guerra comercial – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Wed, 16 Apr 2025 16:57:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png guerra comercial – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Xi Jinping visita a Malásia em meio à intensificação da guerra comercial entre China e EUA https://jogodopoder.com.br/xi-jinping-visita-a-malasia-em-meio-a-intensificacao-da-guerra-comercial-entre-china-e-eua/ Wed, 16 Apr 2025 16:57:13 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2861 O presidente da China, Xi Jinping, chegou à Malásia nesta terça-feira (15), dando continuidade à sua viagem por países do sudeste asiático. A visita ocorre em meio à crescente tensão comercial entre Pequim e Washington, e tem como objetivo reforçar os laços regionais e apresentar a China como uma alternativa confiável aos Estados Unidos.

Xi foi recebido pelo primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, no aeroporto de Kuala Lumpur. Em um artigo publicado no jornal local The Star, o líder chinês afirmou que a China está comprometida em trabalhar com a Malásia para enfrentar as pressões do confronto geopolítico, além de resistir ao unilateralismo e ao protecionismo.

Durante sua passagem pela Malásia, Xi participará de um banquete de Estado nesta quarta-feira (16) e se reunirá com Anwar na capital administrativa, Putrajaya. Estão previstas a assinatura de diversos acordos bilaterais, conforme anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Malásia. A visita se estende até quinta-feira (17), quando Xi seguirá para o Camboja — país considerado um parceiro estratégico e leal de Pequim na região.

A viagem é vista pelo governo chinês como uma iniciativa diplomática de grande importância, especialmente diante da ofensiva comercial promovida pelos Estados Unidos sob a liderança do ex-presidente Donald Trump. As tarifas impostas por Washington à China — que chegam a 145% — foram respondidas por Pequim com medidas semelhantes, que atingem 125%. O Vietnã, que também integra o roteiro de Xi e é outro polo industrial da região, foi alvo de tarifas de até 46%, atualmente suspensas.

Ainda no Vietnã, Xi Jinping e autoridades locais assinaram 45 acordos de cooperação. Em pronunciamento na segunda-feira (14), o presidente chinês criticou o protecionismo e defendeu a estabilidade das cadeias globais de produção e abastecimento, apelando para uma resistência conjunta contra a intimidação econômica.

O Vietnã, por sua vez, mantém uma política de “diplomacia do bambu” — flexível, porém firme —, buscando equilibrar suas relações tanto com a China quanto com os Estados Unidos, seu principal parceiro comercial.

Apesar das tarifas e tensões, autoridades chinesas minimizaram os impactos sobre a economia do país. Segundo Lyu Daliang, porta-voz da administração alfandegária da China, o país tem ampliado seus mercados e fortalecido seu consumo interno. “O céu não vai cair para as exportações chinesas”, afirmou em entrevista à agência estatal Xinhua. Ele também destacou que o vasto mercado interno da China oferece uma base sólida para enfrentar as flutuações do cenário global.

A visita de Xi Jinping ao sudeste asiático marca mais um capítulo da disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo e evidencia o esforço da China em fortalecer alianças regionais como forma de reduzir sua dependência dos mercados ocidentais.

Edição Redação JP – Imagem: X

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Guerra comercial entre China e EUA escala novamente com tarifas recordes de até 145% https://jogodopoder.com.br/guerra-comercial-entre-china-e-eua-escala-novamente-com-tarifas-recordes-de-ate-145/ Fri, 11 Apr 2025 18:47:42 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2685 Em mais um episódio tenso da guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta, a China anunciou na manhã desta sexta-feira (11), pelo horário de Brasília, que vai aumentar suas tarifas sobre produtos americanos de 84% para impressionantes 125%. A nova taxação entra em vigor já neste sábado (12), informou a Embaixada da China nos EUA, em comunicado oficial.

A resposta chinesa não surpreende. Trata-se de uma retaliação direta às medidas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que tem usado a tarifa como uma espécie de arma diplomática — ou, para muitos, como instrumento de intimidação.

Na quinta-feira (10), os EUA já haviam elevado suas tarifas sobre produtos chineses para o patamar surreal de 145%, somando as novas taxações de 125% às tarifas anteriores de 20%. Segundo Trump, essa escalada serve para forçar a China a negociar “de forma justa”. Na prática, parece mais uma cartada arriscada de um presidente que prefere o confronto à diplomacia.

A reação da China foi imediata. Em nota contundente, o Ministério das Finanças chinês acusou os EUA de violar as regras básicas do comércio internacional e agir de forma unilateral, coercitiva e irresponsável. O país também levou o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), protocolando uma nova queixa contra as tarifas americanas.

A cronologia do caos

A escalada atual teve início há pouco mais de uma semana. No dia 2 de abril, Trump apresentou uma nova tabela de tarifas que afeta mais de 180 países — com alíquotas variando entre 10% e 50%. A China, claro, foi um dos principais alvos, com uma tarifa específica de 34%, que se somou aos 20% que já incidiam sobre seus produtos.

Como era de se esperar, Pequim reagiu. No dia 4, anunciou tarifas extras de 34% sobre todos os produtos vindos dos EUA. Trump respondeu com mais ameaças: ou a China recuava até a terça-feira (8), ou seria taxada com mais 50 pontos percentuais. Pequim não recuou, e a retaliação americana foi colocada em prática.

A partir daí, virou uma troca de socos tarifários: China eleva para 84%, Trump eleva para 145%, China responde com 125%. E, no meio disso tudo, os mercados globais assistem, apreensivos, a um conflito que já ultrapassou a esfera econômica e se transformou em um verdadeiro embate político e ideológico.

Pausa seletiva

Curiosamente — ou convenientemente — Trump anunciou uma “pausa” de 90 dias nas tarifas contra os demais 180 países afetados, reduzindo-as para 10%. Mas a China, é claro, foi deixada de fora da trégua. Segundo ele, a medida visa dar espaço para negociações com países que “não retaliaram os EUA”, sugerindo que o bom comportamento será recompensado. Um gesto mais simbólico do que efetivo, e que pode facilmente ser interpretado como chantagem comercial.

A retórica de Trump

Em nota oficial, Trump justificou suas ações com o argumento de que a China desrespeita o mercado global e explora os EUA há décadas. No melhor estilo populista, afirmou que “os dias de exploração acabaram” e que sua administração não aceitará mais práticas desleais. Ao mesmo tempo, tenta vender a ideia de que os EUA estão abertos ao diálogo — mas apenas com quem seguir suas regras.

O que está em jogo

Por trás dessa disputa está muito mais do que tarifas. Trata-se de uma luta por hegemonia global, domínio tecnológico, e controle de cadeias produtivas estratégicas. As tarifas são apenas a superfície de uma disputa muito mais complexa, onde ambos os lados jogam pesado — e o mundo inteiro paga o preço.

Produção e Edição Damatta Lucas – Imagem: Freepik

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Entenda: tarifaço de Trump é capaz de reindustrializar Estados Unidos? https://jogodopoder.com.br/entenda-tarifaco-de-trump-e-capaz-de-reindustrializar-estados-unidos/ Thu, 10 Apr 2025 17:50:12 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2638 A guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos (EUA) por meio do tarifaço contra todos os parceiros comerciais é capaz de reindustrializar o país norte-americano, como promete Donald Trump? 

Para especialistas em economia política e desenvolvimento econômico consultados pela Agência Brasil, é improvável que a política de tarifas de Trump possa reverter um processo que começou na década de 1970. Por outro lado, apontam que alguns objetivos de Trump podem ser alcançados devido ao controle que Washington ainda exerce sobre a economia do planeta.

O professor de sociologia econômica e economia política Edemilson Paraná, da LUT University da Finlândia, avalia que a sociedade norte-americana não tem coesão política e ideológica, nem coordenação estatal suficiente para reindustrializar o país.

Brasília (DF), 09/04/2025 - O professor de sociologia econômica Edemilson Paraná, da LUT University da Finlândia. Foto: LUT University/Divulgação

Edemilson Paraná aponta falta de unidade política e ideológica e coordenação estatal insuficiente para reindustrialização – LUT University/Divulgação

“O governo Trump não tem um programa de investimentos em infraestrutura, não tem política industrial coordenada, não tem política racional para os preços macroeconômicos, taxa de juros, câmbio, não tem política fiscal consequente, e você não tem regulações bem articuladas com isso tudo. Uma industrialização precisa de alta mobilização social e esforço político brutal. Não por acaso, muitas vezes, os processos de industrialização são feitos no contexto de unificação, de guerra e de ditadura”, explicou.

Edemilson afirma que a desindustrialização dos EUA foi consequência das políticas neoliberais do republicano Ronald Reagan de desregulamentação dos mercados, avanço da globalização e financeirização da economia, políticas essas aprofundadas pelos demais presidentes.

Entre 2001 e 2023, a produção industrial dos EUA caiu de 28,4% para 17,4% da produção industrial global, segundo dados da Casa Branca.

O especialista em sociologia econômica destaca que a intervenção do Estado é fundamental para qualquer industrialização, mas diz que a contradição ideológica interna do governo com setores ultraliberais limita a capacidade do Estado de coordenar esse processo. “É muita contradição. Como é que você vai fazer isso com Elon Musk [bilionário e chefe do Departamento de Eficiência Governamental dos Estados Unidos], falando que tem que privatizar o Estado?”, questionou Paraná.

Imprevisibilidade

O professor associado de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Pedro Paulo Zaluth Bastos disse que não está certo de que as tarifas vão se manter no médio ou longo prazo, o que inibe decisões empresariais.

Brasília (DF), 09/04/2025 - Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor do Instituto de Economia da Unicamp. Foto: Antoninho Perri/SEC Unicamp

O professor Pedro Paulo Bastos vê possibilidade de efeito inflacionário de curto prazo com tarifaço de Donald Trump – Foto: Antoninho Perri/SEC Unicamp

 

“As decisões de investimento precisam de um horizonte muito mais amplo de estabilidade, de previsão, e é muito pouco provável que essas decisões sejam tomadas em função dessa grande imprevisibilidade da política dos EUA”, afirmou.

Bastos avalia que as tarifas terão um efeito inflacionário de curto prazo que pode corroer o apoio político de Trump, trazendo de volta os democratas ao poder no Parlamento, nas eleições de novembro de 2026.

“Ele está taxando produtos que os Estados Unidos não têm sequer capacidade de produzir internamente, como o café, o abacate, frutas e legumes. O país importa 60% das frutas e 40% dos legumes. As roupas também não vão ser substituídas em curto prazo porque os EUA perderam a indústria têxtil”, destacou Pedro Paulo.

Para Bastos, ainda que a política das tarifas se mantenha no longo prazo, o efeito de reindustrializar os EUA vai ser relativamente limitado. Talvez setores intensivos em capital, como e de automóveis e alumínio, tenham alguma reindustrialização, disse o professores. Nos setores de semicondutores [chips], porém, vai ser complicado por causa da mão de obra insuficiente nos EUA. “Na China, tem muitos mais engenheiros do que nos EUA. Para formar um conjunto grande de engenheiros, vai levar uns seis anos. Não é de uma hora para outra”, ponderou.

No mês passado, Trump esvaziou o Departamento de Educação e tem promovido demissões em massa de funcionários públicos.

O professor da Unicamp cita ainda obstáculos para reindustrialização de produtos baratos, como os da indústria têxtil. “Os imigrantes estão sendo expulsos. Isso vai aumentar o preço da mão de obra. E o trabalhador branco não quer trabalhar em indústria têxtil”, disse.

Não é estúpido

O professor Edemison Paraná pondera, por outro lado, que a estratégia de Trump “não é completamente estúpida” e que eles esperam conquistar alguns objetivos com o tarifaço.

“As pessoas não são tão burras assim no governo dele. A ideia é que essas tarifas forcem os países a sentarem-se à mesa para negociar país a país. Ele está usando o poder enorme de vantagem dos EUA, do mercado americano, que todo mundo quer acessar, e do poder do dólar, para dobrar os países a fazerem o que ele quer”, analisou.

De acordo com o professor, Trump calcula que ganha de toda forma porque, se o país não aceitar suas demandas, ele vai arrecadar recursos com as tarifas. “A tarifa tem um efeito fiscal na cabeça do Trump. Ele abaixa o imposto para empresas e corporações, de um lado, e arrecada com tarifas, do outro lado. Equilibra-se o déficit fiscal”, afirmou.

Edemilson destacou ainda que é muito alta uma tarifa de 30%, ou até mais, para acessar o mercado americano. “É muita coisa. Às vezes, compensa abrir uma fábrica nos EUA.”

Energia e inflação

Trump espera impulsionar a reindustrialização ainda por meio da redução do valor da energia com a expansão da produção de combustíveis fósseis, que causam o aquecimento da Terra, além da redução de impostos de empresas, como ocorreu no primeiro mandato do republicano, diz Pedro Paulo Bastos, da Unicamp.

“Isso não significa que elas [empresas] vão investir. Se as empresas tiverem mais lucros com redução de impostos, podem simplesmente aumentar a distribuição de dividendos. Para investir, é preciso previsibilidade de longo prazo e crescimento da demanda. No momento de recessão, não vai ter ninguém investindo”, destacou.

Sobre a inflação causada pelas tarifas, Edemilson Paraná diz que o governo norte-americano espera reverter isso com crescimento industrial. “Eles estão dizendo: olha, vai atrair investimento, vai gerar emprego, vai gerar produção, vai gerar demanda, e isso vai segurar a lógica dos preços porque é um choque momentâneo que vai se pagar no médio e longo prazos”, analisou.

Dólar

Outro objetivo da política de Trump para reindustrializar os Estados Unidos é desvalorizar o dólar frente a outras moedas para tornar as exportações do país mais baratas e, por isso, mais competitivas. Para o professor Pedro Paulo Bastos, no entanto, será muito difícil para os EUA executarem uma política que, de fato, reduza o valor do dólar de forma permanente e sustentada para favorecer suas exportações.

“A desvalorização do dólar prejudica os interesses de Wall Street, que poderia deixar de ser o centro do sistema financeiro internacional. Trump não é uma pessoa contrária aos banqueiros. Pelo contrário, ele é muito próximo desse pessoal”, avaliou.

Já o professor Edemilson Paraná explicou que, como o dólar é a moeda padrão do comércio internacional e usada para acumular riqueza, ela dá enorme poder aos EUA, mas, ao mesmo tempo, traz prejuízos para exportações do país.

“Com isso, o mercado consumidor dos Estados Unidos fica enorme. É uma máquina de consumir o mundo. Afinal, consome-se tudo, inclusive a poupança global que flui para os EUA. Estava tudo indo muito bem com esse arranjo, até que a China começou a aumentar suas competências e capacidades em todos os setores de tecnologia de ponta”, afirmou.

Para Paraná, uma coisa é dominar as finanças e a tecnologia, e os outros países produzirem bens materiais; “outra coisa é perder o monopólio sobre essas tecnologias. Isso ameaça o poder econômico dos EUA”.

China

Edemilson Paraná diz que faltam aos EUA a unidade e a capacidade de gestão do Estado chinês, mais estável e previsível e com capacidade ampla de coordenar inúmeras políticas, o que explica o sucesso da industrialização do gigante asiático.

“A China consegue fazer o que os Estados Unidos não vão conseguir. Os Estados Unidos acharam que iam continuar para sempre tendo a China como um sócio menor, que ela seria apenas produtora de bugigangas. Porém, os chineses foram se utilizando dessa posição para ir subindo nas cadeias globais de valor.”

Edemilson pondera que o Estado chinês tem um elevado grau de integração da política industrial, fiscal, macroeconômica, mantendo certo controle sobre as principais variáveis dos preços macroeconômicos, como salários, juros, renda da terra e câmbio, que não é totalmente flutuante na China, mas administrado para justamente privilegiar as exportações.

“O plano de Trump não considera que a economia contemporânea é mais complexa, de um lado, e de outro, que os Estados Unidos já passaram por um processo de desindustrialização de 40 anos. Na década de 70, um a cada cinco empregos americanos eram industriais. Hoje é um em doze”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcello Casal Jr.

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China eleva tarifas contra EUA a 84% e intensifica guerra comercial https://jogodopoder.com.br/china-eleva-tarifas-contra-eua-a-84-e-intensifica-guerra-comercial/ Wed, 09 Apr 2025 16:45:56 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2599 O Ministério das Finanças da China anunciou, nesta quarta-feira (9), o aumento das tarifas de importação de produtos dos Estados Unidos (EUA) de 34% para 84%, intensificando a guerra comercial iniciada por Washington. A nova taxa passa a valer a partir desta quinta-feira (10).

A medida foi tomada depois que o presidente Donald Trump elevou para 104% as tarifas de importação de produtos chineses após a China retaliar a tarifa dos EUA de 34% imposta no último dia 2 de abril.

Erros em série

“A decisão dos EUA de aumentar as tarifas sobre a China é um erro atrás do outro. Ela infringe seriamente os direitos e interesses legítimos da China, prejudica seriamente o sistema de comércio multilateral baseado em regras e tem um impacto severo na estabilidade da ordem econômica global. É um exemplo típico de unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica”, afirmou, em nota, o Ministério de Finanças chinês.

Pequim pede que os EUA retirem as tarifas impostas contra o país asiático.

“A China pede que os EUA corrijam imediatamente suas práticas erradas, cancelem todas as medidas tarifárias unilaterais contra a China e resolvam adequadamente as diferenças com a China por meio de um diálogo igualitário com base no respeito mútuo”, completou o governo chinês.

Guerra de tarifas

Enquanto a maior parte das bolsas de valores do mundo segue operando em baixa em razão da guerra de tarifas iniciada por Trump, as bolsas chinesas operaram em alta nesta quarta-feira (9).

Para analistas consultados pela Agência Brasil, o tarifaço de Trump é uma tentativa de reverter a desindustrialização dos EUA, que viu sua economia perder competitividade para os mercados da Ásia nas últimas décadas. Porém, diversos economistas são céticos de que as medidas de Washington possam ter o efeito desejado e esperam o aumento da inflação dentro dos EUA.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Valter Campanato

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Tarifaço de Trump: Lula acende alerta sobre protecionismo e clama por equilíbrio global https://jogodopoder.com.br/tarifaco-de-trump-lula-acende-alerta-sobre-protecionismo-e-clama-por-equilibrio-global/ Tue, 08 Apr 2025 21:09:46 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2577 Em um momento em que o mundo vive sob o impacto de decisões econômicas imprevisíveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu espaço no 100º Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), em São Paulo, para soltar o verbo. Sem meias palavras, Lula apontou o dedo para o novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse, com todas as letras: “não vai dar certo”.

A crítica de Lula vai além da política externa. Ela é, na verdade, um alerta. Um chamado ao bom senso em tempos de protecionismo crescente e lideranças que parecem cada vez mais inclinadas a agir sozinhas, ignorando as complexidades de um mundo globalizado. E Lula, que já viu esse filme antes, sabe onde isso pode acabar.

“Ninguém pega um transatlântico carregado e faz as coisas que estão acontecendo”, disparou o presidente brasileiro, em referência às ações de Trump.

A metáfora é certeira. O transatlântico é o mundo — pesado, complexo, interligado. E tentar dar um “cavalo de pau” nesse cenário, como Lula descreveu, pode causar não só ondas, mas tsunamis geopolíticos e econômicos.

Na semana passada, Trump surpreendeu o planeta ao anunciar uma bateria de tarifas contra países como Brasil, China, membros da União Europeia e Japão. A medida, que despertou críticas até de aliados improváveis como Elon Musk, parece mais uma cartada impulsiva do que uma estratégia consolidada. Resultado: a resposta veio à altura. A China não apenas retaliou com uma tarifa de 34%, como provocou nova ameaça dos EUA — desta vez, com um imposto de 50% se Pequim não recuar até hoje à tarde.

Guerra de tarifas ou guerra de egos?

O que está em jogo não é apenas uma guerra tarifária — é uma disputa de narrativas, de hegemonias e, sobretudo, de egos. Trump, ao insistir na via do confronto, tenta se posicionar como o xerife da economia mundial. Mas esquece que, no tabuleiro global, os outros jogadores não são meros figurantes. E a reação internacional, com a União Europeia e a China assumindo uma postura firme, mostra que o jogo é mais complexo do que o republicano talvez imagine.

Lula, por sua vez, traz uma voz de moderação e realismo. Defensor do multilateralismo e do diálogo entre as nações, o presidente brasileiro propõe um caminho que parece óbvio, mas que muitos líderes têm ignorado: o da cooperação.

“A coisa mais importante hoje é o multilateralismo”, reforçou Lula. “É preciso combater o protecionismo.”

Brasil entre gigantes

Para o Brasil, o cenário exige mais do que posicionamento: exige estratégia. O país não pode se dar ao luxo de seguir o fluxo de impulsos internacionais. Precisa manter o equilíbrio, como Lula bem frisou, e tomar decisões com base na sua realidade.

Em um mundo onde o inesperado virou rotina, o discurso de Lula soa como um raro respiro racional. Enquanto Trump aposta na força bruta das tarifas, o presidente brasileiro propõe o diálogo como arma de reconstrução. E em tempos tão polarizados, talvez seja essa a única saída viável.

Porque o multilateralismo pode até não ser manchete de jornal como um tarifaço, mas é ele que sustenta os pilares do comércio, da paz e do progresso compartilhado.

Redação Damata Lucas – Imagem: Ricardo Stuckert

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EUA confirmam tarifas de 104% contra a China; medida entra em vigor nesta quarta-feira (9) https://jogodopoder.com.br/eua-confirmam-tarifas-de-104-contra-a-china-medida-entra-em-vigor-nesta-quarta-feira-9/ Tue, 08 Apr 2025 17:12:59 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2552 Washington, D.C. – 8 de abril de 2025
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou na tarde desta terça-feira (8), em entrevista à Fox Business, que os Estados Unidos aplicarão tarifas de 104% sobre produtos chineses a partir desta quarta-feira (9). A decisão foi confirmada após o fim do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump para que Pequim recuasse de suas medidas de retaliação econômica.

O anúncio intensifica ainda mais a tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo. Trump havia dado até as 13h (horário de Washington) desta terça-feira para que a China voltasse atrás em sua postura retaliatória. No entanto, segundo o governo americano, não houve qualquer contato formal por parte dos chineses dentro do prazo.

Mais cedo, o presidente Trump utilizou sua rede social Truth Social para afirmar que estava aguardando uma ligação de Pequim para discutir uma possível resolução diplomática. “Estou esperando que a China ligue. Queremos um acordo justo, mas não hesitaremos em proteger os trabalhadores e produtores americanos”, escreveu.

Durante a madrugada, o governo chinês divulgou uma nota oficial reiterando que não voltará atrás nas suas medidas de retaliação. Segundo o comunicado, a China está preparada para continuar respondendo proporcionalmente aos aumentos tarifários impostos pelos Estados Unidos, ainda que reconheça os prejuízos mútuos causados por uma escalada comercial. “Em uma guerra comercial, não há vencedores”, destacou o documento do Ministério do Comércio chinês.

As tarifas de 104% atingirão um amplo leque de produtos chineses, especialmente nas áreas de tecnologia, automóveis elétricos e componentes industriais. A medida é parte de uma política econômica mais agressiva adotada por Trump desde sua volta ao poder, com o objetivo declarado de proteger a indústria norte-americana de práticas comerciais desleais.

Analistas alertam que a decisão pode agravar a instabilidade nos mercados globais, afetando cadeias de suprimento e pressionando os preços em diversos setores. Apesar das críticas internacionais, o governo Trump mantém o discurso de que a imposição das tarifas é essencial para reequilibrar a balança comercial entre os dois países.

Ainda não há previsão de novos encontros diplomáticos entre Washington e Pequim, mas fontes da Casa Branca indicam que o canal de comunicação segue aberto. A comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos da disputa, que pode ter reflexos significativos na economia global ao longo dos próximos meses.

Edição JP – Imagem: Unsplash

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Trump aumenta tensão com China e ameaça novas tarifas em meio ao colapso das bolsas https://jogodopoder.com.br/trump-aumenta-tensao-com-china-e-ameaca-novas-tarifas-em-meio-ao-colapso-das-bolsas/ Mon, 07 Apr 2025 16:55:03 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2531 Em meio ao derretimento das bolsas de valores ao redor do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a escalar a guerra comercial com a China. Nesta segunda-feira (7), ele deu um prazo de 24 horas para Pequim retirar a tarifa de 34% imposta a produtos norte-americanos — uma retaliação direta às medidas adotadas anteriormente por Washington.

“Se a China não retirar seu aumento de 34% acima de seus abusos comerciais de longo prazo até amanhã, 8 de abril de 2025, os Estados Unidos imporão tarifas adicionais de 50%, com efeito em 9 de abril”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.

Risco de rompimento com a China

Trump ainda ameaçou romper relações diplomáticas e comerciais com Pequim caso a exigência não seja atendida.

“Além disso, todas as negociações com a China sobre as reuniões solicitadas conosco serão encerradas”, afirmou o presidente.

A resposta chinesa veio poucas horas depois. Em nota oficial, o governo declarou que “pressionar ou ameaçar a China não é a maneira correta de dialogar conosco”.

Bolsas em queda global

Os mercados reagiram negativamente à escalada das tensões. Em Nova York, os principais índices operaram em forte baixa:

  • NYSE Composite: -2,59%

  • S&P 500: -0,81%

  • Dow Jones: -1,65%

  • Nasdaq: -0,75%

Na Ásia, o tombo foi ainda mais acentuado. O índice Hang Seng, de Hong Kong, despencou 13,22%, enquanto o Shanghai Composite caiu 7,34% — os piores resultados desde a crise asiática de 1997.

No Brasil, o Ibovespa chegou a abrir em alta de 0,22%, mas acumula queda de 2,59% desde a última quinta-feira (3). Embora o país seja menos afetado diretamente pelas tarifas, o clima de incerteza global aumenta a cautela dos investidores.

Big Techs e Musk em queda livre

Entre os mais prejudicados pela crise estão os bilionários Elon Musk e Jeff Bezos, tradicionalmente apoiadores de Trump.

A Tesla, ligada ao secretário de “eficiência governamental” do governo Trump, caiu 5,8% nesta segunda, após recuar 10,42% na sexta. Desde seu pico histórico, a empresa já perdeu mais de 50% em valor de mercado. Musk viu sua fortuna encolher US$ 110 bilhões desde o início do mandato de Trump.

A Amazon teve queda de 2,32% no pós-mercado, somando-se ao recuo de 4% na última sexta-feira. A empresa divulgou previsões de crescimento modesto para o trimestre, e Bezos já perdeu US$ 15,95 bilhões em 2025.

Trump reage com insultos e neologismos

Sob pressão, Trump intensificou suas publicações na Truth Social. Em tom agressivo, criticou os próprios norte-americanos, chamando-os de “fracos” e “estúpidos”.

“Não seja um PANICANO (um novo partido baseado em pessoas fracas e estúpidas!). Seja forte, corajoso e paciente, e GRANDEZA será o resultado.”

A declaração lembra a fala do ex-presidente Jair Bolsonaro, que em 2020 chamou o povo brasileiro de “maricas” durante a pandemia da Covid-19.

Inflação, Fed e críticas

Trump também minimizou os temores de inflação provocados pelas tarifas e atacou o Federal Reserve, que manteve os juros básicos entre 4,25% e 4,5%.

“Os preços do petróleo estão baixos, as taxas de juros estão baixas, os preços dos alimentos estão baixos, NÃO HÁ INFLAÇÃO”, disse.

Ele voltou a classificar a China como “o maior abusador de todos” e afirmou que os EUA estão agora “trazendo bilhões de dólares por semana em tarifas”.

Alvo: Japão e outros parceiros

Em outra publicação, Trump revelou que conversou com o primeiro-ministro japonês e que uma equipe de negociação será enviada aos EUA.

“Eles trataram os EUA muito mal no comércio. Eles não pegam nossos carros, mas nós pegamos MILHÕES deles.”

Segundo o presidente, o novo momento exige mudanças estruturais nos acordos internacionais, especialmente com a China.

Edição JP – Com informações da Imprensa Nacional e Internacional – Imagem: Casa Branca/Reprodução

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China retalia EUA com tarifas de 34% e restrição a minerais raros https://jogodopoder.com.br/china-retalia-eua-com-tarifas-de-34-e-restricao-a-minerais-raros/ Fri, 04 Apr 2025 17:46:29 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2386 A China anunciou nesta sexta-feira (4) que vai impor tarifas de 34% sobre os produtos dos Estados Unidos (EUA) a partir do dia 10 abril, mesmo patamar das taxas impostos nesta semana pelo presidente Donald Trump contra as importações chinesas.

Além disso, o governo chinês anunciou restrições para exportação de minerais raros, conhecidos como terras raras, e proibiu a exportação de itens de “dupla utilização”, civil e militar, para 16 empresas estadunidenses, medidas vistas também como retaliação ao tarifaço de Trump.

O anúncio chinês ocorre dois dias após os EUA impor tarifas de 34% sobre todas as importações chineses, agravando a guerra comercial iniciada pelo país norte-americano.

Após anunciar a taxação de 34%, a Comissão Tarifária do Conselho de Estado da China pede ainda que os EUA “cancelem imediatamente suas medidas tarifárias unilaterais e resolvam as diferenças comerciais por meio de consultas de maneira igualitária, respeitosa e mutuamente benéfica”.

O governo chinês argumenta que a prática dos EUA não está de acordo com as regras do comércio internacional e prejudica os interesses da China.

“É uma prática típica de intimidação unilateral que não apenas prejudica os próprios interesses dos EUA, mas também coloca em risco o desenvolvimento econômico global e a estabilidade da cadeia de produção e fornecimento”, acrescentou.

Ainda nesta sexta-feira (4), o Ministério do Comércio da China anunciou restrições para certos itens relacionados a minerais raros, conhecidos como terras raras, de valor estratégico para indústrias de alta tecnologia.

“As medidas, que entram em vigor imediatamente, visam proteger melhor a segurança e os interesses nacionais e cumprir a não proliferação e outras obrigações internacionais”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio, segundo agência de notícias chinesa Xinhua.

A terceira medida anunciada proibiu exportações para 16 entidades dos EUA de materiais que possam ser usado nos setores civis e militares “para salvaguardar a segurança e os interesses nacionais”.

Paulada

As medidas são uma dura resposta de Pequim à Washington capazes de prejudicar a base política e eleitoral de sustentação de Trump, na avaliação do especialista em China e o professor de Economia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Elias Jabbour.

“É uma paulada. Até então, a China vinha respondendo de forma pontual. Esse novo tarifaço tem capacidade muito grande de mexer com os interesses das empresas americanas que operam na China. Quase todas elas operam na China e dependem do mercado chinês para ter lucro”, afirmou.

Jabbour acrescentou que o tarifaço deve provocar pressão inflacionária, “algo que o Trump não tem muita capacidade de controlar no curto prazo”.

O economista lembrou ainda que os estadunidenses dependem dos minerais de terras raras, que são usados para fazer chips e outros equipamentos de alta tecnologia.

“A China exporta muitas terras raras para os Estados Unidos. Então, tem esse impacto. Por isso que o Trump quer a Ucrânia, a Groelândia”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Freepik

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Lula estuda, junto ao setor privado, como enfrentar taxa do aço de Trump, e descarta retaliar https://jogodopoder.com.br/lula-estuda-junto-ao-setor-privado-como-enfrentar-taxa-do-aco-de-trump-e-descarta-retaliar/ Wed, 12 Mar 2025 20:58:05 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=1344 O Governo brasileiro lamentou e criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de elevar para 25% as tarifas sobre o aço e o alumínio que importarem do Brasil. Em nota, os ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) classificam como “injustificável e equivocada” a imposição de barreiras unilaterais pelos Estados Unidos ao comércio entre os dois países.

Tanto a nota quanto declarações dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Casa Civil, Rui Costa, afirmam que o Governo Federal vai buscar alternativas em diálogo com o setor privado e que nenhuma reação alfandegária será tomada antes de negociação com o governo dos Estados Unidos,

O documento assinado pelo MRE e pelo MDIC ressalta que o Governo Federal vai buscar alternativas negociadas, junto com o setor privado nacional, para neutralizar ou minimizar os impactos da medida adotada pelo governo estadunidense. A nota ainda preocupação com as empresas e os trabalhadores brasileiros e que a medida contradiz o histórico de cooperação e integração econômica entre os dois países. Os Estados Unidos têm superávit comercial de longa data com o Brasil,  observa a nota – foram US$ 7 bilhões, somente em bens no ano passado.

De acordo com os efeitos concretos da taxação estadunidense nas exportações brasileiras, o Governo Federal buscará apoio do setor privado na defesa dos interesses dos produtores nacionais. E informa já ter reuniões previstas para as próximas semanas para discutir todas possibilidades de ações com vistas a neutralizar os impactos das medidas. A Organização Mundial do Comércio também será acionada.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista concedida após reunião com representantes da indústria do aço, também nesta quarta-feira, afirmou que a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de negociar, e não retaliar, em um primeiro momento, a taxação de 25% sobre o aço e o alumínio imposta pelos Estados Unidos e que afetam as exportações da indústria nacional.

“O presidente Lula falou ‘muita calma nessa hora’. Já negociamos outras vezes em condições até muito mais desfavoráveis do que essa”, disse o ministro a jornalistas após reunião com representantes do setor da indústria do aço brasileira, que apresentou um relatório com argumentos para a negociação.

Já o ministro Rui Costa, também em declaração a jornalistas, disse que o vice-presidente e titular do MDIC, Geraldo Alckmin, tem reunião prevista com representantes do governo dos EUA na próxima sexta-feira. “Eu tenho uma reunião agendada, que o Alckmin está liderando, com o governo americano para tentar chegar ao entendimento. O presidente só tomará alguma posição depois dessa reunião”, disse Rui Costa a jornalistas.

De acordo com Haddad, os empresários “trouxeram argumentos muito consistentes de que [a taxação] não é bom negócio sequer para os norte-americanos”.

O ministro não entrou em mais detalhes sobre as propostas de negociação apresentadas pelo setor do aço, afirmando apenas que o relatório servirá de subsídio para as negociações lideradas pelo Ministério do Desenvolvimento.

“Vamos levar para a consideração do governo americano que há um equivoco de diagnóstico”, disse Haddad, para quem os argumentos apresentados pelas siderúrgicas são “muitos consistentes”.

A taxação de 25% sobre o aço e o alumínio pelos EUA entrou em vigor nesta quarta-feira (12), após ter sido confirmada no dia anterior pelo governo estadounidense. A medida afeta diretamente a exportações brasileiras.

Os EUA são um dos maiores compradores do aço brasileiro. Segundo dados do Instituto Aço Brasil, em 2022, os EUA compraram 49% do total do aço exportado pelo país. Em

Confira nota conjunta MRE/Mdic

O Governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 12 de março, de elevar para 25% as tarifas sobre importações de aço e de alumínio dos EUA provenientes de todos os países e de cancelar todos os arranjos vigentes relativos a quotas de importação desses produtos. Tais medidas terão impacto significativo sobre as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA, que, em 2024, foram da ordem de US$ 3,2 bilhões.

Em defesa das empresas e dos trabalhadores brasileiros e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo brasileiro considera injustificável e equivocada a imposição de barreiras unilaterais que afetam o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos, principalmente pelo histórico de cooperação e integração econômica entre os dois países. Segundo os dados do Governo estadunidense, os EUA mantêm um superávit comercial de longa data com o Brasil, que foi, em 2024, da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens.

No caso do aço, as indústrias do Brasil e dos Estados Unidos mantêm, há décadas, relação de complementaridade mutuamente benéfica. O Brasil é o terceiro maior importador de carvão siderúrgico dos EUA (US$ 1,2 bilhão) e o maior exportador de aço semi-acabado para aquele país (US$ 2,2 bilhões, 60% do total das importações dos EUA), insumo essencial para a própria indústria siderúrgica norte-americana.

À luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras, o governo do Brasil buscará, em coordenação com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos. Em reuniões já previstas para as próximas semanas, avaliará todas as possibilidades de ação no campo do comércio exterior, com vistas a contrarrestar os efeitos nocivos das medidas norte-americanas, bem como defender os legítimos interesses nacionais, inclusive junto à Organização Mundial do Comércio.

Com informações do MRE, MDIC e da Agência Brasil

Fonte: Agência Gov – Imagem: Ricardo Stuckert

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