fraudes no inss – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Thu, 08 May 2025 22:46:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png fraudes no inss – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Ministro da AGU responsabiliza governo Bolsonaro por esquema bilionário de fraudes no INSS e rebate críticas de Nikolas Ferreira https://jogodopoder.com.br/ministro-da-agu-responsabiliza-governo-bolsonaro-por-esquema-bilionario-de-fraudes-no-inss-e-rebate-criticas-de-nikolas-ferreira/ Thu, 08 May 2025 22:20:33 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3748 O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, declarou nesta quinta-feira (8/5) que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi responsável por criar uma “engenharia criminosa” que permitiu fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo Messias, a gestão passada desmontou os principais órgãos de controle e fiscalização que poderiam ter detectado e evitado os descontos ilegais nas aposentadorias e pensões.

Messias fez as declarações durante uma coletiva de imprensa convocada para anunciar o plano de ressarcimento aos aposentados lesados pelo esquema. Ele explicou que, além de prejudicar os beneficiários, as irregularidades colocaram em risco a credibilidade das instituições públicas responsáveis pela proteção social no país.

“Está muito claro que uma tecnologia criminosa, um modelo criminoso, uma engenharia criminosa foi montada pelo governo anterior. Foi montada nos estertores do governo anterior. Nós conseguimos desbaratar esta fraude. Mas eu quero dizer para vocês que também não foi fácil”, afirmou o ministro.

Críticas a Nikolas Ferreira

Sem mencionar nomes diretamente, Messias criticou a postura do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que divulgou um vídeo nas redes sociais denunciando as fraudes no INSS. O vídeo viralizou e ultrapassou a marca de 100 milhões de visualizações, pressionando o governo federal a dar explicações públicas.

“É importante que ele [Nikolas] questione ao presidente que ele apoia por que colocou a empresa pública que dá suporte à produção e à guarda desses bens para vender e desmontou essa empresa. Espero que isso seja apurado”, rebateu Messias. Ele se referia à Dataprev, estatal de tecnologia da informação que esteve na lista de privatizações da gestão Bolsonaro, mas cuja venda não foi concretizada.

O ministro também lembrou que o Congresso, durante o governo Bolsonaro, flexibilizou regras que dificultavam a aplicação de descontos automáticos em benefícios previdenciários, aumentando a vulnerabilidade do sistema. “Espero que ele pergunte ao antigo ministro da Previdência por que não adotou as providências necessárias para investigar, quando já havia denúncias de irregularidades”, disse Messias.

Histórico das fraudes

De acordo com informações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), o esquema de corrupção teve início em 2017, ainda no governo Michel Temer, mas ganhou força e escala a partir de 2019, já sob a administração Bolsonaro. Segundo Messias, das 12 entidades investigadas por envolvimento em práticas ilícitas, a maioria começou a atuar após 2019.

Reação do governo

Além de Messias, outras autoridades do governo saíram em defesa da atual gestão e criticaram as acusações de Nikolas Ferreira. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, e o ministro da CGU, Vinícius Marques de Carvalho, também rebateram o parlamentar e ressaltaram que o governo Lula tem trabalhado para corrigir os problemas herdados.

O plano de ressarcimento apresentado pelo governo prevê a devolução dos valores descontados ilegalmente, além de medidas para reforçar os mecanismos de controle e evitar novas fraudes. Entre as iniciativas, estão a modernização dos sistemas de tecnologia do INSS e da Dataprev, a criação de novos filtros de segurança para identificar práticas suspeitas e o fortalecimento da fiscalização.

Clima político acirrado

O episódio reforça o clima de embate entre o governo Lula e os parlamentares bolsonaristas, que têm usado as redes sociais como principal campo de batalha para desgastar a imagem do governo. O vídeo de Nikolas Ferreira, recheado de críticas ao Executivo, ampliou o debate nas redes e aumentou a pressão política sobre o Palácio do Planalto.

Enquanto isso, o governo tenta reverter o desgaste adotando uma estratégia dupla: ampliar a comunicação direta com a população e acelerar as investigações para identificar e punir os responsáveis pelos desvios.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Valter Campanato

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CPMI do INSS: um risco calculado – ou um tiro no pé da oposição? https://jogodopoder.com.br/cpmi-do-inss-um-risco-calculado-ou-um-tiro-no-pe-da-oposicao/ Thu, 01 May 2025 14:09:15 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3497 A oposição ao governo Lula parece estar entusiasmada com a possibilidade de instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar a fraude bilionária no INSS. O alvo é claro: desgastar ainda mais um governo que já enfrenta dificuldades, com uma aprovação que oscila perigosamente entre o positivo e o negativo, conforme apontam pesquisas recentes. No entanto, será que a oposição calculou bem esse movimento? Ou estaria prestes a dar um tiro no próprio pé?

Primeiro, é preciso contextualizar. As denúncias de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS não surgiram ontem. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e apurações jornalísticas mostram que essas práticas começaram a ganhar corpo em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro. Empresas e associações passaram a descontar mensalidades e tarifas sem autorização dos beneficiários, abocanhando milhões de reais todos os meses de pessoas vulneráveis. Ou seja, o esquema nasceu — ou ao menos cresceu — sob a gestão bolsonarista, e não apenas agora.

Portanto, ao pressionar por uma CPMI, a oposição corre um risco real: o de abrir um espaço institucional onde não apenas os erros do governo Lula estarão expostos, mas também as falhas e permissividades herdadas do governo Bolsonaro. Num cenário político polarizado, com eleitores ainda fortemente divididos, isso pode criar um efeito bumerangue. A cada denúncia feita contra o governo atual, a base governista poderá retrucar lembrando a origem de muitos problemas durante a gestão passada.

Outro ponto relevante: o INSS tem sido um barril de pólvora há décadas. Defasagem tecnológica, falta de servidores, filas intermináveis e sucessivos escândalos de corrupção formam um terreno fértil para fraudes e desvios. Nenhum governo escapa completamente dessa responsabilidade histórica. Portanto, uma CPMI que pretenda de fato passar a limpo esse setor precisará enfrentar um lamaçal que atinge não só os atuais mandatários, mas também os ex-governantes, incluindo o bolsonarismo que hoje lidera parte significativa da oposição.

Por fim, vale notar o momento político. Lula enfrenta críticas dentro e fora do Congresso, seja pela condução econômica, pela política externa ou por pautas sociais controversas. Uma CPMI poderia se somar a esse desgaste? Sim. Mas também pode gerar uma narrativa de “governo transparente”, disposto a enfrentar irregularidades — desde que o Planalto saiba se posicionar estrategicamente. Do lado da oposição, no entanto, o risco é entrar numa arena onde velhos esqueletos podem ser tirados do armário e expostos à luz do dia, gerando dano político reverso.

No fim das contas, a pergunta central é: quem realmente tem a ganhar com essa CPMI? A resposta não é tão simples quanto parece. E, como a política brasileira já mostrou tantas vezes, quem atira pode acabar acertando o próprio pé.

Por Damata Lucas – Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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