bolsonaro – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Fri, 30 May 2025 21:07:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png bolsonaro – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Assessor nega ter sido consultado por Bolsonaro sobre ações golpistas https://jogodopoder.com.br/assessor-nega-ter-sido-consultado-por-bolsonaro-sobre-acoes-golpistas/ Fri, 30 May 2025 21:07:15 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4618 O ex-subchefe de assuntos jurídicos da Presidência da República Renato de Lima França negou nesta sexta-feira (30) ter recebido do ex-presidente Jair Bolsonaro pedido para elaboração de estudos para implantação de medidas golpistas após o resultado das eleições de 2022.

França prestou depoimento ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como testemunha de defesa de Bolsonaro na ação penal da trama golpista. O ex-subchefe era um dos conselheiros jurídicos do ex-presidente.

Perguntado pelo advogado de Bolsonaro se o ex-presidente solicitou algum estudo ou aconselhamento para implantação de medidas de estado de sítio, de defesa ou operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), França respondeu que nunca foi consultado sobre os temas.

“Não, nada, nem solicitação de estudo. Nada desses temas foi demandado pelo presidente a minha pessoa”, afirmou.

Acampamentos

O ex-comandante do Comando Militar do Planalto (CMP) general Gustavo Henrique Dutra também prestou depoimento na tarde de hoje na condição de testemunha do ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres, um dos réus da ação penal da trama golpista.

O general confirmou que participou de uma reunião, no dia 6 de janeiro de 2023, com o então secretário para pedir ajuda na retirada de pessoas em situação de rua do acampamento golpista que estava montado em frente ao quartel do Exército, em Brasília.

Para o militar, a reunião foi um “um cafezinho de cortesia” com Anderson Torres. Naquele momento, segundo ele, o acampamento estava esvaziado, e cerca de 200 pessoas em situação de rua estavam no local.

“Mostrei que o acampamento estava esvaziado. Havia 200 pessoas, eram pessoas em situação de rua e pedi apoio da secretaria”, completou.

Os depoimentos das testemunhas de defesa do Núcleo 1 da trama golpista serão encerrados na próxima segunda-feira (2). O último a depor será o senador Rogério Marinho (PL-RN), testemunha de Bolsonaro. Até o momento, cerca de 50 testemunhas foram ouvidas.

Em março deste ano, Bolsonaro e mais sete denunciados pela trama golpista passaram a responder a uma ação penal pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Núcleo 1

Os oito réus compõem o chamado núcleo crucial do golpe, o Núcleo 1, e tiveram a denúncia aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em 26 de março. São eles:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022;
  • Augusto Heleno, general de Exército, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general de Exército e ex-ministro da Defesa;
  • Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Fábio Rodrigues-Pozzebom

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Mourão diz que não participou de reunião golpista no governo Bolsonaro https://jogodopoder.com.br/mourao-diz-que-nao-participou-de-reuniao-golpista-no-governo-bolsonaro/ Sat, 24 May 2025 15:04:51 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4367 O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) disse nesta sexta-feira (23) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que nunca participou de reuniões com o ex-presidente Jair Bolsonaro para tratar da decretação de medidas de exceção no país. 

Ex-vice-presidente, Mourão prestou depoimento como uma das testemunhas de defesa de Bolsonaro e dos generais Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, réus do Núcleo 1 da trama golpista.

Durante o depoimento, o senador negou que tenha presenciado ou tomado conhecimento sobre reuniões com teor golpista no final do governo anterior.

“Não participei de nenhuma reunião em que tivesse sido abordado esse tipo de assunto”, afirmou.

Perguntado pela defesa do ex-presidente se alguma vez Bolsonaro mencionou a intenção de decretar algum tipo de medida de exceção no Brasil, Mourão afirmou que o assunto nunca foi citado durante os encontros que teve com o ex-presidente após a derrota nas eleições de 2022. 

“Em todas essas oportunidades, em nenhum momento, ele mencionou qualquer medida que representasse uma ruptura. As conversas foram voltadas para a transição para que o novo governo assumisse no dia 1º de janeiro”, afirmou.

Sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, Mourão declarou que estava em casa e tomou conhecimento das invasões por meio do noticiário na televisão. “Estava dentro da piscina. Era nessa situação que eu estava.”

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Depoimentos

O STF ouve, até 2 de junho, testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa dos acusados de participação na tentativa de golpe de Estado no país. Os testemunhos tiveram início no dia 19 de maio.

Após os depoimentos, Bolsonaro e os demais réus serão convocados para interrogatório. A data ainda não foi definida.

Núcleo 1

Os oito réus que compõem o chamado núcleo crucial do golpe, o Núcleo 1, e tiveram a denúncia aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em 26 de março, são:

Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

. Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022;

General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;

. Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

. Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;

Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcelo Camargo

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Depoimento de ex-comandante da Aeronáutica reacende debate sobre bastidores golpistas no pós-eleição de 2022 https://jogodopoder.com.br/depoimento-de-ex-comandante-da-aeronautica-reacende-debate-sobre-bastidores-golpistas-no-pos-eleicao-de-2022/ Wed, 21 May 2025 17:52:24 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4254 O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, confirmou nesta quarta-feira (21), em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, chegou a ameaçar dar voz de prisão ao então presidente Jair Bolsonaro (PL), caso ele tentasse colocar em prática um plano de ruptura institucional após a derrota nas eleições de 2022.

A declaração contrasta diretamente com o depoimento prestado dois dias antes, na segunda-feira (19), pelo próprio general Freire Gomes, que negou ter feito qualquer tipo de ameaça. Já Baptista Júnior foi categórico: “Confirmo [a ameaça], sim, senhor. O general Freire Gomes é educado e não falou com agressividade ao presidente, mas foi isso que ele disse. Com calma e tranquilidade: ‘Se você tentar isso, eu vou ter que lhe prender’.”

O episódio teria ocorrido durante uma reunião no Palácio da Alvorada, em que o então presidente discutia, junto a comandantes das Forças Armadas, alternativas como o uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), além de decretos de Estado de Defesa ou Estado de Sítio — dispositivos constitucionais extremos que, segundo relatos, estariam sendo cogitados para contestar os resultados eleitorais.

Baptista Júnior reforçou que não houve uma ordem de prisão efetiva, mas sim uma advertência clara de que haveria consequências caso Bolsonaro insistisse em qualquer tentativa de golpe. Segundo ele, a fala de Freire Gomes foi firme, ainda que sem tom agressivo.

Outro momento delicado relatado pelo ex-comandante da Aeronáutica diz respeito a uma nova reunião, em 14 de novembro de 2022, quando o general Paulo Sérgio Nogueira, então ministro da Defesa, teria apresentado uma minuta de decreto golpista. Baptista afirmou que, ao entender a natureza do documento, recusou-se a sequer lê-lo e deixou a reunião imediatamente. “Perguntei: esse documento prevê a não posse do presidente eleito? Se sim, eu não admito sequer receber esse documento”, relatou.

Essa não foi a primeira vez que Baptista Júnior depôs no âmbito das investigações sobre uma suposta tentativa de golpe. Ele já havia citado anteriormente a existência de reuniões com conteúdo que, segundo sua avaliação, ultrapassavam os limites do debate democrático. Seu nome consta tanto na lista de testemunhas da Procuradoria-Geral da República (PGR), quanto nas defesas de Bolsonaro, do almirante Almir Garnier (Marinha) e do próprio general Paulo Sérgio Nogueira.

O depoimento, que inicialmente estava marcado para segunda-feira (19), foi remarcado após a defesa do ex-comandante informar que ele se encontrava fora do país.

Reflexões e implicações

As revelações de Baptista Júnior reforçam uma narrativa que, até pouco tempo, muitos consideravam especulativa: a de que, nos bastidores da transição de governo, setores do alto comando militar resistiram a pressões para endossar uma tentativa de ruptura democrática. Mais do que um confronto de versões, os depoimentos expõem o grau de tensão institucional que se viveu no fim de 2022 — e mostram que nem todos os militares estavam alinhados com os planos mais radicais do entorno do então presidente.

Se confirmadas, as informações revelam não apenas a existência de um plano de golpe, mas também que ele foi barrado internamente, por resistência de figuras-chave dentro das Forças Armadas. A história ainda está sendo escrita, mas os novos capítulos indicam que os desdobramentos judiciais e políticos podem ser mais profundos do que se imaginava.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Roque de Sá/Agência Senado

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Moraes abre audiência de depoimentos sobre trama golpista https://jogodopoder.com.br/moraes-abre-audiencia-de-depoimentos-sobre-trama-golpista/ Mon, 19 May 2025 20:17:02 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4167 O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu há pouco a audiência de depoimentos das testemunhas dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro é o relator do caso. 

Na tarde de hoje, serão ouvidas as primeiras testemunhas de defesa e de acusação que foram arroladas pela PGR, responsável pelas acusações contra os réus. Os depoimentos vão ocorrer por videoconferência e serão tomados simultaneamente para evitar a combinação de versões entre os depoentes.

O principal depoimento será do general Marco Antônio Freire Gomes, comandante do Exército no governo de Jair Bolsonaro. Ele teria ameaçado dar voz de prisão ao ex-presidente após receber a sugestão para que as tropas aderissem à trama golpista.

O empresário Eder Lindsay Magalhães Balbino também está na lista de depoentes. Dono de uma empresa de tecnologia da informação, ele é acusado de ajudar o PL, partido de Bolsonaro, na produção de um estudo para alegar fraudes nas urnas eletrônicas.

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A procuradoria também indicou para testemunhar Clebson Ferreira de Paula Vieira, servidor que trabalhou no Ministério da Justiça na gestão de Anderson Torres. Clebson teria presenciado a solicitação de relatórios de inteligência para embasar as operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) a fim de barrar o deslocamento de eleitores do Nordeste no segundo turno do pleito presidencial de 2022.

O ex-coordenador de inteligência da PRF Adiel Pereira Alcântara também vai prestar esclarecimentos.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, foi arrolado como testemunha de acusação e de defesa do ex-ministro Anderson Torres. No entanto, a PGR desistiu da indicação. Como testemunha de defesa, o governador não é obrigado a depor. A questão será decidida ao longo da audiência.

O depoimento é acompanhado virtualmente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e os ministros da Primeira Turma da Corte, responsável pelo julgamento do caso. 

Núcleo 1

Os oito réus compõem o chamado núcleo crucial do golpe, o núcleo 1, e tiveram a denúncia aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em 26 de março. São eles:

Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022;

General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;

Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Antônio Augusto/STF

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Governo Lula enfrenta crise de popularidade com fraudes no INSS https://jogodopoder.com.br/governo-lula-enfrenta-crise-de-popularidade-com-fraudes-no-inss/ Sun, 18 May 2025 16:19:42 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4131 O governo Lula vive um momento delicado após o escândalo de fraudes no INSS, que já começa a impactar sua popularidade, conforme apontam pesquisas recentes. No entanto, uma análise mais aprofundada revela que as raízes do problema remontam ao governo anterior, quando irregularidades se proliferaram sem qualquer ação efetiva para combatê-las. Agora, a administração atual tem o desafio de reverter a crise, mas também a oportunidade de mostrar que, pela primeira vez, o esquema está sendo de fato investigado.

A crise de imagem e os erros na gestão

O cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, avalia que o governo tem cometido falhas na condução da crise, reagindo tardiamente e mudando de posição em decisões importantes, como o apoio à CPI do INSS. Essa hesitação tem custado caro: pesquisas de opinião mostram que a desaprovação do presidente Lula, que vinha recuando, voltou a crescer.

Noronha alerta que, além do desgaste político, o governo pode enfrentar o afastamento de aliados do “centrão”, crucial para a base de apoio. Além disso, a CPI pode ofuscar eventuais boas notícias em um ano eleitoral, criando um cenário ainda mais desafiador.

A herança maldita de Bolsonaro: fraudes que se agravaram sem controle

O que pouco se discute, porém, é que as fraudes no INSS não são novidade – e se agravaram justamente no governo Bolsonaro, quando nenhuma medida eficaz foi tomada para estancá-las. Dados do próprio Ministério da Previdência mostram que:

  • Em 2022, último ano de Bolsonaro no poder, o número de benefícios irregulares identificados superou 100 mil, com indícios de fraude em mais de R$ 3 bilhões em pagamentos.

  • A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que, entre 2019 e 2022, houve um aumento de 47% nos processos de investigação de fraudes, mas sem punições significativas.

  • Nenhuma operação de grande porte foi deflagrada na época para desarticular esquemas criminosos, que só começaram a ser alvo de apurações mais rigorosas a partir de 2023, com a chegada do governo Lula.

Ou seja: o problema já existia, mas foi ignorado. Agora, com a CPI e as investigações em curso, o governo atual tem a chance (e o ônus) de mostrar que, pela primeira vez, o Estado está agindo para combater o esquema.

A Conafer e o esquema que Bolsonaro ignorou

O caso da Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais) é emblemático. A entidade desviou R$ 277 millhões de aposentadorias em 2024 contra R$ 40 milhões em 2019. Agiu à luz do dia durante a pandemia, quando o INSS fechou as portas sob gestão bolsonarista. Veja o que as investigações já revelaram:

  • Em 2021, o MPDFT e a PCDF já haviam descoberto 256 mil beneficiários com descontos ilegais;

  • A Conafer adicionou 73 mil filiações em plena pandemia (610 por dia!), sem que o INSS interviesse;

  • Justiça do DF negou operação contra a entidade em 2021, e o caso só foi retomado pela PF em 2024.

Ou seja: o esquema cresceu exponencialmente enquanto o governo federal assistia passivamente. A PF só agiu agora porque a CGU (sob Lula) priorizou o caso.

O risco da narrativa simplista

A oposição quer vender a ideia de que “tudo piorou com Lula”, mas os números da Conafer mostram o contrário: o auge do esquema foi 2020-2022, e só agora as investigações avançam. Se o governo não corrigir a narrativa, pagará por um crime que não cometeu – e deixará impune quem realmente permitiu o estrago.

Há caminho para a recuperação?

Apesar do cenário turbulento, o governo ainda pode reverter a situação negativa. Algumas ações podem ajudar:

  1. Transparência nas investigações – Mostrar à população que as fraudes estão sendo apuradas e punidas, destacando que o problema foi herdado, mas só agora está sendo enfrentado.

  2. Aceleração de medidas contra corrupção – Reforçar a atuação da CGU e da Polícia Federal para demonstrar eficiência no combate aos crimes.

  3. Comunicação clara – Evitar mudanças de discurso e explicar que, sem as investigações atuais, o esquema continuaria impune.

Se o governo conseguir alinhar uma narrativa consistente – mostrando que assumiu o problema deixado pelo anterior e está agindo para resolvê-lo –, pode transformar a crise em uma oportunidade de recuperar confiança. O desafio é grande, mas a omissão do passado pode ser justamente o argumento que falta para justificar as dificuldades do presente.

Por Damata Lucas – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Defesa de Bolsonaro pede novo adiamento de depoimentos no STF sob alegação de excesso de provas https://jogodopoder.com.br/defesa-de-bolsonaro-pede-novo-adiamento-de-depoimentos-no-stf-sob-alegacao-de-excesso-de-provas/ Sat, 17 May 2025 14:58:15 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4093 Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolaram, nesta sexta-feira (16), mais um pedido para postergar os depoimentos no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O recurso, dirigido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), alega que o volume de provas disponibilizado pela Polícia Federal (PF) é demasiadamente extenso e de difícil acesso técnico.

As testemunhas do chamado “núcleo 1”, acusado de liderar a suposta articulação golpista, deveriam começar a ser ouvidas na próxima segunda-feira (19). No entanto, a defesa argumenta que, somente nesta semana, a PF liberou três links contendo cerca de 40 terabytes de dados – um volume que, segundo os advogados, exigiria 178 horas ininterruptas para download, mesmo com uma conexão de internet de alta velocidade (500 Mbps).

“O efetivo acesso ao material probatório só será possível depois do início das audiências”, afirma o texto do pedido, assinado pelo advogado Celso Vilardi. Esta é a segunda tentativa de adiamento em poucos dias: na terça-feira (13), a defesa já havia alegado não ter tido tempo hábil para analisar todas as provas antes de se manifestar.

Um jogo de prazos ou uma estratégia de defesa?

O caso reacende o debate sobre a dilação processual – prática comum em processos complexos, em que a defesa busca mais tempo para analisar provas e preparar seus argumentos. Críticos, no entanto, enxergam nesses pedidos uma tática protelatória, especialmente em um processo de alta relevância política.

Por outro lado, especialistas em direito penal ponderam que, diante de um volume tão grande de dados, a dificuldade técnica pode ser legítima. “Se a defesa não teve acesso real ao material, há um risco concreto de violação ao direito de ampla defesa”, avalia um jurista ouvido sob condição de anonimato.

Enquanto o STF não se pronuncia, a tensão em torno do caso só aumenta. Se Moraes negar o adiamento, Bolsonaro e seus aliados terão que enfrentar os depoimentos na segunda-feira. Se conceder, a investigação ganha mais um capítulo de espera – e a sociedade, mais um motivo para questionar a celeridade da Justiça em casos de grande impacto político.

O que está em jogo? Além da acusação de tentativa de golpe, o processo pode definir os rumos políticos do ex-presidente e de seus aliados. Enquanto a defesa pede tempo, o Ministério Público e a PF pressionam por avanços. O STF, mais uma vez, está no centro da disputa.

Aguardemos a decisão.

Por Damata Lucas – Imagem:  José Dias/Palácio do Planalto

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Bolsonaro afirma que não deixará o país se for condenado: estratégia de mártir, apelo ao público ou cálculo político? https://jogodopoder.com.br/bolsonaro-afirma-que-nao-deixara-o-pais-se-for-condenado-estrategia-de-martir-apelo-ao-publico-ou-calculo-politico/ Fri, 16 May 2025 18:49:44 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4059 Em entrevista concedida nesta sexta-feira (16) à rádio Auriverde, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a negar envolvimento em qualquer plano de golpe de Estado e declarou que não deixará o Brasil, mesmo diante da possibilidade de uma condenação que pode levá-lo a até 39 anos de prisão. “Alguns falam que eu devia sair do Brasil. Não vou sair do Brasil, me prendam, pô. Está previsto quarenta anos de cadeia, me prendam”, afirmou.

Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) acusado de crimes graves, incluindo:

  • Organização criminosa armada;

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;

  • Golpe de Estado;

  • Dano qualificado contra o patrimônio da União;

  • Deterioração de patrimônio tombado.

Mesmo diante da gravidade das acusações, o ex-presidente manteve o tom irônico: “Qual crime? Crime impossível, da Minnie e do Pato Donald”, disse, reforçando sua postura de descrédito em relação à investigação.

A fala, no entanto, vai além de uma simples negativa: ao afirmar que “vai morrer na cadeia”, Bolsonaro projeta a imagem de um perseguido político, alguém que estaria sendo injustamente punido por suas convicções. “Tenho quarenta anos de cadeia no lombo, não tenho recurso para lugar nenhum, eu vou morrer na cadeia”, declarou, em tom dramático.

Vítima, mártir ou estrategista?

A postura adotada por Bolsonaro acende o debate sobre o verdadeiro objetivo de suas declarações. Seria um gesto de coragem e enfrentamento ou um movimento calculado para reforçar sua base de apoio e se posicionar como mártir? A narrativa da perseguição tem sido recorrente entre líderes populistas ao redor do mundo que enfrentam investigações judiciais. No Brasil, o bolsonarismo já demonstrou habilidade em mobilizar massas por meio de símbolos de resistência, mesmo diante de acusações concretas.

Ao se dizer disposto a ser preso e assumir que pode morrer atrás das grades, o ex-presidente tenta construir uma imagem messiânica — alguém que “sacrifica-se pelo povo”. Esse discurso pode servir tanto para galvanizar apoio entre seus seguidores mais fiéis quanto para pressionar instituições democráticas, sugerindo que qualquer decisão contra ele é, na verdade, uma ação contra o povo e a liberdade.

Cálculo político em ano eleitoral

A entrevista também deve ser lida no contexto da movimentação política para as eleições municipais de 2024 e o cenário de 2026. Impedido de disputar cargos eletivos por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro ainda exerce forte influência no campo da direita, sendo uma peça-chave na articulação de candidaturas ligadas ao seu nome.

Assim, ao reforçar a narrativa de perseguição e injustiça, Bolsonaro alimenta um discurso que pode manter sua presença política viva, ainda que fora das urnas. É uma estratégia arriscada, mas que pode ser eficaz diante de um eleitorado polarizado e cético quanto às instituições.

O STF e a tensão institucional

A disposição pública de enfrentar o STF — com ironias, provocação e desprezo pelo processo judicial — intensifica a já desgastada relação entre os Poderes. O Supremo, por sua vez, caminha com cautela, mas firmeza, na condução do processo, que envolve também militares e aliados políticos próximos de Bolsonaro.

A possibilidade de prisão, ainda que juridicamente fundamentada, poderia provocar reações imprevisíveis na base bolsonarista. Nesse cenário, a declaração de que permanecerá no Brasil pode ser uma tentativa de evitar que uma eventual ordem de prisão seja lida como “fuga de responsabilidade” — e, com isso, desgastar sua própria imagem.

Conclusão

Bolsonaro não está apenas se defendendo das acusações — está jogando com a opinião pública. Ao se colocar como vítima e mártir, o ex-presidente investe em uma narrativa emocional, que já se provou eficaz em sua trajetória política. Resta saber se esse discurso encontrará eco suficiente para reverter um possível desfecho jurídico desfavorável — ou se, ao final, sua estratégia acabará por fortalecer o cerco institucional que hoje o ameaça.

Por Damata Lucas – Imagem: STF/Antônio Augusto

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Bolsonaro reafirma desejo de disputar eleições de 2026, apesar da inelegibilidade https://jogodopoder.com.br/bolsonaro-reafirma-desejo-de-disputar-eleicoes-de-2026-apesar-da-inelegibilidade/ Wed, 14 May 2025 19:02:43 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3981 Mesmo inelegível até 2031 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a afirmar, nesta quarta-feira (14), que seguirá com sua pré-candidatura à Presidência da República “até o último segundo”. A declaração foi feita durante entrevista ao portal UOL, onde também sugeriu que governadores aliados questionem publicamente sua inelegibilidade.

“Eu gostaria que os governadores falassem: ‘O Bolsonaro está inelegível por quê?’. Se eu for condenado, acabou. Até pela minha idade, acabou. Espero que não aconteça”, disse o ex-mandatário. Aos 69 anos, Bolsonaro enfrenta não apenas os efeitos das condenações no TSE, mas também uma série de investigações criminais que podem definir de forma definitiva seu futuro político.

Inelegibilidade e condenações

O TSE declarou Bolsonaro inelegível em 2023, em duas ações distintas. A primeira, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, após uma reunião com embaixadores em julho de 2022, na qual atacou o sistema eleitoral brasileiro sem apresentar provas. A segunda, por abuso de poder político e econômico nas comemorações do 7 de setembro de 2022, transformadas em palanque eleitoral em plena campanha.

Além dessas condenações, Bolsonaro é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envolvimento na tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022. O avanço dessas investigações pode resultar em consequências ainda mais graves, inclusive penais, o que inviabilizaria qualquer projeto político.

Disputa interna e o futuro da direita

Apesar das barreiras jurídicas, Bolsonaro mantém sua influência sobre uma parte expressiva do eleitorado e da classe política conservadora. Sua fala nesta semana reflete não apenas um ato de resistência pessoal, mas também uma tentativa de manter o controle simbólico sobre a direita brasileira — hoje fragmentada entre figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-presidente Michel Temer, que busca construir uma alternativa moderada para 2026.

Tarcísio, tido como nome mais viável à sucessão dentro do campo bolsonarista, tem evitado se colocar como presidenciável, reiterando seu projeto de reeleição ao governo de São Paulo. “Tenho uma dívida de gratidão com o Bolsonaro”, costuma dizer o governador. Bolsonaro, por sua vez, elogia o ex-ministro da Infraestrutura, mas destaca que Tarcísio ainda precisa “aprender a engolir sapo”, referindo-se à experiência política.

Michel Temer, embora discretamente, tenta se posicionar como articulador de uma direita mais moderada, sem a presença do ex-presidente ou de seus seguidores mais radicais. Essa movimentação escancara a divisão interna do campo conservador, que, sem um nome unificador e viável juridicamente, pode enfrentar dificuldades em 2026.

O desafio do bolsonarismo sem Bolsonaro

A insistência do ex-presidente em manter-se como referência eleitoral, mesmo diante das decisões judiciais, pressiona seus aliados e embaralha o tabuleiro político da direita. Sem uma definição clara sobre sua elegibilidade até 2026, o bolsonarismo vive um impasse: ou encontra um novo nome que represente seu legado, ou arrisca chegar às urnas sem liderança consolidada.

A movimentação de Bolsonaro, portanto, deve ser lida menos como uma promessa de candidatura e mais como uma estratégia de sobrevivência política. Ao manter viva a ideia de retorno, ele tenta conservar capital eleitoral, evitar o esvaziamento de sua base e influenciar as escolhas da direita em um cenário ainda incerto.

Por Damta Lucas – Imagem: 

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Bolsonaro participa de manifestação em Brasília e pede anistia dos presos pelo 8 de janeiro https://jogodopoder.com.br/bolsonaro-participa-de-manifestacao-em-brasilia-e-pede-anistia-dos-presos-pelo-8-de-janeiro/ Wed, 07 May 2025 23:12:28 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3706 O ex-presidente Jair Bolsonaro participou neste domingo de uma manifestação em Brasília que reuniu apoiadores e parlamentares aliados, com pedidos de anistia para os envolvidos na tentativa de golpe em 2022. O ato foi organizado pelo pastor Silas Malafaia e contou também com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e de mais de uma dezena de parlamentares próximos ao ex-presidente.

Mesmo ainda em recuperação de uma internação hospitalar de três semanas — após uma cirurgia no intestino — Bolsonaro decidiu comparecer ao evento apenas três dias após receber alta. Sua presença foi bastante destacada pelos organizadores e apoiadores, que o aplaudiram enquanto ele subia ao palco montado no Eixo Monumental.

Durante seu discurso, Bolsonaro defendeu que a anistia é uma prerrogativa exclusiva do Parlamento. “Anistia é um ato privativo do Legislativo, é a casa do povo que decide”, afirmou o ex-presidente, que também criticou o que classificou como perseguição política contra seus apoiadores.

Os manifestantes ocuparam cerca de duas faixas do Eixo Monumental e, em sua maioria, vestiam camisetas da seleção brasileira e carregavam faixas pedindo anistia para os condenados e investigados pelos atos antidemocráticos de 2022. Até o momento, a Polícia Militar não divulgou uma estimativa oficial de público presente.

Decisão do STF

Na última semana, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu tornar réus Jair Bolsonaro e mais 20 aliados, sob a acusação de tentativa de golpe de Estado. Os cinco ministros do colegiado votaram por aceitar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou a atuação do ex-presidente e de seu núcleo próximo na elaboração e execução de um plano para subverter o resultado das eleições presidenciais de 2022.

Segundo o STF, há indícios consistentes de que Bolsonaro e os aliados participaram de uma “tentativa deliberada de ruptura institucional”, incluindo articulações com militares, disseminação de desinformação e estímulo a atos golpistas. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a gravidade das acusações exige resposta firme da Justiça para proteger a ordem democrática.

Reação da oposição

A oposição ao governo atual, por sua vez, argumenta que os processos contra Bolsonaro e seus apoiadores configuram perseguição política e tentativa de silenciar a direita no Brasil. Parlamentares aliados e líderes conservadores têm dito que a anistia seria um gesto necessário para pacificar o país e reconstruir a unidade nacional.

Por outro lado, a cúpula do Congresso Nacional, liderada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, já se manifestou publicamente contra qualquer iniciativa de anistia a condenados ou investigados por atos antidemocráticos. Para os líderes do Legislativo, aprovar uma medida desse tipo significaria fragilizar as instituições e enviar uma mensagem equivocada à sociedade.

O tema deve permanecer no centro do debate político nos próximos meses, com impacto direto não apenas no futuro de Bolsonaro e seus aliados, mas também no clima institucional entre os Poderes.

Por Damata Lucas – Imagem: Joédson Alves/Agência/Brasil

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Bolsonaro anuncia alta hospitalar e retoma agenda política em Brasília https://jogodopoder.com.br/bolsonaro-anuncia-alta-hospitalar-e-retoma-agenda-politica-em-brasilia/ Sun, 04 May 2025 13:04:05 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3595 O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou nas redes sociais que deve receber alta hospitalar na manhã deste domingo (4), após permanecer internado por três semanas em Brasília. Ele foi submetido no dia 13 de abril a uma cirurgia de desobstrução intestinal, que durou mais de 12 horas.

“Depois de três semanas, alta prevista para hoje, domingo, às 10h. Obrigado meu Deus por mais esse milagre (12 horas de cirurgia)”, escreveu Bolsonaro em publicação na manhã deste domingo. Ele acrescentou que volta para casa “renovado” e que seu próximo compromisso será acompanhar a Marcha Pacífica da Anistia Humanitária, prevista para esta semana, em Brasília.

O boletim médico mais recente, divulgado no sábado (3), indicava que o ex-presidente permanecia estável, realizando fisioterapia motora diariamente e seguindo medidas de prevenção à trombose venosa. A equipe médica havia previsto a alta hospitalar para os próximos dias, mantendo a orientação de restrição de visitas.

Com o retorno à residência, Bolsonaro sinaliza também sua retomada ao cenário político nacional, após um período de recuperação longe das atividades públicas. A expectativa agora se volta para sua participação na marcha pela anistia, movimento que reúne apoiadores e busca pressionar por benefícios jurídicos a investigados e condenados por envolvimento em atos antidemocráticos.

Aliados políticos já consideram a presença de Bolsonaro na marcha como um gesto importante de reaproximação com a base bolsonarista e um indicativo de que ele pretende intensificar sua atuação política nos próximos meses, mesmo diante de desafios judiciais e investigações em curso.

A volta do ex-presidente ocorre em um momento sensível para a direita brasileira, que busca reorganizar suas forças e se articular para as eleições municipais de 2026.

Edição: Damata Lucas – Imagem: X

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