trump – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Fri, 30 May 2025 17:29:58 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png trump – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Tensões comerciais podem impactar 84 milhões de empregos https://jogodopoder.com.br/tensoes-comerciais-podem-impactar-84-milhoes-de-empregos/ Fri, 30 May 2025 17:29:58 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4590 O baixo crescimento econômico global está abalando as perspectivas de criação de novos empregos em 2025.

De acordo com um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, a estimativa anterior, de 60 milhões de novas vagas, foi rebaixada para 53 milhões.

Queda do PIB e tensões geopolíticas

A redução é reflexo de um crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, estimado em 2,8%, abaixo da projeção anterior de 3,2%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, FMI.

Além disso, a OIT estima que cerca de 84 milhões de empregos em 71 países estão direta ou indiretamente ligados à demanda de consumidores dos Estados Unidos.

A agência afirma que esses postos, e as rendas que eles sustentam, estão cada vez mais em risco de interrupção devido às elevadas tensões comerciais.

A região da Ásia-Pacífico concentra a maioria desses empregos, cerca de 56 milhões. Por outro lado, Canadá e México têm a maior parcela de trabalhadores expostos a essa instabilidade, cerca de 17,1% dos postos.

O diretor-geral da OIT, Gilbert Houngbo, declarou que se as tensões geopolíticas e as interrupções comerciais continuarem, “certamente terão efeitos negativos nos mercados de trabalho em todo o mundo”.

Aumento da desigualdade

O relatório também destaca uma “erosão” da parcela da renda global destinada aos trabalhadores, que caiu de 53,0%, em 2014, para 52,4% em 2024, o que representa US$ 290 a menos de poder de compra para cada trabalhador.

A OIT afirma que essa é uma tendência preocupante que aumenta a desigualdade e cria uma desconexão entre o crescimento econômico e a remuneração dos trabalhadores.

O relatório também aborda os efeitos das novas tecnologias no mundo laboral. Os dados indicam que um em cada quatro trabalhadores pode ter seus empregos transformados pela Inteligência Artificial generativa.

Uma grande porcentagem de ocupações altamente qualificadas tem alta exposição à substituição, devido a possibilidade de automatização de tarefas.

O levantamento apontou que entre 2013 e 2023, a proporção de mulheres empregadas em ocupações altamente qualificadas aumentou de 21,2% para 23,2%. No entanto, a segregação de gênero persiste, com sub-representação das mulheres em setores como a construção e alta participação em funções de escritório e cuidados.

Fonte: ONU News – Imagem: OIT

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Elon Musk deixa governo Trump após quatro meses de embates, cortes e polêmicas https://jogodopoder.com.br/elon-musk-deixa-governo-trump-apos-quatro-meses-de-embates-cortes-e-polemicas/ Thu, 29 May 2025 17:00:49 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4545 Nomeado para liderar um ambicioso projeto de redução de gastos públicos, o bilionário Elon Musk encerra sua curta e conturbada passagem pelo governo dos Estados Unidos com um legado de promessas ousadas, conflitos internos e resultados abaixo do esperado.

Após 130 dias à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), uma estrutura criada durante o segundo mandato de Donald Trump para promover cortes e modernização na máquina pública, Elon Musk anunciou sua saída do governo. A decisão, confirmada por fontes da Casa Branca, ocorre em meio a crescentes tensões com membros do gabinete e frustrações com os limites impostos ao seu estilo de gestão.

Ascensão meteórica e promessas bilionárias

Logo após a reeleição de Trump, Elon Musk foi chamado para ocupar um posto especial na administração federal com carta branca para propor reestruturações e cortes de gastos. Dono de um perfil ousado, crítico declarado da burocracia estatal e avesso a protocolos, Musk prometeu eliminar ao menos US$ 2 trilhões em despesas do governo federal.

Na Conferência de Ação Política Conservadora, em fevereiro, Musk subiu ao palco empunhando uma motosserra vermelha metálica, que chamou de “a motosserra da burocracia”. A performance foi aplaudida por aliados da extrema direita e marcou o início simbólico de sua cruzada contra o que chamou de “ineficiência sistêmica do governo federal”.

Resultados questionados e crise interna

Apesar da retórica agressiva, os números ficaram aquém das expectativas. O próprio DOGE estima que cerca de US$ 175 bilhões em cortes tenham sido implementados — valor expressivo, mas distante da meta inicialmente divulgada. Fontes próximas ao governo apontam que a falta de articulação com secretarias e órgãos federais minou boa parte das ações de Musk.

Além dos entraves administrativos, Musk colecionou atritos com figuras-chave do governo Trump. Entrou em choque com o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Transportes Sean Duffy e o secretário do Tesouro Scott Bessent. Em um episódio polêmico, chamou o assessor comercial Peter Navarro de “idiota” e “mais burro que um saco de tijolos”. A relação com o presidente, apesar de próxima no início, também foi se desgastando com o tempo.

Críticas ao teletrabalho e clima de tensão

Entre as medidas mais controversas, Musk liderou a tentativa de revogação do teletrabalho adotado durante a pandemia, classificando o modelo como “um privilégio inaceitável da era covid”. Segundo ele, a mudança desencadearia “uma onda de demissões voluntárias que seriam bem-vindas”. A declaração causou mal-estar entre servidores e aumentou a resistência ao seu estilo de gestão.

Internamente, membros do alto escalão passaram a limitar sua influência, lembrando que decisões sobre pessoal e orçamentos cabem aos chefes de cada departamento, e não a assessores especiais. A limitação de sua autonomia foi um dos principais fatores que aceleraram sua saída.

Saída discreta e foco nos negócios

A decisão de deixar o governo foi tomada sem alarde. Musk não teve uma reunião formal com o presidente antes de oficializar sua saída, segundo fontes da Casa Branca. Um dia antes, havia criticado publicamente o novo projeto de lei tributária proposto por Trump, chamando-o de “oneroso” e “incompatível com os esforços de austeridade”.

Em recente teleconferência com acionistas da Tesla, Musk já havia sinalizado que reduziria sua atuação no governo para priorizar seus negócios. “A situação da burocracia federal é muito pior do que eu imaginava”, declarou ao The Washington Post. “É uma batalha difícil tentar melhorar as coisas.”

O que vem pela frente?

Com a saída de Elon Musk, o Departamento de Eficiência Governamental deve seguir suas atividades sob nova liderança, ainda não definida. A Casa Branca afirmou que a agenda de cortes e reestruturações continuará sendo uma prioridade.

Já Musk deve voltar sua atenção integral aos seus empreendimentos privados, incluindo Tesla, SpaceX, X (antigo Twitter) e Neuralink. Se sua breve incursão no serviço público não teve o impacto prometido, ao menos reforçou sua imagem de figura disruptiva — para o bem e para o mal — também no coração da política americana.

Edição: Damata Lucas – Imagem: X

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África do Sul: entenda falsa acusação de Trump sobre genocídio branco https://jogodopoder.com.br/africa-do-sul-entenda-falsa-acusacao-de-trump-sobre-genocidio-branco/ Tue, 27 May 2025 13:50:39 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4456 Uma lei de reforma agrária na África do Sul está por trás da falsa acusação do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, sobre um inexistente genocídio contra a minoria branca do país africano. A África do Sul se livrou do regime de segregação racial do apartheid em 1994 e é considerada a nação mais desigual do mundo.  

Ao receber o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, na Casa Branca, Trump criticou a lei de terras que busca corrigir a herança da segregação racial do país que confinou as maiorias negras em pequenas áreas territoriais durante décadas.

“Temos milhares de pessoas tentando entrar no nosso país porque sentem que vão ser mortas e que suas terras vão ser confiscadas. Vocês têm leis que foram aprovadas que permitem que terras sejam confiscadas sem pagamento”, disse Trump à Ramaphosa.

Na ocasião, Trump mostrou fotos de pessoas mortas que seriam fazendeiros brancos sul-africanos. Porém, a Reuters comprovou que algumas das imagens eram de corpos recolhidos no Congo. Questionada pela agência de notícias sobre as imagens, a Casa Branca não se manifestou.

Supostos assassinatos de fazendeiros brancos na África do Sul têm sido usados para justificar a acusação sobre genocídio, versão antiga propagada pela extrema-direita do país que ganhou impulso com o apoio Elon Musk, sul-africano de nascimento, multibilionário, dono da plataforma X e aliado de Trump. Segundo Musk, os brancos da África do Sul são vítimas de leis “racistas de propriedade”.

O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa rebateu Trump argumentando que a violência no país é um problema causado pelo desemprego e pela desigualdade, destacando que a população negra, e não a branca, é a mais afetada pela criminalidade.

Com 63 milhões de habitantes, 81,7% da população da África do Sul é negra e cerca de 7% são de brancos, segundo estatísticas oficiais de 2024.

Reforma Agrária

A nova lei de terras da África do Sul, sancionada neste ano, permite a desapropriação sem indenização em caso de propriedades ociosas. A professora de história da África da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Núbia Aguilar explicou à Agência Brasil que a desigualdade racial na África do Sul não acabou com o fim do regime de apartheid.

“As leis de segregação criaram uma discriminação e desigualdade raciais que não acabam com o fim do apartheid. Isso gera, na atualidade, uma tensão racial e uma busca por maior igualdade, como a gente vê na questão da distribuição de terras. Por isso, temos hoje grupos de brancos da África do Sul que se colocam como vítimas de uma política reparatória”, explicou.

A historiadora ressalta que existe uma grande resistência interna na África do Sul contra a lei de reforma agrária recentemente sancionada. Segundo a especialista, as leis de segregação ao longo do século 20 permitiram uma ampla concentração de terra na mão da minoria branca.

“Nesse cenário, os EUA ficam ao lado dos brancos sul-africanos que são colocados como vítimas do governo não branco sul-africano. Então, a África do Sul, mais uma vez, se configura um espaço de tensão racial”, disse, lembrando do passado do apartheid.

Núbia Aguilar lembrou que a concentração de terras na África do Sul tem, entre suas origens, as leis de terra do início do século 20, que confinaram as maiorias negras em regiões que somariam 13% do território, proibindo que pessoas negras comprassem terra fora dessas áreas.

Imigração e Israel

Citando a desaprovação à política fundiária da África do Sul, o governo Trump cortou ajuda financeira ao país africano ainda no início do governo. O país também é criticado por Washington por denunciar Israel por genocídio e colonização na Faixa de Gaza.

Os atritos entre os dois países levaram Trump a abrir exceção na sua dura política imigratória, permitindo a entrada de brancos sul-africanos que queiram migrar ao país enquanto caça licenças migratórias de centenas de milhares de haitianos, cubanos e venezuelanos. Além disso, Washington expulsou o embaixador sul-africano do país.

País mais desigual

O Banco Mundial classifica a África do Sul como o país mais desigual no mundo, em parte, devido ao seu passado colonial e de segregação racial. Em relatório publicado em 2022, o banco responsabiliza a concentração de terra como um dos principais motivos para desigualdade no país africano.

“A desigualdade na propriedade da terra, particularmente na Namíbia e na África do Sul, perpetua os níveis historicamente altos de desigualdade de renda. A terra é um bem fundamental, especialmente para pessoas pobres em áreas rurais. A distribuição desigual de terras agrícolas, profundamente enraizada na história da região, contribui significativamente para a desigualdade”, diz o estudo.

A professora Núbia Aguilar ressalta que, mais de 30 anos após o fim do apartheid, a minoria branca continua controlando a maior parte da economia sul-africana. “Se fizermos um passeio pelas famosas vinícolas da região do Cabo, que recebem grande número de turistas, veremos que essas produções são majoritariamente concentradas na mão de brancos”, disse.

De acordo com a professora, a nova lei permite a desapropriação sem indenização apenas de terras ociosas, mas ainda não foi colocada em prática pelo governo. “Essa lei ainda não teve como progredir, sobretudo, em virtude da repercussão e toda movimentação que essa legislação tem sido alvo”, concluiu.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Tânia Rêgo

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ONU critica governo Trump por repressão a protestos em universidades dos EUA https://jogodopoder.com.br/onu-critica-governo-trump-por-repressao-a-protestos-em-universidades-dos-eua/ Fri, 23 May 2025 21:55:51 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4303 O Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos acusou nesta sexta-feira (23) o governo do presidente Donald Trump de tentar restringir protestos pacíficos e o debate público em universidades norte-americanas. A agência expressou preocupação com a intimidação de estudantes por parte das autoridades federais.

Na quinta-feira (22), a administração Trump deu 72 horas à Universidade de Harvard para entregar registros de estudantes estrangeiros. O governo busca identificar supostos vínculos desses alunos com “atividades violentas” ou protestos ocorridos nos últimos cinco anos.

A medida levou à suspensão da autorização para Harvard admitir novos estudantes internacionais — um grupo que representa mais de 25% do total de alunos da instituição, localizada em Massachusetts. O governo alegou que a universidade estaria permitindo a entrada de estudantes com perfis “antiamericanos ou pró-terrorismo”.

“A liberdade de expressão é essencial, mesmo em meio a fortes divergências”, afirmou Liz Throssell, porta-voz do alto-comissariado da ONU, destacando que divergências políticas não devem ser confundidas com incitação à violência.

China reage à medida

A decisão gerou reações internacionais, especialmente da China, um dos países citados pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA, que mencionou supostos laços de estudantes com o Partido Comunista Chinês.

Em resposta, o governo chinês repudiou o que chamou de politização dos intercâmbios educacionais. “A China protegerá firmemente os direitos legítimos de seus estudantes e acadêmicos no exterior”, declarou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Estima-se que cerca de 20% dos estudantes internacionais de Harvard sejam chineses. Sem a autorização, cerca de 7 mil estudantes estrangeiros da universidade correm o risco de perder o status de residência nos EUA.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Freepik IA

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Com Putin, Lula reforça posição em atuar por fim da guerra na Ucrânia https://jogodopoder.com.br/com-putin-lula-reforca-posicao-em-atuar-por-fim-da-guerra-na-ucrania/ Sat, 10 May 2025 17:29:55 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3825 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou ao presidente russo, Vladimir Putin, a disposição do Brasil em atuar pelo fim do conflito em Rússia e Ucrânia. Lula cumpriu agenda em Moscou nesta quinta (8) e sexta-feira (9) e, disse, neste sábado (10), que a visita ao país “não muda 1 milímetro” o que ele pensa sobre a paz.

“O discurso do Brasil vai continuar exatamente o mesmo. Nós trabalhamos, queremos e torcemos para que essa guerra acabe”, disse, em coletiva de imprensa antes de embarcar para Pequim, na China, onde também faz uma visita de Estado, na segunda (12) e terça-feira (13).

Lula lembrou que a proposta de diálogo está aberta com diversos países e que a guerra só acaba se Rússia e Ucrânia quiserem. “Se um só quiser, não vai acabar”, enfatizou.

“Nós dissemos ao presidente Putin aquilo que a gente vem dizendo desde que começou essa guerra: a posição do Brasil contra a ocupação territorial do outro país. O Brasil faz parte de um grupo de países que, junto com a China criou um grupo de amigos que são 13 países emergentes, e eu disse ao presidente Putin que nós estamos dispostos a ajudar na negociação desde que os dois países que se enfrentam queiram que a gente possa participar da negociação”, explicou.

Lula lembrou, ainda, da situação da Faixa de Gaza, no Oriente Médio. Nesta semana, o gabinete de segurança do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aprovou um novo plano para ampliar a ocupação do território. O governo brasileiro criticou as intenções do governo israelense.

“A única coisa que interessa nesse momento é discutir a volta à normalidade no mundo. Não é só aqui, é na Faixa de Gaza também. Aqui, dois Estados estão em guerra, na Faixa de Gaza é um genocídio, um exército muito bem preparado contra mulheres e crianças, a pretexto de matar terroristas”, reafirmou Lula.

Para o brasileiro, “é uma loucura” incentivar as guerras. “A Europa está voltando a se armar com medo de guerra, que é uma loucura. Ou seja, nós estamos gastando trilhões de dólares com arma, quando o mundo está precisando que a gente gaste trilhões de dólares com a educação, com saúde e com comida para o povo que está passando fome”, disse, voltando a defender o multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com a entrada de novos países.

Hoje, esse conselho, com poder de tomar importantes decisões sobre conflitos internacionais, reúne apenas Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido como membros permanentes.

Dia da Vitória

A visita do presidente brasileiro ocorreu no contexto das celebrações dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. É o feriado mais importante do país e foi comemorado, na manhã de ontem, com um grandioso desfile cívico-militar.

Lula comentou as críticas de que a celebração foi organizada pelo governo russo como peça de propaganda política para o presidente Vladimir Putin. “Eu acho que seria muito mais fácil as pessoas terem um pensamento positivo do que um pensamento negativo”, disse.

“A Europa inteira deveria estar fazendo festa ontem, o dia da vitória contra o nazismo. Ou seja, eu não vejo qual é a crítica que se possa fazer de um país que perdeu 26 milhões de jovens. Esse país chegou em um momento em que a juventude, praticamente, estava dizimada pela Segunda Guerra Mundial”, acrescentou.

Quintal dos EUA

Durante a conversa com a imprensa, Lula foi questionado sobre a declaração do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, de que o país norte-americano deve “recuperar o seu quintal”, em referência à América Latina.

O presidente afirmou que o Brasil não é quintal dos Estados Unidos e que respeita o país, hoje governado por Donald Trump, com o qual o Brasil tem 200 anos de relações diplomáticas.

“O Brasil não quer ser melhor do que ninguém, mas o Brasil não aceita ser pior do que ninguém. O Brasil, no mínimo, quer ser tratado em igualdade de condições. […] O Brasil será quintal do Brasil, um país livre e soberano”, disse.

A viagem de Lula ocorre em meio ao acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, as duas maiores economias do planeta, com a imposição de tarifas mútuas, desencadeada por iniciativa de Donald Trump. Para o presidente Lula, não interessa a ninguém a volta do protecionismo.

“Nós queremos é um comércio mais flexível, mais justo e que a gente possa, inclusive, fazer políticas de favorecimento dos países menores, dos países mais pobres. Discuti isso também com o presidente Putin, vou discutir amanhã com o presidente Xi Jinping e isso vai fazer parte da discussão que nós queremos fazer no nosso querido Brics, em julho no Brasil”, disse.

Neste semestre, o Brasil está na presidência do Brics, que será encerrada com a cúpula de líderes, no Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de julho. Reforma da governança global e desenvolvimento sustentável com inclusão social são algumas das agendas que o país busca promover.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Ricardo Stuckert

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Brasil e Rússia discutem aumento das relações na área de energia https://jogodopoder.com.br/brasil-e-russia-discutem-aumento-das-relacoes-na-area-de-energia/ Fri, 09 May 2025 21:00:41 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3781 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (9), que o Brasil quer ampliar as relações bilaterais com a Rússia, especialmente na área de energia. Em encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, Lula disse que tem “muito interesse” na experiência do país euroasiático com pequenas usinas nucleares.

“Esta minha visita aqui é para estreitar e refazer, com muito mais força, a nossa construção de parceria estratégica. O Brasil tem interesses políticos, comerciais, culturais, interesses científico e tecnológico com a Rússia”, disse Lula, lembrando que o fluxo comercial Brasil-Rússia é de cerca de US$ 12,5 bilhões.

“É um fluxo comercial bastante deficitário para o Brasil, mas nós entendemos que o potencial de crescimento dessa relação é muito grande. Nós temos interesse em discutir a área da defesa, espacial, científica e tecnológica, da educação e a área, sobretudo, da questão energética”, acrescentou o presidente.

Durante o encontro, houve assinatura de atos na área de ciência e tecnologia. Entre os integrantes da comitiva de Lula, estão os ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O presidente Putin, por sua vez, afirmou que as relações entre os dois países estão se desenvolvendo em contatos de alto nível e lembrou que o Brasil mantém as posições de liderança nas importações da Rússia de produtos alimentares.

O Brasil tem uma relação comercial importante com a Rússia, importando dois produtos fundamentais, fertilizantes e óleo diesel, e exportando, principalmente, produtos do agronegócio, como soja, carne bovina, café não torrado, carne de aves e suas miudezas e tabaco.

Lula chegou a Moscou na última quarta-feira (7), em visita no contexto das celebrações dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. É o feriado mais importante do país e foi comemorado, na manhã de hoje, com um grandioso desfile cívico-militar, antes da reunião bilateral entre os dois líderes.

Em Moscou, ainda nesta sexta-feira, está previsto um encontro de Lula com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.

Rússia- 09/05/2025 Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin. Grande Palácio do Kremlin, Rússia - Moscou.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin. Grande Palácio do Kremlin, Rússia – Moscou Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

Tarifaço

A viagem de Lula ocorre em meio ao acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, as duas maiores economias do planeta, com a imposição de tarifas mútuas, desencadeada por iniciativa do presidente norte-americano Donald Trump. O brasileiro comentou o tema na reunião com o russo Vladimir Putin.

“As últimas decisões anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, de taxação de comércio com todos os países do mundo, de forma unilateral, jogam por terra a grande ideia do livre comércio, joga por terra a grande ideia do fortalecimento do multilateralismo e joga por terra, muitas vezes, o respeito à soberania dos países que nós temos que ter”, disse Lula.

A visita presidencial à Rússia segue até este sábado (10), quando Lula segue para Pequim, na China. Lá, ele participa da cúpula entre o gigante asiático e países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), nos dias 12 e 13 de maio, além de fazer uma visita de Estado, com a assinatura de, pelo menos, 16 atos bilaterais.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Ricardo Stuckert

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Pentágono inicia retirada de militares transgênero após decisão da Suprema Corte https://jogodopoder.com.br/pentagono-inicia-retirada-de-militares-transgenero-apos-decisao-da-suprema-corte/ Fri, 09 May 2025 18:56:02 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3751 O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) começará imediatamente a retirar até mil militares que se identificam abertamente como transgênero do Exército, enquanto dá aos demais integrantes das Forças Armadas um prazo de 30 dias para se autoidentificarem, conforme nova diretriz divulgada nesta sexta-feira (9).

A medida vem na esteira da decisão da Suprema Corte na última terça-feira (6), que deu luz verde à Casa Branca para impor restrições à presença de pessoas transgênero nas Forças Armadas. A administração Trump, em seu segundo mandato, tem endurecido a postura em relação a políticas de diversidade, com um discurso que rejeita iniciativas associadas ao chamado “wokismo” — termo usado de forma pejorativa por setores conservadores para se referir a movimentos de defesa das minorias.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, autor da nova diretriz, reforçou publicamente a posição do governo. Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), ele escreveu: “Chega de trans no DoD [Pentágono]”.

Horas antes, durante uma conferência das forças de operações especiais em Tampa, Hegseth foi ainda mais direto:
“Chega de pronomes”, afirmou, destacando que seu departamento está deixando para trás o “wokismo” e a “fraqueza”, numa sinalização clara de alinhamento com a nova política do governo.

As autoridades do Pentágono reconhecem que é difícil determinar o número exato de militares transgênero nas Forças Armadas. Contudo, os registros médicos devem ajudar a identificar aqueles diagnosticados com disforia de gênero, que apresentam sintomas ou estão em tratamento. Segundo dados de dezembro de 2024, havia pelo menos 4.240 militares com esse diagnóstico nas fileiras ativas, na Guarda Nacional e na Reserva — número que pode ser ainda maior.

Esses militares estarão sujeitos à dispensa involuntária, conforme prevê a diretriz atual.

O memorando divulgado nesta sexta-feira reforça orientações que já haviam sido delineadas em fevereiro, mas que ficaram suspensas devido a disputas judiciais. Com a decisão favorável da Suprema Corte, o governo Trump agora tem caminho livre para implementar a medida — considerada por organizações de direitos civis como um retrocesso nos avanços das últimas décadas em relação à inclusão e diversidade nas Forças Armadas.

A decisão do governo Trump marca um rompimento com políticas adotadas em governos anteriores, que buscavam justamente ampliar a inclusão de minorias, incluindo pessoas transgênero, no Exército. Agora, a nova abordagem simboliza um realinhamento com as bandeiras conservadoras que pautaram a campanha de reeleição de Trump, reforçando seu compromisso em desmantelar políticas consideradas pelo governo como excessivamente “politizadas”.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Ray Donnelly/Unsplash

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China cobra fim das tarifas para negociar com EUA https://jogodopoder.com.br/china-cobra-fim-das-tarifas-para-negociar-com-eua/ Sun, 04 May 2025 11:27:50 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3580 As autoridades chinesas anunciaram nesta sexta-feira (2) que estão analisando uma proposta dos Estados Unidos para retomar as negociações sobre as tarifas comerciais que vêm alimentando a guerra econômica entre as duas maiores potências do mundo. Apesar disso, Pequim deixou claro: antes de qualquer conversa, espera que Washington reverta sanções e tarifas que considera injustas e prejudiciais.

O governo de Donald Trump foi o primeiro a acirrar o embate, aplicando tarifas de até 145% sobre produtos chineses. Como resposta, a China contra-atacou com tarifas de 125% sobre importações americanas, sinalizando estar pronta para enfrentar a disputa até o fim. Embora Trump tenha posteriormente suspendido parte das tarifas em setores estratégicos, como eletrônicos e semicondutores, as autoridades chinesas acusam os Estados Unidos de incoerência nas declarações sobre uma possível negociação.

Segundo comunicado do Ministério do Comércio da China, foram os americanos que tomaram a iniciativa recente de propor diálogo. “Se os Estados Unidos querem conversar, precisam mostrar sinceridade, corrigir suas ações equivocadas e cancelar as tarifas unilaterais”, destacou a nota oficial. Para Pequim, qualquer tentativa americana de exercer pressão sob o pretexto de negociação não será aceita.

O embate entre os dois países se intensificou em abril, quando Trump impôs uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações, além de tarifas recíprocas a diversas nações. Embora tenha suspendido parte dessas medidas para outros países, as tarifas contra a China foram mantidas e ampliadas após a retaliação chinesa.

“A posição da China sempre foi clara”, reiterou o Ministério do Comércio. “Se houver luta, lutaremos até o fim. Se houver diálogo, a porta está aberta.” Para os chineses, a responsabilidade pelo início da guerra comercial é exclusivamente dos Estados Unidos — e caberá a eles dar o primeiro passo para encerrar a disputa.

Fonte: Com informações Imprensa Internacional – Imagem: X

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Lula diz que atitude do governo dos EUA com Erika Hilton é abominável https://jogodopoder.com.br/lula-diz-que-atitude-do-governo-dos-eua-com-erika-hilton-e-abominavel/ Thu, 24 Apr 2025 17:40:32 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3181 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (24), que defender a identidade de gênero da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e de outras pessoas transgêneros é defender a soberania brasileira

Lula pediu ao Ministério das Relações Exteriores que emita uma nota mostrando a “inconformidade do Brasil com a ingerência de uma embaixada no passaporte de uma brasileira”.

deputada teve sua identidade de gênero negada durante o processo de emissão de visto diplomático para participar de uma conferência acadêmica nos Estados Unidos.

Ontem (23), ela se reuniu com o chanceler Mauro Vieira e, hoje, esteve com Lula durante reunião para sanção de projetos de lei sobre combate à violência e proteção de direitos das mulheres, no Palácio do Planalto.

“Érica, o que aconteceu com você, na minha opinião, é abominável”, afirmou Lula na reunião.

“Você não foi pedir mudança de sexo, foi pedir passaporte para fazer uma viagem aos Estados Unidos. Era isso que eles deveriam ter te dado. E defender isso é defender a soberania brasileira. É o mínimo que a gente espera”, acrescentou o presidente.

Missão oficial

Erika Hilton integrava missão oficial autorizada pela Câmara dos Deputados e deveria palestrar no dia 12 de abril no painel Diversidade e Democracia, durante a Brazil Conference at Harvard & MIT 2025, ao lado de outras autoridades brasileiras. Após o ocorrido, Hilton desistiu da viagem.

A deputada federal afirmou que se tornou alvo direto de uma política transfóbica do governo americano e alegou que o ato se configura em um problema diplomático.

Documentos reunidos pela equipe da deputada revelam que a embaixada norte-americana em Brasília deliberadamente registrou Erika com o sexo masculino, desconsiderando sua certidão de nascimento retificada e seu passaporte brasileiro que atestam seu gênero feminino.

Em 2023, a mesma embaixada havia emitido visto à deputada respeitando sua identidade feminina. Em 20 de janeiro deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Tump, emitiu a Ordem Executiva 14168, que exige que os departamentos federais reconheçam o gênero como um binário masculino-feminino imutável e proíbe a autoidentificação de gênero em documentos federais, como passaportes.

Ingerência

presidente Lula provocou a Câmara dos Deputados e o Senado Federal para que também enviem manifestação ao Congresso dos Estados Unidos sobre a “ingerência” da embaixada nos documentos da deputada brasileira e afirmou que, no Brasil, nenhuma parlamentar norte-americana seria tratada dessa maneira.

“Quem tem o direito de discutir o que essa mulher é, é o Brasil e é ela, sobretudo. É a ciência. Não é o decreto do Trump. Então, é importante que vocês aprendam a ficar inquietas também”, disse ele a parlamentares mulheres que estavam na cerimônia no Planalto.

“Tem que ter um protesto da Câmara dos Deputados brasileira para a Câmara dos Deputados americana, tem que ter uma carta para o Senado americano.”

“É sair da inquietude e dizer claramente que nós não aceitamos isso. Nós não vamos fazer isso com uma americana que queira vir para cá. A gente vai apenas autorizar ou não o visto. Diga que não quer dar o visto, acabou. Agora, o que não pode é tentar mudar o que a pessoa é”, acrescentou o presidente.

Governo dos EUA

Em nota, a embaixada americana no Brasil disse que os registros de visto são confidenciais e confirmou que só reconhece os sexos masculino e feminino, “considerados imutáveis desde o nascimento”.

Em entrevista à imprensa após a reunião, Erika Hilton afirmou que o posicionamento do presidente Lula mostra que as mulheres trans não estão “abandonadas e isoladas”.

“O governo está, sim, comprometido, preocupado, se posicionando. Nós vamos agora esperar qual será a posição oficial do Itamaraty, mas houve uma fala muito positiva […] dizendo: ‘o governo brasileiro irá se manifestar’”, destacou.

“O presidente usou esse momento para fazer uma fala que me alegra muito e que dá esperança de que nós vamos continuar defendendo todas as mulheres, as mulheres trabalhadoras, as mulheres nas redes sociais, as mulheres no campo, as mulheres indígenas e também as mulheres transexuais e travestis”, disse, em referência aos projetos de lei sancionados, que tratam da proteção dos direitos das mulheres.

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Ao receber presidente chileno, Lula alerta para a ameaça de uma nova ‘guerra fria’ https://jogodopoder.com.br/ao-receber-presidente-chileno-lula-alerta-para-a-ameaca-de-uma-nova-guerra-fria/ Tue, 22 Apr 2025 21:53:42 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3104 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta terça-feira (22), não querer uma nova guerra fria nem optar entre Estados Unidos ou China. Ao receber o presidente do Chile, Gabriel Boric, para visita de Estado no Palácio do Planalto, Lula defendeu ainda a integração dos países da América do Sul e a cordialidade nas relações comerciais.

“A nós, brasileiros, não agrada essa disputa estabelecida pelo presidente [dos Estados Unidos, Donald] Trump. Eu acho que ela não é conveniente para os Estados Unidos, não é conveniente para a China e não é conveniente para nenhum país do mundo”, disse Lula.

O presidente brasileiro se referia à política protecionista do mandatário norte-americano, que estabeleceu altas tarifas de importação no país, especialmente para a China, que respondeu com reciprocidade.

“Eu não quero guerra fria, eu não quero fazer opção entre Estados Unidos ou China. Eu quero ter relações com os Estados Unidos, quero ter relação com a China. Eu não quero ter preferência sobre um ou sobre o outro. Quem tem que ter preferência são todos os meus empresários, que querem negociar. Mas eu, não. Eu quero negociar com todo mundo. Eu quero vender e comprar, fazer parceria”, reforçou.

Para Lula, a democracia, o multilateralismo e o livre comércio precisam ser consolidados no mundo. “A geopolítica do mundo não é feita de ocasiões. Ela tem que ser perene, e nós precisamos construir instituições que deem segurança ao exercício da democracia, independentemente de quem seja o presidente da República”, afirmou.

Brasília (DF), 22/04/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante declaração à imprensa juntamente do presidente do Chile, Gabriel Boric, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante declaração à imprensa juntamente do presidente do Chile, Gabriel Boric, no Palácio do Planalto. Marcelo Camargo/Agência Brasil

Integração

O presidente afirmou que é “obcecado pela integração” e que o Brasil tem o papel de ser um país indutor do desenvolvimento na região, “pelo tamanho e pela importância econômica que tem”. “Um país como o Chile, a Bolívia, o Equador, o Uruguai, mesmo o Brasil, que é um país grande territorialmente, mas economicamente e tecnologicamente ainda é fraco diante do que poderia ser, quando você vai negociar com uma grande potência, você fica muito vulnerável”, explicou.

Lula argumentou que é preciso diversificar as relações comerciais e procurar novos parceiros e aprendizados. Caso contrário, os países latino-americanos podem viver “mais um século pobres”.

“Os Estados Unidos poderiam ter financiado o desenvolvimento em El Salvador, na Guatemala, em Honduras. Ali, todo mundo poderia ser um satélite de desenvolvimento extraordinário. Mas continua todo mundo pobre”, afirmou, criticando o tratamento dado pelo país norte-americano aos imigrantes da América Latina. “Então, todo mundo quer viajar para os Estados Unidos para ver se melhora de vida. Depois de ajudar a construir a riqueza americana, aparece um presidente que os trata como inimigos. Latino-americano agora é tudo inimigo”, acrescentou.

“O mundo não pode ser induzido à raiva, ao ódio, ao preconceito, à perseguição”, complementou o presidente brasileiro.

O presidente chileno, Gabriel Boric, endossou as palavras de Lula e afirmou que o Chile é contra a politização arbitrária do comércio e que, “em tempos de incerteza”, é sempre importante estar próximo de países aliados.

 

Brasília (DF), 22/04/2025 - O presidente do Chile, Gabriel Boric, durante declaração à imprensa, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Chile, Gabriel Boric, durante declaração à imprensa, no Palácio do Planalto. Marcelo Camargo/Agência Brasil

Atos assinados

A visita do chileno ao Brasil é parte da primeira comemoração do Dia da Amizade entre Chile e Brasil, estabelecido no ano passado e que celebra o início das relações diplomáticas em 22 de abril de 1836.

Durante a cerimônia foram assinados os seguintes atos entre os dois países:

  • Memorando de entendimento para cooperação em inteligência artificial (IA) para a criação de sistemas de IA que favoreçam o desenvolvimento regional, com foco na inclusão dos diversos idiomas e expressões culturais da América Latina;
  • Memorando de entendimento para fortalecer a agricultura familiar em ambos os países, tendo em conta o desenvolvimento agrícola e rural sustentáveis, o aumento da produção e a redução das perdas de alimentos, a agroecologia e a agricultura orgânica e inclusiva;
  • Memorando de entendimento sobre cooperação em assuntos consulares e migratórios, que cria a comissão bilateral para formular iniciativas sobre o intercâmbio de informações relativas à assistência consular e aos movimentos migratórios;
  • Acordo de cooperação sobre segurança pública, com foco na prevenção e no combate ao crime organizado transnacional;
  • Tratado sobre assistência jurídica em matéria penal, que permitirá que os governos de Brasil e Chile se prestem assistência jurídica um ao outro em procedimentos penais, relativos à investigação e à persecução de crimes;
  • Acordo de coprodução audiovisual, que pretende facilitar as coproduções audiovisuais entre Brasil e Chile, contribuindo para as indústrias cinematográfica e audiovisual de ambos os países, fomentando o intercâmbio cultural;
  • Memorando de entendimento para intercâmbio de oficias instrutores nos centros de operações de paz, para a capacitação de pessoal para atuação em missões de paz das Nações Unidas, com o objetivo de contribuir para a paz e segurança internacionais;
  • Memorando de entendimento entre as agências de promoção Apex e Prochile, para fortalecer as relações comerciais entre Chile e Brasil, bem como promover ambos os países em terceiros mercados e aumentar o intercâmbio comercial.

Além dos acordos e memorandos assinados durante a cerimônia, também foram firmados outros novos atos nos seguintes temas: colaboração acadêmica em defesa; intercâmbio de artistas e difusão recíproca da arte; incentivo a micro e pequenas empresas e cooperativas; área de pesca; e uso de certificação eletrônica para comércio de produtos de origem animal.

Após a agenda no Palácio do Planalto, as autoridades seguiram para o Palácio Itamaraty, onde estava programado um almoço. Ainda hoje, Lula e Boric participam do encerramento do Foro Empresarial Chile-Brasil, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

 

Brasília (DF), 22/04/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente do Chile, Gabriel Boric, em cerimônia oficial, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente do Chile, Gabriel Boric, em cerimônia oficial, no Palácio do Planalto. Marcelo Camargo/Agência Brasil

Diversificação

A visita do chileno Gabriel Boric busca promover a diversificação das relações entre Brasil e Chile, com uma maior integração logística e comercial. Nesta quarta-feira (23), ele também participa de um evento que vai discutir o Corredor Bioceânico, via que ligará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Norte do Chile.

A obra de infraestrutura, também em parceria com Paraguai e Argentina, estará concluída em pouco tempo, e os países discutem, agora, como garantir que os serviços fronteiriços e logísticos sejam ágeis e modernos. Os portos chilenos deverão desempenhar parte central da logística para o acesso a mercados do Pacífico. “Isso é integração, não somente fotos de cúpulas [de líderes]”, disse Boric.

O presidente chileno lembrou ainda a visita oficial que o presidente Lula fez ao Chile, em agosto do ano passado, com uma grande comitiva de ministros e empresários, quando foram assinados 19 atos bilaterais. “Isso mostra como é profunda essa relação e a tremenda diversidade que queremos trabalhar”, afirmou.

Os dois países têm mais de 100 acordos bilaterais em vigor e um comércio equilibrado, mas ainda pouco diversificado na visão do chileno. Entre os setores que podem ser explorados, Boric citou investimentos financeiros, transporte e tecnologia da informação.

O Brasil é o terceiro maior parceiro comercial do Chile, com um intercâmbio comercial que atinge US$ 12 bilhões por ano. O país vizinho exporta para o mercado brasileiro, basicamente, cobre, pescados e minérios. O Brasil também é o primeiro destino das exportações de vinho.

Por outro lado, o Chile é o sexto maior destino das exportações do Brasil; sendo petróleo, carne bovina e automóveis os principais produtos exportados.

O Brasil é o maior investidor latino-americano dentro do Chile, em setores como energia, serviços financeiros, alimentos, mineração, construção e fármacos.

No sentido inverso, o país também é o principal destino dos investimentos chilenos no exterior, com quase 30% do estoque total. As empresas chilenas atuam no Brasil em áreas como celulose, varejo e energia, sendo a companhia aérea Latam a maior empresa chilena em operação no Brasil.

Brasília (DF), 22/04/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente do Chile, Gabriel Boric, em cerimônia oficial, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente do Chile, Gabriel Boric, em cerimônia oficial, no Palácio do Planalto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcelo Camargo

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