tarifaço – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Sun, 13 Apr 2025 12:00:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png tarifaço – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Para a ONU, países em desenvolvimento devem ser isentos das tarifas dos Estados Unidos https://jogodopoder.com.br/para-a-onu-paises-em-desenvolvimento-devem-ser-isentos-das-tarifas-dos-estados-unidos/ Sun, 13 Apr 2025 12:00:24 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2760 As Nações Unidas estão preocupadas com o aumento da incerteza sobre os efeitos a países em desenvolvimento e mais vulneráveis às políticas de tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Em entrevista à ONU News, a secretária-executiva da Agência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, Rebeca Grynspan, lembrou que os 44 países mais pobres não contribuem nem 2% para o déficit comercial americano.

Impacto arrasadores numa guerra sem vencedores

Na sexta-feira, foi a vez da economista e diretora do Centro Internacional de Comércio, CIC, Pamela Coke-Hamilton, afirmar que as mudanças afetarão as cadeias de fornecimento e levarão a uma reavaliação das alianças globais.

Ela lembra que países como México, China, Tailândia, mas também nações no sul da África e os Estados Unidos serão os mais afetados.

Secretária-executiva da Agência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, Rebeca Grynspan, lembrou que os 44 países mais pobres não contribuem nem 2% para o déficit comercial americano
ONU/Jean Marc Ferré – Secretária-executiva da Agência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, Rebeca Grynspan, lembrou que os 44 países mais pobres não contribuem nem 2% para o déficit comercial americano

No início desta semana, o secretário-geral António Guterres disse que ninguém ganha numa guerra comercial e que o impacto dessas medidas serão arrasadores.

As tarifas são impostos cobrados para a importação de produtos à nação que exporta o bem.

Briga de grandes economias afeta a todos

É uma porcentagem sobre o valor da mercadoria, um custo extra que geralmente é repassado ao consumidor.

Para o Centro Internacional de Comércio, as economias emergentes estão menos equipadas para lidar com as instabilidades, uma vez que não têm diversidade de manufatura ou formas de adicionar valor às commodities brutas das nações mais industrializadas.

A chefe da Unctad lembrou que quando duas economias globais brigam, como no caso da China e dos Estados Unidos, sobre imposição de tarifas, todos saem afetados e não apenas as economias que estão no processo.

Fonte: ONU News – Imagem: © FMI/Andrew Caballero-Reynolds

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Entenda: tarifaço de Trump é capaz de reindustrializar Estados Unidos? https://jogodopoder.com.br/entenda-tarifaco-de-trump-e-capaz-de-reindustrializar-estados-unidos/ Thu, 10 Apr 2025 17:50:12 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2638 A guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos (EUA) por meio do tarifaço contra todos os parceiros comerciais é capaz de reindustrializar o país norte-americano, como promete Donald Trump? 

Para especialistas em economia política e desenvolvimento econômico consultados pela Agência Brasil, é improvável que a política de tarifas de Trump possa reverter um processo que começou na década de 1970. Por outro lado, apontam que alguns objetivos de Trump podem ser alcançados devido ao controle que Washington ainda exerce sobre a economia do planeta.

O professor de sociologia econômica e economia política Edemilson Paraná, da LUT University da Finlândia, avalia que a sociedade norte-americana não tem coesão política e ideológica, nem coordenação estatal suficiente para reindustrializar o país.

Brasília (DF), 09/04/2025 - O professor de sociologia econômica Edemilson Paraná, da LUT University da Finlândia. Foto: LUT University/Divulgação

Edemilson Paraná aponta falta de unidade política e ideológica e coordenação estatal insuficiente para reindustrialização – LUT University/Divulgação

“O governo Trump não tem um programa de investimentos em infraestrutura, não tem política industrial coordenada, não tem política racional para os preços macroeconômicos, taxa de juros, câmbio, não tem política fiscal consequente, e você não tem regulações bem articuladas com isso tudo. Uma industrialização precisa de alta mobilização social e esforço político brutal. Não por acaso, muitas vezes, os processos de industrialização são feitos no contexto de unificação, de guerra e de ditadura”, explicou.

Edemilson afirma que a desindustrialização dos EUA foi consequência das políticas neoliberais do republicano Ronald Reagan de desregulamentação dos mercados, avanço da globalização e financeirização da economia, políticas essas aprofundadas pelos demais presidentes.

Entre 2001 e 2023, a produção industrial dos EUA caiu de 28,4% para 17,4% da produção industrial global, segundo dados da Casa Branca.

O especialista em sociologia econômica destaca que a intervenção do Estado é fundamental para qualquer industrialização, mas diz que a contradição ideológica interna do governo com setores ultraliberais limita a capacidade do Estado de coordenar esse processo. “É muita contradição. Como é que você vai fazer isso com Elon Musk [bilionário e chefe do Departamento de Eficiência Governamental dos Estados Unidos], falando que tem que privatizar o Estado?”, questionou Paraná.

Imprevisibilidade

O professor associado de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Pedro Paulo Zaluth Bastos disse que não está certo de que as tarifas vão se manter no médio ou longo prazo, o que inibe decisões empresariais.

Brasília (DF), 09/04/2025 - Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor do Instituto de Economia da Unicamp. Foto: Antoninho Perri/SEC Unicamp

O professor Pedro Paulo Bastos vê possibilidade de efeito inflacionário de curto prazo com tarifaço de Donald Trump – Foto: Antoninho Perri/SEC Unicamp

 

“As decisões de investimento precisam de um horizonte muito mais amplo de estabilidade, de previsão, e é muito pouco provável que essas decisões sejam tomadas em função dessa grande imprevisibilidade da política dos EUA”, afirmou.

Bastos avalia que as tarifas terão um efeito inflacionário de curto prazo que pode corroer o apoio político de Trump, trazendo de volta os democratas ao poder no Parlamento, nas eleições de novembro de 2026.

“Ele está taxando produtos que os Estados Unidos não têm sequer capacidade de produzir internamente, como o café, o abacate, frutas e legumes. O país importa 60% das frutas e 40% dos legumes. As roupas também não vão ser substituídas em curto prazo porque os EUA perderam a indústria têxtil”, destacou Pedro Paulo.

Para Bastos, ainda que a política das tarifas se mantenha no longo prazo, o efeito de reindustrializar os EUA vai ser relativamente limitado. Talvez setores intensivos em capital, como e de automóveis e alumínio, tenham alguma reindustrialização, disse o professores. Nos setores de semicondutores [chips], porém, vai ser complicado por causa da mão de obra insuficiente nos EUA. “Na China, tem muitos mais engenheiros do que nos EUA. Para formar um conjunto grande de engenheiros, vai levar uns seis anos. Não é de uma hora para outra”, ponderou.

No mês passado, Trump esvaziou o Departamento de Educação e tem promovido demissões em massa de funcionários públicos.

O professor da Unicamp cita ainda obstáculos para reindustrialização de produtos baratos, como os da indústria têxtil. “Os imigrantes estão sendo expulsos. Isso vai aumentar o preço da mão de obra. E o trabalhador branco não quer trabalhar em indústria têxtil”, disse.

Não é estúpido

O professor Edemison Paraná pondera, por outro lado, que a estratégia de Trump “não é completamente estúpida” e que eles esperam conquistar alguns objetivos com o tarifaço.

“As pessoas não são tão burras assim no governo dele. A ideia é que essas tarifas forcem os países a sentarem-se à mesa para negociar país a país. Ele está usando o poder enorme de vantagem dos EUA, do mercado americano, que todo mundo quer acessar, e do poder do dólar, para dobrar os países a fazerem o que ele quer”, analisou.

De acordo com o professor, Trump calcula que ganha de toda forma porque, se o país não aceitar suas demandas, ele vai arrecadar recursos com as tarifas. “A tarifa tem um efeito fiscal na cabeça do Trump. Ele abaixa o imposto para empresas e corporações, de um lado, e arrecada com tarifas, do outro lado. Equilibra-se o déficit fiscal”, afirmou.

Edemilson destacou ainda que é muito alta uma tarifa de 30%, ou até mais, para acessar o mercado americano. “É muita coisa. Às vezes, compensa abrir uma fábrica nos EUA.”

Energia e inflação

Trump espera impulsionar a reindustrialização ainda por meio da redução do valor da energia com a expansão da produção de combustíveis fósseis, que causam o aquecimento da Terra, além da redução de impostos de empresas, como ocorreu no primeiro mandato do republicano, diz Pedro Paulo Bastos, da Unicamp.

“Isso não significa que elas [empresas] vão investir. Se as empresas tiverem mais lucros com redução de impostos, podem simplesmente aumentar a distribuição de dividendos. Para investir, é preciso previsibilidade de longo prazo e crescimento da demanda. No momento de recessão, não vai ter ninguém investindo”, destacou.

Sobre a inflação causada pelas tarifas, Edemilson Paraná diz que o governo norte-americano espera reverter isso com crescimento industrial. “Eles estão dizendo: olha, vai atrair investimento, vai gerar emprego, vai gerar produção, vai gerar demanda, e isso vai segurar a lógica dos preços porque é um choque momentâneo que vai se pagar no médio e longo prazos”, analisou.

Dólar

Outro objetivo da política de Trump para reindustrializar os Estados Unidos é desvalorizar o dólar frente a outras moedas para tornar as exportações do país mais baratas e, por isso, mais competitivas. Para o professor Pedro Paulo Bastos, no entanto, será muito difícil para os EUA executarem uma política que, de fato, reduza o valor do dólar de forma permanente e sustentada para favorecer suas exportações.

“A desvalorização do dólar prejudica os interesses de Wall Street, que poderia deixar de ser o centro do sistema financeiro internacional. Trump não é uma pessoa contrária aos banqueiros. Pelo contrário, ele é muito próximo desse pessoal”, avaliou.

Já o professor Edemilson Paraná explicou que, como o dólar é a moeda padrão do comércio internacional e usada para acumular riqueza, ela dá enorme poder aos EUA, mas, ao mesmo tempo, traz prejuízos para exportações do país.

“Com isso, o mercado consumidor dos Estados Unidos fica enorme. É uma máquina de consumir o mundo. Afinal, consome-se tudo, inclusive a poupança global que flui para os EUA. Estava tudo indo muito bem com esse arranjo, até que a China começou a aumentar suas competências e capacidades em todos os setores de tecnologia de ponta”, afirmou.

Para Paraná, uma coisa é dominar as finanças e a tecnologia, e os outros países produzirem bens materiais; “outra coisa é perder o monopólio sobre essas tecnologias. Isso ameaça o poder econômico dos EUA”.

China

Edemilson Paraná diz que faltam aos EUA a unidade e a capacidade de gestão do Estado chinês, mais estável e previsível e com capacidade ampla de coordenar inúmeras políticas, o que explica o sucesso da industrialização do gigante asiático.

“A China consegue fazer o que os Estados Unidos não vão conseguir. Os Estados Unidos acharam que iam continuar para sempre tendo a China como um sócio menor, que ela seria apenas produtora de bugigangas. Porém, os chineses foram se utilizando dessa posição para ir subindo nas cadeias globais de valor.”

Edemilson pondera que o Estado chinês tem um elevado grau de integração da política industrial, fiscal, macroeconômica, mantendo certo controle sobre as principais variáveis dos preços macroeconômicos, como salários, juros, renda da terra e câmbio, que não é totalmente flutuante na China, mas administrado para justamente privilegiar as exportações.

“O plano de Trump não considera que a economia contemporânea é mais complexa, de um lado, e de outro, que os Estados Unidos já passaram por um processo de desindustrialização de 40 anos. Na década de 70, um a cada cinco empregos americanos eram industriais. Hoje é um em doze”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcello Casal Jr.

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Tarifaço de Trump: Lula acende alerta sobre protecionismo e clama por equilíbrio global https://jogodopoder.com.br/tarifaco-de-trump-lula-acende-alerta-sobre-protecionismo-e-clama-por-equilibrio-global/ Tue, 08 Apr 2025 21:09:46 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2577 Em um momento em que o mundo vive sob o impacto de decisões econômicas imprevisíveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu espaço no 100º Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), em São Paulo, para soltar o verbo. Sem meias palavras, Lula apontou o dedo para o novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse, com todas as letras: “não vai dar certo”.

A crítica de Lula vai além da política externa. Ela é, na verdade, um alerta. Um chamado ao bom senso em tempos de protecionismo crescente e lideranças que parecem cada vez mais inclinadas a agir sozinhas, ignorando as complexidades de um mundo globalizado. E Lula, que já viu esse filme antes, sabe onde isso pode acabar.

“Ninguém pega um transatlântico carregado e faz as coisas que estão acontecendo”, disparou o presidente brasileiro, em referência às ações de Trump.

A metáfora é certeira. O transatlântico é o mundo — pesado, complexo, interligado. E tentar dar um “cavalo de pau” nesse cenário, como Lula descreveu, pode causar não só ondas, mas tsunamis geopolíticos e econômicos.

Na semana passada, Trump surpreendeu o planeta ao anunciar uma bateria de tarifas contra países como Brasil, China, membros da União Europeia e Japão. A medida, que despertou críticas até de aliados improváveis como Elon Musk, parece mais uma cartada impulsiva do que uma estratégia consolidada. Resultado: a resposta veio à altura. A China não apenas retaliou com uma tarifa de 34%, como provocou nova ameaça dos EUA — desta vez, com um imposto de 50% se Pequim não recuar até hoje à tarde.

Guerra de tarifas ou guerra de egos?

O que está em jogo não é apenas uma guerra tarifária — é uma disputa de narrativas, de hegemonias e, sobretudo, de egos. Trump, ao insistir na via do confronto, tenta se posicionar como o xerife da economia mundial. Mas esquece que, no tabuleiro global, os outros jogadores não são meros figurantes. E a reação internacional, com a União Europeia e a China assumindo uma postura firme, mostra que o jogo é mais complexo do que o republicano talvez imagine.

Lula, por sua vez, traz uma voz de moderação e realismo. Defensor do multilateralismo e do diálogo entre as nações, o presidente brasileiro propõe um caminho que parece óbvio, mas que muitos líderes têm ignorado: o da cooperação.

“A coisa mais importante hoje é o multilateralismo”, reforçou Lula. “É preciso combater o protecionismo.”

Brasil entre gigantes

Para o Brasil, o cenário exige mais do que posicionamento: exige estratégia. O país não pode se dar ao luxo de seguir o fluxo de impulsos internacionais. Precisa manter o equilíbrio, como Lula bem frisou, e tomar decisões com base na sua realidade.

Em um mundo onde o inesperado virou rotina, o discurso de Lula soa como um raro respiro racional. Enquanto Trump aposta na força bruta das tarifas, o presidente brasileiro propõe o diálogo como arma de reconstrução. E em tempos tão polarizados, talvez seja essa a única saída viável.

Porque o multilateralismo pode até não ser manchete de jornal como um tarifaço, mas é ele que sustenta os pilares do comércio, da paz e do progresso compartilhado.

Redação Damata Lucas – Imagem: Ricardo Stuckert

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Hugo Motta compara tarifas dos EUA a “novo 11 de Setembro” nas relações comerciais https://jogodopoder.com.br/hugo-motta-compara-tarifas-dos-eua-a-novo-11-de-setembro-nas-relacoes-comerciais/ Mon, 07 Apr 2025 16:48:28 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2528 O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (7) que a imposição de tarifas de importação pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros representa uma ruptura nas relações internacionais semelhante ao impacto político dos ataques de 11 de setembro de 2001.

“Se o 11 de Setembro foi um marco para o mundo, mudando a conformação política internacional, o dia 2 de abril de 2025 representa uma mudança de parâmetros e comportamento entre países”, declarou Motta durante palestra na Associação Comercial de São Paulo.

O deputado classificou o atual cenário como um “retorno ao bilateralismo e ao mercantilismo”, e disse que o Brasil precisa agir com cautela e estratégia diante do novo contexto. “O Brasil, mais do que nunca, precisa acertar a mão nas relações comerciais exteriores”, afirmou.

A declaração ocorre após o ex-presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 10% sobre todos os produtos importados do Brasil. A medida, anunciada na quarta-feira (2), faz parte de um pacote mais amplo que inclui a elevação de tarifas para diversos países, com alíquotas que podem ser ainda maiores.

Como resposta, a Câmara dos Deputados aprovou, também na quarta-feira, o projeto de lei da reciprocidade econômica. O texto permite ao Brasil adotar medidas contra países que impuserem barreiras comerciais aos produtos nacionais, com foco especial no agronegócio.

Em março, os EUA já haviam imposto uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio. A balança comercial entre os dois países segue desfavorável ao Brasil: em 2024, o país exportou US$ 40,3 bilhões e importou US$ 40,6 bilhões em produtos norte-americanos, gerando um superávit de US$ 283 milhões para os EUA.

Edição JP – Com informações CNN – Imagem: Câmara dos Deputados/Mário Agra

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China retalia EUA com tarifas de 34% e restrição a minerais raros https://jogodopoder.com.br/china-retalia-eua-com-tarifas-de-34-e-restricao-a-minerais-raros/ Fri, 04 Apr 2025 17:46:29 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2386 A China anunciou nesta sexta-feira (4) que vai impor tarifas de 34% sobre os produtos dos Estados Unidos (EUA) a partir do dia 10 abril, mesmo patamar das taxas impostos nesta semana pelo presidente Donald Trump contra as importações chinesas.

Além disso, o governo chinês anunciou restrições para exportação de minerais raros, conhecidos como terras raras, e proibiu a exportação de itens de “dupla utilização”, civil e militar, para 16 empresas estadunidenses, medidas vistas também como retaliação ao tarifaço de Trump.

O anúncio chinês ocorre dois dias após os EUA impor tarifas de 34% sobre todas as importações chineses, agravando a guerra comercial iniciada pelo país norte-americano.

Após anunciar a taxação de 34%, a Comissão Tarifária do Conselho de Estado da China pede ainda que os EUA “cancelem imediatamente suas medidas tarifárias unilaterais e resolvam as diferenças comerciais por meio de consultas de maneira igualitária, respeitosa e mutuamente benéfica”.

O governo chinês argumenta que a prática dos EUA não está de acordo com as regras do comércio internacional e prejudica os interesses da China.

“É uma prática típica de intimidação unilateral que não apenas prejudica os próprios interesses dos EUA, mas também coloca em risco o desenvolvimento econômico global e a estabilidade da cadeia de produção e fornecimento”, acrescentou.

Ainda nesta sexta-feira (4), o Ministério do Comércio da China anunciou restrições para certos itens relacionados a minerais raros, conhecidos como terras raras, de valor estratégico para indústrias de alta tecnologia.

“As medidas, que entram em vigor imediatamente, visam proteger melhor a segurança e os interesses nacionais e cumprir a não proliferação e outras obrigações internacionais”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio, segundo agência de notícias chinesa Xinhua.

A terceira medida anunciada proibiu exportações para 16 entidades dos EUA de materiais que possam ser usado nos setores civis e militares “para salvaguardar a segurança e os interesses nacionais”.

Paulada

As medidas são uma dura resposta de Pequim à Washington capazes de prejudicar a base política e eleitoral de sustentação de Trump, na avaliação do especialista em China e o professor de Economia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Elias Jabbour.

“É uma paulada. Até então, a China vinha respondendo de forma pontual. Esse novo tarifaço tem capacidade muito grande de mexer com os interesses das empresas americanas que operam na China. Quase todas elas operam na China e dependem do mercado chinês para ter lucro”, afirmou.

Jabbour acrescentou que o tarifaço deve provocar pressão inflacionária, “algo que o Trump não tem muita capacidade de controlar no curto prazo”.

O economista lembrou ainda que os estadunidenses dependem dos minerais de terras raras, que são usados para fazer chips e outros equipamentos de alta tecnologia.

“A China exporta muitas terras raras para os Estados Unidos. Então, tem esse impacto. Por isso que o Trump quer a Ucrânia, a Groelândia”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Freepik

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Mercados globais em queda após anúncio de tarifas pelos EUA https://jogodopoder.com.br/mercados-globais-em-queda-apos-anuncio-de-tarifas-pelos-eua/ Thu, 03 Apr 2025 13:14:52 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2346 Os mercados financeiros globais enfrentam um dia de quedas expressivas nesta quinta-feira (3), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a imposição de tarifas recíprocas sobre importações de vários países. O impacto foi imediato, refletindo-se no comportamento do dólar e nas bolsas internacionais.

Impacto no dólar e bolsas

Por volta das 9h45 (horário de Brasília), o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas globais, operava em queda de quase 2%, atingindo a menor cotação desde setembro do ano passado. No Brasil, o dólar registrava uma queda de 1%, sendo negociado a R$ 5,64.

Os mercados asiáticos fecharam no vermelho, enquanto os índices europeus também registravam perdas significativas. O Euro Stoxx 50, que agrega 50 das principais empresas da Europa, caía cerca de 3%.

Principais quedas na Europa:

  • Alemanha (DAX): -2,29%
  • França (CAC 40): -3,00%
  • Itália (Itália 40): -2,62%
  • Espanha (IBEX 35): -1,51%
  • Holanda (AEX): -2,56%

No Reino Unido, o FTSE 100 operava em queda de 1,40%. Na Suíça, o índice SMI caía 1,94%, reflexo das tarifas de 31% impostas por Trump aos produtos do país.

Panorama da Ásia

As bolsas asiáticas também foram impactadas pelas tarifas elevadas. Veja o desempenho:

  • Hong Kong (Hang Seng): -1,52%
  • Japão (Nikkei 225): -2,73%
  • Coreia do Sul (Kospi): -0,76%
  • Tailândia (SET): -0,93%
  • Índia (Nifty 50): -0,35%

Detalhes das tarifas de Trump

Trump anunciou tarifas de 20% sobre produtos vindos da União Europeia, com implementação a partir de 5 de abril. Algumas tarifas mais altas entrarão em vigor no dia 9 do mesmo mês. O Reino Unido recebeu tarifas de 10%, enquanto a Suíça foi tarifada em 31%.

Na Ásia, as tarifas foram ainda mais rigorosas:

  • Vietnã: 46%
  • Bangladesh: 37%
  • Tailândia: 36%
  • China: 34%
  • Coreia do Sul: 25%
  • Japão: 24%

O Brasil está entre os países menos afetados, com tarifas de 10% sobre todas as importações. O presidente justificou as tarifas como uma medida para “libertar” os EUA da dependência de produtos estrangeiros, incentivando empresas a transferirem suas fábricas para solo americano.

Consequências e incertezas

A medida tem gerado forte preocupação nos mercados, pois tarifas elevadas encarecem tanto produtos finais quanto insumos industriais, podendo pressionar a inflação e reduzir o consumo nos EUA. Especialistas temem que o aumento dos custos leve a uma desaceleração econômica, ou até mesmo a uma recessão na maior economia do mundo.

Edição JP – Com informações da imprensa nacional internacional – Imagem: Freepik

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Trump anuncia taxa de 10% para produtos brasileiros https://jogodopoder.com.br/trump-anuncia-taxa-de-10-para-produtos-brasileiros/ Wed, 02 Apr 2025 21:42:31 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2337 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje (2) um “tarifaço” global sobre impostos de importação. A data foi nomeada pelo republicano como o “Dia de Libertação”. Ele confirmou uma taxa de 10% para os produtos brasileiros.

Trump prometeu implementar tarifas recíprocas a países que cobram taxa de importação de produtos americanos. No evento, ele anunciou tarifa de 20% sobre a União Europeia, 34% sobre a China e 46% sobre o Vietnã.

O presidente confirmou ainda uma taxa de 25% sobre todos os veículos importados.

Em transmissão da Casa Branca, ele disse que a aplicação das tarifas aos outros países “é uma medida gentil” que tornará os “Estados Unidos grande novamente”.

No anúncio, ele fez críticas aos governos passados, em especial a administração de Joe Biden, por terem deixado outros países aplicarem elevadas taxas aos produtos norte-americanos, impactando a indústria nacional. Segundo ele, esses países “estão roubando” e “levando vantagem” dos EUA.

Veja algumas das tarifas anunciadas por Trump

País Taxa
China 34%
União Europeia 20%
Vietnã 46%
Taiwan 32%
Japão 24%
Coreia do Sul 25%
Tailândia 36%
Suíça 31%
Indonésia 32%
Reino Unido 10%
África do Sul 30%
Brasil 10%
Bangladesh 37%
Singapura 10%
Israel 17%
Filipinas 17%
Chile 10%
Austrália 10%
Paquistão 29%
Turquia 10%
Sri Lanka 44%
Colômbia 10%

 

Fonte: Agência Brasil – Imagem: X

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