chamado apenas para pagar.

Também precisa ser chamado para fiscalizar.

E a imaginação, onde está?

É aqui que o Jogo do Poder coloca uma questão talvez ainda mais incômoda.

Será que falta dinheiro?

Ou será que falta criatividade administrativa?

Porque uma cidade que cresce precisa de soluções novas.

Não basta aumentar contratos, ampliar cobranças ou trocar a fórmula de cálculo.

É necessário pensar diferente.

Por que não ampliar mecanismos de monitoramento dos pontos críticos?

Por que não utilizar tecnologia para identificar áreas de descarte irregular?

Por que não fortalecer cooperativas de reciclagem?

Por que não criar programas permanentes de educação ambiental?

Por que não estabelecer metas públicas para cada região da cidade?

Por que não responsabilizar efetivamente quem transforma áreas públicas em lixões clandestinos?

Por que não divulgar, bairro por bairro, os indicadores de coleta e limpeza?

Por que não fazer o cidadão enxergar onde o dinheiro da taxa está sendo aplicado?

São perguntas simples.

Mas aparentemente ainda não existe uma resposta suficientemente convincente para elas.

As superintências precisam sair do automático

Não se trata de apontar culpados antecipadamente.

Trata-se de cobrar resultados.

As estruturas municipais responsáveis pelo desenvolvimento urbano e pela execução das políticas de limpeza precisam explicar o que está acontecendo.

Porque, se existem planejamento e fiscalização, por que tantas reclamações continuam chegando?

Se existem recursos, por que determinados pontos permanecem problemáticos?

Se existem equipes suficientes, por que o problema reaparece?

E se não existem recursos ou estrutura suficientes, por que isso não é apresentado claramente à população?

A administração pública não pode funcionar no piloto automático.

E muito menos pode esperar que a imprensa, os moradores ou as redes sociais apontem diariamente onde está o lixo para que o poder público descubra onde precisa atuar.

Não joguem tudo nas costas do cidadão

Também não cabe absolver a população.

Quem joga lixo na rua, em terreno baldio, em canal ou em espaço público está contribuindo diretamente para o problema.

Educação ambiental e responsabilidade individual são indispensáveis.

Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer a responsabilidade do cidadão e transferir para ele a responsabilidade pela eficiência do serviço público.

Uma cidade limpa depende de duas partes: cidadão consciente e governo eficiente.

Um não substitui o outro.

A Prefeitura precisa fiscalizar.

Precisa coletar.

Precisa planejar.

Precisa punir quem descarta irregularmente.

Precisa educar.

Precisa inovar.

E precisa prestar contas.

Sílvio Mendes precisa assumir o comando do problema

E aqui chegamos ao ponto central deste editorial.

O prefeito Sílvio Mendes não pode permitir que a questão do lixo se transforme em uma espécie de problema sem dono dentro da administração municipal.

Se as superintendências falham, cabe ao prefeito cobrar.

Se os contratos não entregam o resultado esperado, cabe ao prefeito exigir mudanças.

Se faltam recursos, cabe ao prefeito buscar soluções.

Se falta planejamento, cabe ao prefeito determinar um novo planejamento.

Se falta fiscalização, cabe ao prefeito fazê-la funcionar.

Prefeito não pode ser apenas o responsável por anunciar aquilo que deu certo. Também precisa responder pelo que não está funcionando.

E o lixo está se tornando grande demais para ser ignorado.

Teresina não se pode se acostumar com a sujeira

Existe um perigo ainda maior.

A naturalização do problema.

Quando o lixo passa a fazer parte da paisagem, o cidadão começa a acreditar que aquilo é normal.

Não é.

Uma capital não pode se acostumar com sujeira.

Não pode aceitar pontos de descarte irregular como se fossem elementos permanentes da paisagem.

Não pode considerar normal reclamar da coleta durante meses sem que uma solução estrutural apareça.

E não pode aceitar que o debate público se limite a saber quanto vai pagar.

A pergunta deveria ser: quanto Teresina está recebendo de volta em eficiência?

O JOGO DO PODER pergunta:

O problema do lixo não nasceu na atual administração.

Mas a responsabilidade de enfrentá-lo hoje é de quem governa hoje.

E essa responsabilidade não pode ser terceirizada.

Por isso, o Jogo do Poder pergunta:

O lixo virou prioridade da Prefeitura de Teresina?

Existe um plano de longo prazo?

As Superintendências de Desenvolvimento Urbano estão funcionando como deveriam?

Os contratos e serviços estão sendo fiscalizados adequadamente?

A população está recebendo informações claras sobre os custos e resultados da limpeza urbana?

E por que uma cidade que já teve a limpeza como uma de suas vitrines administrativas hoje convive com tantas reclamações?

Pode ser falta de dinheiro.

Pode ser falta de planejamento.

Pode ser falta de fiscalização.

Pode ser falta de participação da população.

Mas pode também ser algo muito mais simples e mais difícil de admitir:

falta de gestão.

E, se for isso, não existe aumento de taxa capaz de resolver.

Porque dinheiro pode financiar um serviço. Mas só gestão transforma dinheiro em resultado.

Teresina não precisa de mais discursos sobre o lixo.

Precisa de uma cidade limpa.

E precisa saber, com clareza, quem vai assumir a responsabilidade por fazê-la funcionar.

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