Estados Unidos – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Sun, 25 May 2025 18:07:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png Estados Unidos – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes: gesto político ou ameaça à soberania do Brasil? https://jogodopoder.com.br/sancoes-dos-eua-contra-alexandre-de-moraes-gesto-politico-ou-ameaca-a-soberania-do-brasil/ Sun, 25 May 2025 18:07:26 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4410 A possibilidade de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ser alvo de sanções por parte dos Estados Unidos tem movimentado o noticiário político e diplomático nos últimos dias. A proposta, defendida por alguns parlamentares do Partido Republicano no Congresso norte-americano, aponta para a aplicação de restrições como o congelamento de bens em território americano, proibição de entrada nos EUA e outras medidas simbólicas — semelhantes às adotadas em casos de violações de direitos humanos ou de corrupção em outros países.

Na prática, no entanto, especialistas em relações internacionais e direito constitucional avaliam que o impacto de sanções desse tipo seria limitado. O Brasil não depende institucionalmente de laços individuais de seus ministros com os Estados Unidos, e medidas unilaterais adotadas pelo Legislativo norte-americano não possuem poder para interferir diretamente nas estruturas de poder brasileiras.

Diplomacia em campo

A proposta de sanção, embora ainda não concretizada, coloca pressão sobre o Itamaraty, que deverá reagir com firmeza caso a medida avance. Segundo analistas, o gesto pode ser interpretado como uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil, especialmente por mirar uma autoridade do Judiciário envolvida no combate à desinformação e a atos antidemocráticos.

“A eventual sanção não teria efeitos jurídicos no Brasil, mas representa um sinal político de desagrado e pode ser usada como retórica por grupos que se opõem às decisões do STF”, afirma a professora de relações internacionais Mariana Albuquerque, da Universidade de Brasília (UnB). “Nesse sentido, há um componente de pressão simbólica que precisa ser respondido com cautela diplomática, para não escalar a crise.”

Soberania em foco

O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema, mas setores do Judiciário e do Executivo avaliam que qualquer sanção contra um ministro da Suprema Corte fere o princípio da soberania nacional. Em nota, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) já classificou a proposta como “intolerável ingerência estrangeira”.

A discussão também evidencia a crescente politização das relações internacionais em tempos de polarização ideológica. Moraes se tornou figura central em investigações sobre ataques à democracia, incluindo a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, o que atraiu críticas de setores da direita global, inclusive aliados do ex-presidente Donald Trump.

Efeitos limitados, repercussão ampliada

Do ponto de vista prático, especialistas ressaltam que mesmo que as sanções sejam aprovadas, seus efeitos diretos sobre Moraes seriam mínimos, exceto no caso de viagens ou bens eventualmente mantidos nos EUA. Mas, politicamente, o gesto amplia tensões e pode ser explorado por narrativas internas no Brasil, tanto por apoiadores quanto por opositores do ministro.

“O mais importante neste momento é preservar a independência dos Poderes e reafirmar o princípio da não intervenção, sem transformar o episódio em crise diplomática”, observa o embaixador aposentado Roberto Abdenur.

A depender da reação do governo brasileiro e da escalada da retórica nos Estados Unidos, o caso pode evoluir para uma disputa mais ampla entre soberania nacional e pressões internacionais com viés político.

Edição: Por Damata Lucas – Imagem: Antônio Augusto

]]>
China se consolida como principal destino de minerais estratégicos do Brasil https://jogodopoder.com.br/china-se-consolida-como-principal-destino-de-minerais-estrategicos-do-brasil/ Sun, 20 Apr 2025 14:53:55 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3004 A China reforçou seu papel como o maior comprador dos minerais estratégicos brasileiros, essenciais para a transição energética, como cobre, manganês e nióbio. De acordo com o mais recente boletim do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), as exportações de minério de cobre para o país asiático bateram recorde no primeiro trimestre de 2025, atingindo US$ 331 milhões — alta de 180% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O crescimento foi impulsionado por um aumento de 79% no volume exportado, que chegou a 124 mil toneladas, e uma valorização de 18% no preço do minério. Com isso, o cobre passou a representar 2% do total das exportações brasileiras para a China, tornando-se o produto com maior crescimento relativo entre os dez principais itens da pauta.

O relatório, assinado por Tulio Cariello, diretor de pesquisa do CEBC, destaca ainda que a China agora responde por 35% das compras brasileiras de cobre, superando países como Bulgária e Alemanha.

Além do cobre, outros minerais críticos também apresentaram forte alta nas exportações para a China, como manganês (+310%), ferroníquel (+253%), ligas de cobre (+56%), obras de nióbio (+35%) e ferronióbio (+13%). O embarque de terras raras também chamou atenção: 419 toneladas, sete vezes mais que em todo o ano de 2024.

Apesar da queda de 22% no preço do minério de ferro, seu volume exportado cresceu 3% e segue como o principal produto mineral exportado para a China, representando 65% da pauta.

A crescente demanda chinesa por esses insumos reflete o avanço da “indústria verde”, voltada para veículos elétricos, baterias e energias renováveis — setores altamente dependentes de minerais estratégicos.

Em paralelo, os Estados Unidos sinalizam novas tensões comerciais. O presidente Donald Trump ordenou uma investigação que pode resultar em tarifas sobre minerais estratégicos, alegando preocupações com a segurança nacional.

Além dos minerais, o CEBC também destacou o bom desempenho da soja brasileira, com alta de 7% no volume exportado, e o avanço da indústria de transformação, que agora representa 23% das exportações para a China — um reflexo da diversificação da pauta e do papel estratégico que o Brasil ocupa na nova geoeconomia global.

Edição: Damata Lucas – Fonte: Imprensa Nacional – Imagem: Reprodução

]]>
Protestos contra Trump tomam as ruas dos EUA em um alerta pela democracia https://jogodopoder.com.br/protestos-contra-trump-tomam-as-ruas-dos-eua-em-um-alerta-pela-democracia/ Sun, 20 Apr 2025 14:46:28 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3001 Milhares de pessoas voltaram às ruas neste domingo (20), em Nova York e em diversas outras cidades dos Estados Unidos, em um novo e vigoroso levante contra o ex-presidente Donald Trump. Foi o segundo fim de semana de protestos em menos de quinze dias, sinal claro de que o descontentamento popular segue vivo — e cada vez mais barulhento. A mobilização foi destacada pela agência France-Presse (AFP).

Com cartazes que diziam “Nenhum rei na América” e “Resista à tirania”, os manifestantes denunciaram o que muitos veem como uma escalada autoritária encarnada por Trump, comparando-o inclusive a figuras sombrias da história, como Adolf Hitler. A imagem do ex-presidente com um bigode ao estilo do líder nazista apareceu com frequência, escancarando o temor de que os ventos do fascismo estejam soprando novamente, desta vez em solo americano.

“Minha família sobreviveu ao Holocausto, e o que meus pais me contaram sobre os anos 1930 na Europa está se repetindo aqui”, disse à AFP Kathy Vali, de 73 anos. Para ela, Trump representa uma ameaça real — ainda que, segundo suas palavras, “seja burro demais para ser realmente eficaz, e cercado por um time desunido”.

A crítica mais dura, porém, se voltou contra as políticas anti-imigração do ex-presidente, que permanecem como ferida aberta no imaginário coletivo. A recente decisão da Suprema Corte de suspender deportações baseadas numa obscura lei de 1798 — que trata de “inimigos estrangeiros” — reacendeu os temores sobre o uso político do sistema judicial para silenciar e expulsar os mais vulneráveis. “Os imigrantes são bem-vindos aqui”, gritavam em uníssono os manifestantes em Nova York, reforçando uma mensagem de acolhimento diante de tempos cada vez mais hostis.

A capital Washington, palco tradicional de embates políticos, também foi tomada pelos protestos. Lá, os gritos ecoaram a poucos metros da Casa Branca, símbolo maior do poder presidencial — hoje, para muitos, também um ícone de um sistema sob ameaça.

O movimento que articulou os protestos, batizado de 50501, nasceu da ideia de promover manifestações simultâneas nos 50 estados americanos. Com espírito descentralizado, o grupo se define como uma reação urgente às “ações antidemocráticas e ilegais” da era Trump, lideradas não apenas por ele, mas também por seus aliados “plutocráticos”, como se lê em seu site oficial.

Para este domingo, estavam previstas cerca de 400 manifestações — um número que demonstra o grau de organização e a força simbólica desse levante cívico. Apesar da relutância das autoridades policiais em divulgar estimativas oficiais de público, o impacto foi visível: o povo saiu às ruas, e saiu com um recado claro.

Num país que se orgulha de ser o berço da democracia moderna, a pergunta que paira no ar é uma só: será que ela está, de fato, segura?

Edição: Damata Lucas – Imagem: X

]]>
Irã sinaliza abertura para novo acordo nuclear com os EUA, mas exige respeito aos seus direitos e fim das sanções https://jogodopoder.com.br/ira-sinaliza-abertura-para-novo-acordo-nuclear-com-os-eua-mas-exige-respeito-aos-seus-direitos-e-fim-das-sancoes/ Sat, 19 Apr 2025 14:23:37 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2968 Durante um encontro realizado neste sábado (19) em Roma, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que Teerã está disposto a retomar as negociações e assinar um novo pacto com os Estados Unidos a respeito de seu programa nuclear. A condição, no entanto, é que o novo acordo respeite plenamente os direitos legítimos da República Islâmica e assegure o fim das sanções consideradas “injustas e ilegais”. A declaração foi divulgada pela emissora hispano-iraniana HispanTV, que acompanha de perto os desdobramentos diplomáticos envolvendo o Irã e o Ocidente.

A reunião entre Araqchi e o chanceler italiano Antonio Tajani aconteceu no contexto da segunda rodada de negociações entre representantes iranianos e norte-americanos, com mediação da União Europeia. O encontro em Roma foi visto como um gesto significativo de boa vontade por parte do governo italiano, que tem buscado assumir um papel mais ativo no cenário diplomático do Oriente Médio.

Em sua fala, Araqchi elogiou a disposição da Itália em promover o diálogo e sublinhou a urgência de se aproveitar o atual momento geopolítico para alcançar um “entendimento racional e equilibrado”. Segundo ele, esse entendimento deve garantir não apenas o reconhecimento dos direitos soberanos do Irã ao uso pacífico da energia nuclear, mas também levar à suspensão das sanções econômicas que têm impactado severamente a economia do país.

“O caminho para um acordo está aberto, desde que os Estados Unidos abandonem suas exigências unilaterais e irrealistas”, declarou Araqchi. Ele reiterou que qualquer novo tratado deve estar fundamentado em princípios de respeito mútuo e em medidas concretas de construção de confiança, com foco na transparência do programa nuclear iraniano, cuja finalidade, segundo Teerã, é exclusivamente pacífica.

O chanceler iraniano também reafirmou que o Irã não possui ambições de desenvolver armas nucleares, posição sustentada por fundamentos religiosos e pela própria doutrina militar do país. “Armas de destruição em massa não têm espaço em nossa estratégia defensiva. Nossos líderes religiosos foram claros nesse ponto: o uso de tais armamentos é proibido sob qualquer justificativa”, afirmou.

Araqchi aproveitou o encontro para criticar duramente Israel, acusando o país de ser o principal entrave à criação de uma zona livre de armas nucleares na Ásia Ocidental. De acordo com ele, o arsenal atômico israelense, que nunca foi oficialmente reconhecido, representa uma ameaça real à segurança regional e global, além de alimentar a instabilidade ao redor do Oriente Médio.

“O maior risco à paz regional não vem do Irã, mas da política agressiva de Israel, que viola sistematicamente o direito internacional, comete atos de genocídio contra o povo palestino e tenta legitimar sua atuação sob o pretexto de uma suposta ‘iranofobia’”, denunciou Araqchi.

Ele ainda apelou por uma postura mais responsável da União Europeia e da comunidade internacional em relação às ações de Tel Aviv. Segundo o chanceler, é imprescindível que a atenção global se volte também para o arsenal nuclear israelense e suas consequências destrutivas. “Não se pode exigir transparência de uns e ignorar completamente as ações bélicas de outros”, concluiu.

As negociações nucleares com o Irã têm sido um ponto de tensão desde que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do Acordo Nuclear de 2015 (JCPOA), durante o governo Trump, restabelecendo sanções econômicas contra Teerã. Desde então, o país tem reduzido progressivamente seu cumprimento das obrigações previstas no pacto original, aumentando os níveis de enriquecimento de urânio. A atual retomada do diálogo sinaliza uma possível reabertura para a diplomacia, mas o caminho ainda é delicado e cheio de obstáculos.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Jeswin Thomas/Unsplash

]]>
Xi Jinping visita a Malásia em meio à intensificação da guerra comercial entre China e EUA https://jogodopoder.com.br/xi-jinping-visita-a-malasia-em-meio-a-intensificacao-da-guerra-comercial-entre-china-e-eua/ Wed, 16 Apr 2025 16:57:13 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2861 O presidente da China, Xi Jinping, chegou à Malásia nesta terça-feira (15), dando continuidade à sua viagem por países do sudeste asiático. A visita ocorre em meio à crescente tensão comercial entre Pequim e Washington, e tem como objetivo reforçar os laços regionais e apresentar a China como uma alternativa confiável aos Estados Unidos.

Xi foi recebido pelo primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, no aeroporto de Kuala Lumpur. Em um artigo publicado no jornal local The Star, o líder chinês afirmou que a China está comprometida em trabalhar com a Malásia para enfrentar as pressões do confronto geopolítico, além de resistir ao unilateralismo e ao protecionismo.

Durante sua passagem pela Malásia, Xi participará de um banquete de Estado nesta quarta-feira (16) e se reunirá com Anwar na capital administrativa, Putrajaya. Estão previstas a assinatura de diversos acordos bilaterais, conforme anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Malásia. A visita se estende até quinta-feira (17), quando Xi seguirá para o Camboja — país considerado um parceiro estratégico e leal de Pequim na região.

A viagem é vista pelo governo chinês como uma iniciativa diplomática de grande importância, especialmente diante da ofensiva comercial promovida pelos Estados Unidos sob a liderança do ex-presidente Donald Trump. As tarifas impostas por Washington à China — que chegam a 145% — foram respondidas por Pequim com medidas semelhantes, que atingem 125%. O Vietnã, que também integra o roteiro de Xi e é outro polo industrial da região, foi alvo de tarifas de até 46%, atualmente suspensas.

Ainda no Vietnã, Xi Jinping e autoridades locais assinaram 45 acordos de cooperação. Em pronunciamento na segunda-feira (14), o presidente chinês criticou o protecionismo e defendeu a estabilidade das cadeias globais de produção e abastecimento, apelando para uma resistência conjunta contra a intimidação econômica.

O Vietnã, por sua vez, mantém uma política de “diplomacia do bambu” — flexível, porém firme —, buscando equilibrar suas relações tanto com a China quanto com os Estados Unidos, seu principal parceiro comercial.

Apesar das tarifas e tensões, autoridades chinesas minimizaram os impactos sobre a economia do país. Segundo Lyu Daliang, porta-voz da administração alfandegária da China, o país tem ampliado seus mercados e fortalecido seu consumo interno. “O céu não vai cair para as exportações chinesas”, afirmou em entrevista à agência estatal Xinhua. Ele também destacou que o vasto mercado interno da China oferece uma base sólida para enfrentar as flutuações do cenário global.

A visita de Xi Jinping ao sudeste asiático marca mais um capítulo da disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo e evidencia o esforço da China em fortalecer alianças regionais como forma de reduzir sua dependência dos mercados ocidentais.

Edição Redação JP – Imagem: X

]]>
Mercados sobem com isenção tarifária dos EUA https://jogodopoder.com.br/mercados-sobem-com-isencao-tarifaria-dos-eua/ Mon, 14 Apr 2025 17:12:54 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2793 Apesar de um raro gesto de alívio vindo da Casa Branca, os mercados globais ainda caminham sobre uma corda bamba. Na última sexta-feira (11), os Estados Unidos anunciaram isenções tarifárias para smartphones, semicondutores, computadores e outros dispositivos, e nesta segunda-feira (14) os reflexos positivos chegaram às Bolsas da Ásia e Europa — mas será que isso representa uma trégua real ou apenas um respiro passageiro?

As principais praças asiáticas fecharam em alta: Tóquio subiu 1,2%, Seul 0,95%, Sydney 1,34%, Hong Kong 2,4% e Xangai 0,8%. Na Europa, o otimismo também se fez sentir, com Paris ganhando 2,14%, Frankfurt 2,10%, Milão 2,04% e Londres 1,60%. O impulso vem em um momento em que qualquer sinal de descompressão comercial é recebido com alívio por investidores fatigados.

Contudo, a euforia momentânea não apaga o pano de fundo cada vez mais tenso entre Washington e Pequim. Desde que Donald Trump retomou sua política tarifária agressiva — impondo tarifas de até 145% sobre produtos chineses — a relação entre as duas maiores economias do planeta voltou a um nível de tensão quase pré-pandêmico. A resposta de Pequim foi igualmente dura: tarifas de retaliação de 125% sobre bens americanos.

A retórica também endureceu. Enquanto o porta-voz da alfândega chinesa, Lyu Daliang, tenta tranquilizar os mercados dizendo que “o céu não vai cair para as exportações chinesas”, o presidente Xi Jinping não poupa palavras ao afirmar que o protecionismo “não leva a lugar nenhum”. Já Trump, fiel ao seu estilo beligerante, disparou em sua plataforma Truth Social que “ninguém vai sair impune… especialmente a China”.

Apesar das declarações, há sinais de pragmatismo — ou, ao menos, tentativas de reposicionamento. A China intensifica sua diplomacia regional, com Xi Jinping iniciando uma visita estratégica ao sudeste asiático. O foco é claro: manter sua influência e garantir novos parceiros comerciais enquanto os EUA endurecem o jogo.

A realidade é que, por trás das bravatas políticas, as tarifas têm um impacto econômico direto. O próprio Ministério do Comércio da China afirma que as medidas de Trump “prejudicam gravemente a ordem econômica mundial” — e não está errado. Dados recentes mostram que cadeias de produção foram afetadas, custos subiram e países em desenvolvimento estão entre os mais prejudicados.

O mais irônico é que, mesmo com o impacto global, os EUA continuam com discurso ambíguo. Embora Trump se diga “otimista” quanto a um acordo, seu representante comercial, Jamieson Greer, foi claro ao afirmar que “não há planos” para um diálogo direto entre os líderes das duas potências.

No fim das contas, a guerra comercial segue sem vencedores. A leve trégua nos mercados é um alívio, mas está longe de representar uma solução. A escalada protecionista liderada por Trump pode até gerar manchetes fortes, mas o que o mundo — e especialmente as economias em desenvolvimento — precisam, é de estabilidade. E isso, por ora, parece tão distante quanto um acordo definitivo entre Washington e Pequim.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Freepik Free

]]>
Irã e EUA iniciam negociações indiretas sobre programa nuclear em Omã https://jogodopoder.com.br/ira-e-eua-iniciam-negociacoes-indiretas-sobre-programa-nuclear-em-oma/ Sat, 12 Apr 2025 15:10:30 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2712 Irã e Estados Unidos iniciaram no sábado (12) negociações indiretas em Omã para discutir o avanço do programa nuclear iraniano. As conversas ocorrem com mediação do chanceler de Omã, Badr al-Busaidi, e marcam o primeiro contato entre Teerã e o governo de Donald Trump, que ameaçou ação militar caso não haja acordo.

O Irã foi representado pelo vice-ministro Abbas Araqchi, enquanto Steve Witkoff, enviado de Trump para o Oriente Médio, liderou a delegação americana. As conversas ocorrem com cada parte em salas separadas, trocando mensagens por meio do mediador.

Teerã demonstrou ceticismo sobre os resultados, mas Khamenei deu autoridade total a Araqchi. O Irã rejeita discutir seu programa de mísseis e quer manter as negociações indiretas, diferentemente da exigência dos EUA por encontros presenciais.

O programa nuclear iraniano está sob escrutínio internacional por operar com níveis de enriquecimento de urânio próximos aos necessários para armas nucleares. Desde a saída dos EUA do acordo nuclear de 2015, o Irã ampliou suas atividades atômicas.

Washington e Israel veem o programa como ameaça à segurança regional. Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o objetivo é garantir que o Irã não obtenha armas nucleares. Um fracasso nas negociações pode aumentar o risco de conflito em uma região já marcada por tensões.

Edição JP – Imagem: Freepik

]]>
Guerra comercial entre China e EUA escala novamente com tarifas recordes de até 145% https://jogodopoder.com.br/guerra-comercial-entre-china-e-eua-escala-novamente-com-tarifas-recordes-de-ate-145/ Fri, 11 Apr 2025 18:47:42 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2685 Em mais um episódio tenso da guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta, a China anunciou na manhã desta sexta-feira (11), pelo horário de Brasília, que vai aumentar suas tarifas sobre produtos americanos de 84% para impressionantes 125%. A nova taxação entra em vigor já neste sábado (12), informou a Embaixada da China nos EUA, em comunicado oficial.

A resposta chinesa não surpreende. Trata-se de uma retaliação direta às medidas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que tem usado a tarifa como uma espécie de arma diplomática — ou, para muitos, como instrumento de intimidação.

Na quinta-feira (10), os EUA já haviam elevado suas tarifas sobre produtos chineses para o patamar surreal de 145%, somando as novas taxações de 125% às tarifas anteriores de 20%. Segundo Trump, essa escalada serve para forçar a China a negociar “de forma justa”. Na prática, parece mais uma cartada arriscada de um presidente que prefere o confronto à diplomacia.

A reação da China foi imediata. Em nota contundente, o Ministério das Finanças chinês acusou os EUA de violar as regras básicas do comércio internacional e agir de forma unilateral, coercitiva e irresponsável. O país também levou o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), protocolando uma nova queixa contra as tarifas americanas.

A cronologia do caos

A escalada atual teve início há pouco mais de uma semana. No dia 2 de abril, Trump apresentou uma nova tabela de tarifas que afeta mais de 180 países — com alíquotas variando entre 10% e 50%. A China, claro, foi um dos principais alvos, com uma tarifa específica de 34%, que se somou aos 20% que já incidiam sobre seus produtos.

Como era de se esperar, Pequim reagiu. No dia 4, anunciou tarifas extras de 34% sobre todos os produtos vindos dos EUA. Trump respondeu com mais ameaças: ou a China recuava até a terça-feira (8), ou seria taxada com mais 50 pontos percentuais. Pequim não recuou, e a retaliação americana foi colocada em prática.

A partir daí, virou uma troca de socos tarifários: China eleva para 84%, Trump eleva para 145%, China responde com 125%. E, no meio disso tudo, os mercados globais assistem, apreensivos, a um conflito que já ultrapassou a esfera econômica e se transformou em um verdadeiro embate político e ideológico.

Pausa seletiva

Curiosamente — ou convenientemente — Trump anunciou uma “pausa” de 90 dias nas tarifas contra os demais 180 países afetados, reduzindo-as para 10%. Mas a China, é claro, foi deixada de fora da trégua. Segundo ele, a medida visa dar espaço para negociações com países que “não retaliaram os EUA”, sugerindo que o bom comportamento será recompensado. Um gesto mais simbólico do que efetivo, e que pode facilmente ser interpretado como chantagem comercial.

A retórica de Trump

Em nota oficial, Trump justificou suas ações com o argumento de que a China desrespeita o mercado global e explora os EUA há décadas. No melhor estilo populista, afirmou que “os dias de exploração acabaram” e que sua administração não aceitará mais práticas desleais. Ao mesmo tempo, tenta vender a ideia de que os EUA estão abertos ao diálogo — mas apenas com quem seguir suas regras.

O que está em jogo

Por trás dessa disputa está muito mais do que tarifas. Trata-se de uma luta por hegemonia global, domínio tecnológico, e controle de cadeias produtivas estratégicas. As tarifas são apenas a superfície de uma disputa muito mais complexa, onde ambos os lados jogam pesado — e o mundo inteiro paga o preço.

Produção e Edição Damatta Lucas – Imagem: Freepik

]]>
Entenda: tarifaço de Trump é capaz de reindustrializar Estados Unidos? https://jogodopoder.com.br/entenda-tarifaco-de-trump-e-capaz-de-reindustrializar-estados-unidos/ Thu, 10 Apr 2025 17:50:12 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2638 A guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos (EUA) por meio do tarifaço contra todos os parceiros comerciais é capaz de reindustrializar o país norte-americano, como promete Donald Trump? 

Para especialistas em economia política e desenvolvimento econômico consultados pela Agência Brasil, é improvável que a política de tarifas de Trump possa reverter um processo que começou na década de 1970. Por outro lado, apontam que alguns objetivos de Trump podem ser alcançados devido ao controle que Washington ainda exerce sobre a economia do planeta.

O professor de sociologia econômica e economia política Edemilson Paraná, da LUT University da Finlândia, avalia que a sociedade norte-americana não tem coesão política e ideológica, nem coordenação estatal suficiente para reindustrializar o país.

Brasília (DF), 09/04/2025 - O professor de sociologia econômica Edemilson Paraná, da LUT University da Finlândia. Foto: LUT University/Divulgação

Edemilson Paraná aponta falta de unidade política e ideológica e coordenação estatal insuficiente para reindustrialização – LUT University/Divulgação

“O governo Trump não tem um programa de investimentos em infraestrutura, não tem política industrial coordenada, não tem política racional para os preços macroeconômicos, taxa de juros, câmbio, não tem política fiscal consequente, e você não tem regulações bem articuladas com isso tudo. Uma industrialização precisa de alta mobilização social e esforço político brutal. Não por acaso, muitas vezes, os processos de industrialização são feitos no contexto de unificação, de guerra e de ditadura”, explicou.

Edemilson afirma que a desindustrialização dos EUA foi consequência das políticas neoliberais do republicano Ronald Reagan de desregulamentação dos mercados, avanço da globalização e financeirização da economia, políticas essas aprofundadas pelos demais presidentes.

Entre 2001 e 2023, a produção industrial dos EUA caiu de 28,4% para 17,4% da produção industrial global, segundo dados da Casa Branca.

O especialista em sociologia econômica destaca que a intervenção do Estado é fundamental para qualquer industrialização, mas diz que a contradição ideológica interna do governo com setores ultraliberais limita a capacidade do Estado de coordenar esse processo. “É muita contradição. Como é que você vai fazer isso com Elon Musk [bilionário e chefe do Departamento de Eficiência Governamental dos Estados Unidos], falando que tem que privatizar o Estado?”, questionou Paraná.

Imprevisibilidade

O professor associado de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Pedro Paulo Zaluth Bastos disse que não está certo de que as tarifas vão se manter no médio ou longo prazo, o que inibe decisões empresariais.

Brasília (DF), 09/04/2025 - Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor do Instituto de Economia da Unicamp. Foto: Antoninho Perri/SEC Unicamp

O professor Pedro Paulo Bastos vê possibilidade de efeito inflacionário de curto prazo com tarifaço de Donald Trump – Foto: Antoninho Perri/SEC Unicamp

 

“As decisões de investimento precisam de um horizonte muito mais amplo de estabilidade, de previsão, e é muito pouco provável que essas decisões sejam tomadas em função dessa grande imprevisibilidade da política dos EUA”, afirmou.

Bastos avalia que as tarifas terão um efeito inflacionário de curto prazo que pode corroer o apoio político de Trump, trazendo de volta os democratas ao poder no Parlamento, nas eleições de novembro de 2026.

“Ele está taxando produtos que os Estados Unidos não têm sequer capacidade de produzir internamente, como o café, o abacate, frutas e legumes. O país importa 60% das frutas e 40% dos legumes. As roupas também não vão ser substituídas em curto prazo porque os EUA perderam a indústria têxtil”, destacou Pedro Paulo.

Para Bastos, ainda que a política das tarifas se mantenha no longo prazo, o efeito de reindustrializar os EUA vai ser relativamente limitado. Talvez setores intensivos em capital, como e de automóveis e alumínio, tenham alguma reindustrialização, disse o professores. Nos setores de semicondutores [chips], porém, vai ser complicado por causa da mão de obra insuficiente nos EUA. “Na China, tem muitos mais engenheiros do que nos EUA. Para formar um conjunto grande de engenheiros, vai levar uns seis anos. Não é de uma hora para outra”, ponderou.

No mês passado, Trump esvaziou o Departamento de Educação e tem promovido demissões em massa de funcionários públicos.

O professor da Unicamp cita ainda obstáculos para reindustrialização de produtos baratos, como os da indústria têxtil. “Os imigrantes estão sendo expulsos. Isso vai aumentar o preço da mão de obra. E o trabalhador branco não quer trabalhar em indústria têxtil”, disse.

Não é estúpido

O professor Edemison Paraná pondera, por outro lado, que a estratégia de Trump “não é completamente estúpida” e que eles esperam conquistar alguns objetivos com o tarifaço.

“As pessoas não são tão burras assim no governo dele. A ideia é que essas tarifas forcem os países a sentarem-se à mesa para negociar país a país. Ele está usando o poder enorme de vantagem dos EUA, do mercado americano, que todo mundo quer acessar, e do poder do dólar, para dobrar os países a fazerem o que ele quer”, analisou.

De acordo com o professor, Trump calcula que ganha de toda forma porque, se o país não aceitar suas demandas, ele vai arrecadar recursos com as tarifas. “A tarifa tem um efeito fiscal na cabeça do Trump. Ele abaixa o imposto para empresas e corporações, de um lado, e arrecada com tarifas, do outro lado. Equilibra-se o déficit fiscal”, afirmou.

Edemilson destacou ainda que é muito alta uma tarifa de 30%, ou até mais, para acessar o mercado americano. “É muita coisa. Às vezes, compensa abrir uma fábrica nos EUA.”

Energia e inflação

Trump espera impulsionar a reindustrialização ainda por meio da redução do valor da energia com a expansão da produção de combustíveis fósseis, que causam o aquecimento da Terra, além da redução de impostos de empresas, como ocorreu no primeiro mandato do republicano, diz Pedro Paulo Bastos, da Unicamp.

“Isso não significa que elas [empresas] vão investir. Se as empresas tiverem mais lucros com redução de impostos, podem simplesmente aumentar a distribuição de dividendos. Para investir, é preciso previsibilidade de longo prazo e crescimento da demanda. No momento de recessão, não vai ter ninguém investindo”, destacou.

Sobre a inflação causada pelas tarifas, Edemilson Paraná diz que o governo norte-americano espera reverter isso com crescimento industrial. “Eles estão dizendo: olha, vai atrair investimento, vai gerar emprego, vai gerar produção, vai gerar demanda, e isso vai segurar a lógica dos preços porque é um choque momentâneo que vai se pagar no médio e longo prazos”, analisou.

Dólar

Outro objetivo da política de Trump para reindustrializar os Estados Unidos é desvalorizar o dólar frente a outras moedas para tornar as exportações do país mais baratas e, por isso, mais competitivas. Para o professor Pedro Paulo Bastos, no entanto, será muito difícil para os EUA executarem uma política que, de fato, reduza o valor do dólar de forma permanente e sustentada para favorecer suas exportações.

“A desvalorização do dólar prejudica os interesses de Wall Street, que poderia deixar de ser o centro do sistema financeiro internacional. Trump não é uma pessoa contrária aos banqueiros. Pelo contrário, ele é muito próximo desse pessoal”, avaliou.

Já o professor Edemilson Paraná explicou que, como o dólar é a moeda padrão do comércio internacional e usada para acumular riqueza, ela dá enorme poder aos EUA, mas, ao mesmo tempo, traz prejuízos para exportações do país.

“Com isso, o mercado consumidor dos Estados Unidos fica enorme. É uma máquina de consumir o mundo. Afinal, consome-se tudo, inclusive a poupança global que flui para os EUA. Estava tudo indo muito bem com esse arranjo, até que a China começou a aumentar suas competências e capacidades em todos os setores de tecnologia de ponta”, afirmou.

Para Paraná, uma coisa é dominar as finanças e a tecnologia, e os outros países produzirem bens materiais; “outra coisa é perder o monopólio sobre essas tecnologias. Isso ameaça o poder econômico dos EUA”.

China

Edemilson Paraná diz que faltam aos EUA a unidade e a capacidade de gestão do Estado chinês, mais estável e previsível e com capacidade ampla de coordenar inúmeras políticas, o que explica o sucesso da industrialização do gigante asiático.

“A China consegue fazer o que os Estados Unidos não vão conseguir. Os Estados Unidos acharam que iam continuar para sempre tendo a China como um sócio menor, que ela seria apenas produtora de bugigangas. Porém, os chineses foram se utilizando dessa posição para ir subindo nas cadeias globais de valor.”

Edemilson pondera que o Estado chinês tem um elevado grau de integração da política industrial, fiscal, macroeconômica, mantendo certo controle sobre as principais variáveis dos preços macroeconômicos, como salários, juros, renda da terra e câmbio, que não é totalmente flutuante na China, mas administrado para justamente privilegiar as exportações.

“O plano de Trump não considera que a economia contemporânea é mais complexa, de um lado, e de outro, que os Estados Unidos já passaram por um processo de desindustrialização de 40 anos. Na década de 70, um a cada cinco empregos americanos eram industriais. Hoje é um em doze”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcello Casal Jr.

]]>
Tarifaço de Trump: Lula acende alerta sobre protecionismo e clama por equilíbrio global https://jogodopoder.com.br/tarifaco-de-trump-lula-acende-alerta-sobre-protecionismo-e-clama-por-equilibrio-global/ Tue, 08 Apr 2025 21:09:46 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2577 Em um momento em que o mundo vive sob o impacto de decisões econômicas imprevisíveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu espaço no 100º Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), em São Paulo, para soltar o verbo. Sem meias palavras, Lula apontou o dedo para o novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse, com todas as letras: “não vai dar certo”.

A crítica de Lula vai além da política externa. Ela é, na verdade, um alerta. Um chamado ao bom senso em tempos de protecionismo crescente e lideranças que parecem cada vez mais inclinadas a agir sozinhas, ignorando as complexidades de um mundo globalizado. E Lula, que já viu esse filme antes, sabe onde isso pode acabar.

“Ninguém pega um transatlântico carregado e faz as coisas que estão acontecendo”, disparou o presidente brasileiro, em referência às ações de Trump.

A metáfora é certeira. O transatlântico é o mundo — pesado, complexo, interligado. E tentar dar um “cavalo de pau” nesse cenário, como Lula descreveu, pode causar não só ondas, mas tsunamis geopolíticos e econômicos.

Na semana passada, Trump surpreendeu o planeta ao anunciar uma bateria de tarifas contra países como Brasil, China, membros da União Europeia e Japão. A medida, que despertou críticas até de aliados improváveis como Elon Musk, parece mais uma cartada impulsiva do que uma estratégia consolidada. Resultado: a resposta veio à altura. A China não apenas retaliou com uma tarifa de 34%, como provocou nova ameaça dos EUA — desta vez, com um imposto de 50% se Pequim não recuar até hoje à tarde.

Guerra de tarifas ou guerra de egos?

O que está em jogo não é apenas uma guerra tarifária — é uma disputa de narrativas, de hegemonias e, sobretudo, de egos. Trump, ao insistir na via do confronto, tenta se posicionar como o xerife da economia mundial. Mas esquece que, no tabuleiro global, os outros jogadores não são meros figurantes. E a reação internacional, com a União Europeia e a China assumindo uma postura firme, mostra que o jogo é mais complexo do que o republicano talvez imagine.

Lula, por sua vez, traz uma voz de moderação e realismo. Defensor do multilateralismo e do diálogo entre as nações, o presidente brasileiro propõe um caminho que parece óbvio, mas que muitos líderes têm ignorado: o da cooperação.

“A coisa mais importante hoje é o multilateralismo”, reforçou Lula. “É preciso combater o protecionismo.”

Brasil entre gigantes

Para o Brasil, o cenário exige mais do que posicionamento: exige estratégia. O país não pode se dar ao luxo de seguir o fluxo de impulsos internacionais. Precisa manter o equilíbrio, como Lula bem frisou, e tomar decisões com base na sua realidade.

Em um mundo onde o inesperado virou rotina, o discurso de Lula soa como um raro respiro racional. Enquanto Trump aposta na força bruta das tarifas, o presidente brasileiro propõe o diálogo como arma de reconstrução. E em tempos tão polarizados, talvez seja essa a única saída viável.

Porque o multilateralismo pode até não ser manchete de jornal como um tarifaço, mas é ele que sustenta os pilares do comércio, da paz e do progresso compartilhado.

Redação Damata Lucas – Imagem: Ricardo Stuckert

]]>