síria – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Sat, 05 Apr 2025 15:29:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png síria – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Futuro da Síria depende do fim de sanções dos EUA, diz enviado da ONU https://jogodopoder.com.br/futuro-da-siria-depende-do-fim-de-sancoes-dos-eua-diz-enviado-da-onu/ Sat, 05 Apr 2025 15:29:04 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2425 Em visita a Damasco no final de março, o presidente da Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre a Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, encontrou uma cidade marcada por seis décadas de ausência de liberdades políticas sob o regime do partido Baath, liderado pelo ex-presidente Bashar al-Assad. Segundo ele, a Síria enfrenta uma situação socioeconômica desesperadora, agravada pelas sanções impostas pelas potências ocidentais, especialmente pelos Estados Unidos.

De acordo com Pinheiro, a principal barreira para a recuperação econômica do país são as sanções econômicas norte-americanas, que impedem a Síria de integrar o sistema Swift, rede internacional de transações bancárias. “As pessoas querem abrir negócios, atrair empresas e fazer investimentos, mas não conseguem por causa dessas sanções. O levantamento dessas restrições é o mínimo necessário para iniciar uma reconstrução”, afirmou.

Apesar de a União Europeia ter flexibilizado algumas medidas após a queda de Assad, as restrições dos EUA ao sistema financeiro continuam travando qualquer perspectiva de progresso econômico. Washington sinalizou que poderia amenizar as sanções se o governo sírio enfrentasse grupos jihadistas, mas, até agora, não houve avanços significativos nesse sentido.

Pinheiro também comentou os recentes massacres de civis alauítas, apontando que não houve conivência do governo, mas sim uma subestimação da gravidade dos conflitos. Segundo ele, a dissolução das Forças Armadas do regime anterior levou à formação de milícias e grupos armados descontentes, alguns dos quais retaliaram comunidades específicas. O resultado foi um cenário de terror que levou cerca de 20 mil alauítas a buscar refúgio no Líbano.

O governo sírio criou um comitê para investigar os massacres. Segundo o presidente da Comissão da ONU, a equipe é formada por juízes e advogados que não pertencem ao atual governo, e demonstraram compromisso com uma apuração independente. No entanto, Pinheiro destaca que só será possível avaliar a seriedade do comitê após a divulgação do relatório final e da resposta governamental às recomendações.

Organizações civis e de direitos humanos que atuam na Síria relatam que agora operam com mais liberdade, sem vigilância constante por parte do Estado. Apesar da instabilidade, essas entidades reconhecem que não há “plano B”: o sucesso da atual administração é visto como essencial para evitar um colapso ainda maior.

O governo promete realizar eleições dentro de cinco anos, mas o cenário atual não favorece a realização de um processo democrático. Com mais de 13 milhões de sírios deslocados, entre refugiados e pessoas que perderam suas casas, além de registros civis destruídos, a organização de eleições livres e justas parece, por ora, inviável.

A liderança do novo governo, no entanto, levanta preocupações. O atual presidente, Ahmed al-Sharaa (também conhecido como al-Jolani), tem origem jihadista e passou por organizações como Al-Qaeda e o Estado Islâmico. Para Pinheiro, a comunidade internacional deve permanecer atenta e vigilante. “O fim de uma ditadura não significa automaticamente o início de uma democracia. Estamos diante de um processo de transição que será, como muitos outros, aos trancos e barrancos”, concluiu.

Edição JP – Com informações Agência Brasil – Imagem: Ocha/Ali Haj Suleiman

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Cresce violência entre comunidades sírias https://jogodopoder.com.br/cresce-violencia-entre-comunidades-sirias/ Tue, 11 Mar 2025 14:37:13 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=1267 Uma onda de violência na Síria deixou milhares de civis mortos nos últimos dias. O enviado especial da ONU para o país, Geir Pedersen, informou os membros do Conselho de Segurança sobre a situação, em reunião de emergência a portas fechadas.

De acordo com agências de notícias, a violência que começou em em áreas costeiras no noroeste do país atingiu as cidades de Damasco e Aleppo na segunda-feira.

Assassinatos em bairros alauitas

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou a preocupação com a escalada das tensões entre as comunidades na Síria.

Em mensagem transmitida pelo porta-voz, Stephane Dujarric, o líder das Nações Unidas afirmou que todas as partes devem proteger os civis e se abster de “retóricas e as ações inflamatórias”, após 14 anos de guerra no país e “cinco décadas de um governo autoritário”.

Relatos divulgados por agências de notícias informam que grande parte dos assassinatos ocorreu em bairros alauitas nas províncias costeiras de Latakia e Tartus, o reduto tradicional de apoio ao regime do ex-presidente Bashar Al-Assad.

Os alauítas constituem cerca de 10% da população síria e estão vinculados a uma vertente do islamismo xiita.

Investigações “rápidas, transparentes e imparciais”

O alto comissário da ONU de Direitos Humanos, Volker Turk, emitiu nota afirmando que recebeu relatos “extremamente perturbadores” de famílias inteiras, incluindo mulheres, crianças e ex-combatentes, sendo mortas.

Os relatos envolvem execuções sumárias por membros das forças de segurança das autoridades interinas, bem como por elementos associados ao antigo governo.

Turk pediu investigações “rápidas, transparentes e imparciais” sobre todos os assassinatos e outras violações, de modo que os autores sejam responsabilizados dentro das normas do direito internacional.

Pelo menos 13 crianças mortas

O diretor regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, para o Oriente Médio e Norte da África, declarou estar “profundamente alarmado” com o recente aumento da violência, que supostamente custou a vida de pelo menos 13 crianças, incluindo um bebê de seis meses.

Edouard Beigbeder pediu que todas as medidas viáveis sejam tomadas para proteger os civis, especialmente as crianças, bem como infraestruturas essenciais, como hospitais.

O representante do Unicef apela a todas as partes para que priorizem a reconciliação e se comprometam com uma transição política pacífica, garantindo que as crianças da Síria possam sobreviver, prosperar e atingir todo o seu potencial.

O secretário-geral tomou nota do anúncio feito pelas autoridades interinas de um comitê investigativo, bem como de um comitê para a preservação da paz civil. Guterres ressaltou a importância e urgência de processos de justiça transicional e reconciliação inclusivos e transparentes para uma paz sustentável na Síria.

Fonte: ONU News – Imagem: Ocha/Ali Haj Suleiman

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