fraudes inss – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Fri, 16 May 2025 18:36:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png fraudes inss – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Governo Lula debate criação de CPMI para investigar fraudes no INSS enquanto base aliada pressiona por investigação https://jogodopoder.com.br/governo-lula-debate-criacao-de-cpmi-para-investigar-fraudes-no-inss-enquanto-base-aliada-pressiona-por-investigacao/ Fri, 16 May 2025 18:34:21 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4056

Em meio ao escândalo das fraudes nos descontos do INSS, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com ministros e líderes governistas nesta sexta-feira (16/5) para discutir os desdobramentos políticos da possível instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Apesar da resistência inicial do Planalto, a pressão de parlamentares da base aliada, como o senador Fabiano Contarato (PT-ES), e da oposição torna a abertura da comissão quase inevitável.

O que está em jogo?

A CPMI foi requerida pela oposição com assinaturas de 222 deputados e 36 senadores – números bem acima do mínimo necessário (1/3 de cada Casa). O pedido deve ser lido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na próxima sessão conjunta do Congresso, marcada para 27 de maio. Caso Alcolumbre tente adiar a convocação, há entendimento do STF de que a abertura é obrigatória quando há assinaturas suficientes.

Estratégia do governo

Diante da iminência da CPMI, o Planalto busca controlar cargos-chave na comissão, como a presidência e a relatoria, para evitar que a oposição conduza as investigações de forma desfavorável. Além disso, a estratégia governista será:

  1. Vincular as fraudes ao governo Bolsonaro – O PT e aliados argumentam que o esquema ganhou escala durante a gestão anterior e que só agora está sendo investigado.

  2. Isolar opositores radicais – Evitar que figuras como bolsonaristas assumam protagonismo nas investigações.

  3. Limitar o escopo da CPI – Evitar que o inquérito se estenda a outros temas sensíveis para o governo.

Quem participou da reunião no Alvorada?

Estiveram presentes:

  • Rui Costa (Casa Civil)

  • Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais)

  • Sidônio Palmeira (Comunicação Social)

  • Wolney Queiroz (Previdência)

  • Jaques Wagner (líder do governo no Senado)

A presença de Wagner e Hoffmann indica a preocupação do governo em articular politicamente a questão, já que ambos têm forte trânsito no Congresso.

O esquema de fraudes no INSS

As investigações já em curso apontam um superfaturamento bilionário em benefícios do INSS, com suspeitas de:

  • Pagamentos indevidos a beneficiários que não tinham direito.

  • Manipulação de laudos médicos para aprovar auxílios-doença e aposentadorias.

  • Possível envolvimento de servidores e empresários em um esquema organizado.

O governo Lula afirma que já agiu para coibir as irregularidades, mas a oposição quer apurar se houve omissão ou conivência de gestões passadas – e até mesmo se há novos indícios de corrupção na atual administração.

Próximos passos

  • Leitura do requerimento (27/5) – Davi Alcolumbre deve colocar o pedido em votação.

  • Composição da CPMI – 15 deputados e 15 senadores (além de suplentes) serão escolhidos.

  • Foco das investigações – A oposição quer ampliar o escopo, enquanto o governo tenta direcionar o foco para o período bolsonarista.

A CPMI do INSS pode se tornar mais um front de crise para o governo Lula, que já enfrenta desgastes como o escândalo dos recursos para o Rio Grande do Sul e as polêmicas sobre a reconstrução do estado. Se mal conduzida, a comissão pode gerar novas turbulências políticas em um ano já marcado por tensões entre o Executivo e o Congresso.

Edição: Damata Lucas – Imagem: 

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Fraude bilionária no INSS: esquema de descontos irregulares em aposentadorias começou sob Bolsonaro e explode na gestão Lula https://jogodopoder.com.br/fraude-bilionaria-no-inss-esquema-de-descontos-irregulares-em-aposentadorias-comecou-sob-bolsonaro-e-explode-na-gestao-lula/ Wed, 30 Apr 2025 22:02:14 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3443 Uma das maiores fraudes já identificadas na Previdência Social veio à tona com a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal na última semana. O esquema envolvia o desvio de até R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas por meio de descontos irregulares aplicados diretamente na folha de pagamento dos beneficiários do INSS entre os anos de 2019 e 2024.

O escândalo atravessa governos e escancara fragilidades históricas na fiscalização de convênios firmados entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e associações de classe. As fraudes tiveram início ainda durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e se intensificaram sob a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), período em que as investigações ganharam força e revelaram a profundidade do esquema.

De acordo com documentos da Polícia Federal (PF), da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF), o esquema envolvia o pagamento de propina a servidores do INSS, uso de entidades de fachada e a atuação de lobistas, em um ciclo de corrupção sustentado por pequenas cobranças mensais que variavam entre R$ 20 e R$ 50 – valores aparentemente inofensivos, mas altamente lucrativos quando multiplicados por milhões de beneficiários.

O rastro do dinheiro

As investigações revelaram que os repasses às entidades eram feitos com base em convênios irregulares e sem a devida comprovação de prestação de serviços. Das 29 associações analisadas, 72% sequer entregaram a documentação necessária para firmar os acordos com o INSS. Onze delas foram alvo de medidas judiciais, com contratos suspensos a partir de 2023, quando a CGU intensificou a fiscalização.

Entre as entidades sob investigação estão Ambec, Sindnapi/FS, AAPB, AAPEN (ex-ABSP), Contag, AAPPS Universo, Unaspub, Conafer, APDAP Prev (ex-Acolher), ABCB/Amar Brasil e CAAP. Algumas dessas organizações tinham convênios antigos, como a Contag (desde 1994), enquanto outras foram firmadas já durante o governo atual, como a AAPEN (2023) e a APDAP Prev (2022).

Propina e favorecimento

As investigações apontam que ex-diretores do INSS receberam milhões por meio de intermediários. André Fidelis, ex-diretor de Benefícios, teria usado o próprio filho para movimentar mais de R$ 5 milhões. Alexandre Guimarães, ex-diretor de Planejamento, teria recebido ao menos R$ 300 mil por meio de empresa própria. Já o então procurador-geral do INSS, Virgílio Oliveira Filho, foi afastado após a PF rastrear repasses de mais de R$ 11 milhões ligados a ele e sua esposa, além da compra de um carro de luxo – um Porsche Taycan avaliado em R$ 500 mil.

Grande parte das transações foi operada por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como o principal articulador do esquema. Ele teria movimentado mais de R$ 53 milhões entre entidades sindicais e empresas de fachada.

Impactos e consequências

A operação causou um terremoto dentro do governo federal. O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido, e outros quatro integrantes da cúpula do órgão foram afastados. Stefanutto teria atuado diretamente para facilitar os descontos em massa para a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), uma das entidades sob suspeita.

O Ministério da Previdência afirmou que os valores serão devolvidos às vítimas já na próxima folha de pagamento. Todos os convênios com associações estão suspensos. Em sua defesa, o ministro Carlos Lupi alegou ter tomado providências assim que foi informado das irregularidades, mas só concluiu a apuração em setembro de 2024, quase um ano após os primeiros alertas.

Reflexão necessária

Embora as investigações estejam apenas começando, o escândalo já deixa lições importantes. A permissividade institucional e a falta de controle sobre convênios com entidades associativas criaram terreno fértil para fraudes silenciosas e duradouras. Se o esquema começou discretamente na gestão anterior, foi na atual que a bomba explodiu – um reflexo não apenas de continuidade administrativa, mas também da eficácia (ou falta dela) na resposta aos alertas.

As ações da PF e da CGU revelam que é possível desarticular esquemas de corrupção de forma técnica e coordenada, mas também mostram que a vulnerabilidade do sistema permitiu que o golpe se prolongasse por anos. Mais do que punir os culpados, será preciso repensar o modelo de cooperação entre o INSS e entidades privadas, sob risco de que velhas práticas sigam se repetindo com novos protagonistas.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Freepik

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