américa latina – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Mon, 26 May 2025 13:11:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png américa latina – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Maduro conquista quase todos os governos regionais em eleições contestadas na Venezuela https://jogodopoder.com.br/maduro-conquista-quase-todos-os-governos-regionais-em-eleicoes-contestadas-na-venezuela/ Mon, 26 May 2025 13:11:18 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4421 O presidente venezuelano Nicolás Maduro e seu partido, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), conquistaram uma vitória esmagadora nas eleições legislativas e regionais realizadas neste domingo (25). A votação, marcada por um amplo boicote da oposição e por denúncias de repressão política, resultou em mais um fortalecimento do chavismo no poder, aumentando as preocupações sobre o futuro da democracia no país e seus reflexos no cenário latino-americano.

Segundo dados oficiais divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o PSUV venceu em 23 dos 24 estados venezuelanos, perdendo apenas no estado de Cojedes, no centro-oeste. Nas listas nacionais para o legislativo, a coligação governista obteve 82,68% dos votos, enquanto os resultados por círculo eleitoral ainda estão sendo apurados.

A participação popular, de acordo com o CNE, foi de pouco mais de 42%, número contestado por diversos setores da oposição, que denunciaram falta de transparência e intimidação nas ruas.

Clima de repressão e intimidação

O pleito foi realizado sob forte aparato de segurança. Mais de 400 mil agentes foram mobilizados para garantir a realização da votação. Ao longo do processo eleitoral, pelo menos 70 pessoas foram detidas, entre elas o líder opositor Juan Pablo Guanipa, aliado de María Corina Machado. Ele foi preso na sexta-feira anterior à eleição, acusado de integrar uma “rede terrorista” que, segundo o governo, pretendia sabotar o processo.

A repressão, no entanto, não se restringiu ao dia do pleito. Os distúrbios pós-eleitorais que ocorreram após as eleições presidenciais de 28 de julho deixaram um saldo de 28 mortos e mais de 2.400 detenções. De acordo com dados oficiais, 1.900 dessas pessoas já foram libertadas.

Oposição dividida entre o boicote e a participação

Grande parte da oposição decidiu não participar das eleições, alegando falta de garantias mínimas para um pleito justo. “Não vou votar porque votei em 28 de julho e eles roubaram as eleições. É uma farsa”, afirmou Candelaria Rojas Sierra, 78 anos, aposentada em San Cristóbal, ao se dirigir à missa, onde disse que rezaria “pela Venezuela”.

Do exílio, o ex-candidato Edmundo González Urrutia, que se declara vencedor das eleições presidenciais de julho, classificou o pleito como uma “declaração silenciosa de resistência” e reafirmou a busca por mudanças democráticas no país.

Já María Corina Machado, principal liderança da oposição, voltou a convocar os militares a se posicionarem: “O país exige que as Forças Armadas cumpram seu dever constitucional. Agora é o momento de agir”, declarou em vídeo divulgado nas redes sociais.

Em contrapartida, o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, eleito na lista nacional, defendeu a estratégia de permanecer no jogo institucional: “O que é melhor? Ter uma voz e lutar na Assembleia ou deixar tudo nas mãos do governo?”, questionou.

Disputa internacional: a questão de Essequibo

Em meio às disputas internas, o governo Maduro também deu mais um passo na escalada de tensão com a vizinha Guiana. O regime chavista realizou eleições para escolher um governador e oito deputados para a região de Essequibo — território rico em petróleo que é administrado pela Guiana, mas reivindicado historicamente pela Venezuela.

A votação, organizada nas fronteiras e não no próprio território de 160 mil km², elegeu o almirante Neil Villamizar como “governador do Essequibo”. A decisão provocou reação imediata do presidente guianense Irfaan Ali, que classificou a medida como uma “ameaça direta” à soberania de seu país.

Maduro respondeu com veemência: “Mais cedo ou mais tarde, Irfaan Ali terá que se sentar comigo para discutir e aceitar a soberania venezuelana. Vamos recuperar o Essequibo”, afirmou o presidente.

Isolamento internacional e riscos para a região

A vitória do chavismo em meio a denúncias de fraude, repressão e perseguição política acirra o isolamento diplomático da Venezuela e gera preocupação entre governos e organismos multilaterais na América Latina. A condução autoritária do processo eleitoral e a insistência de Maduro em reivindicar o Essequibo criam um clima de instabilidade que ultrapassa as fronteiras do país.

Com uma economia em colapso, um regime cada vez mais fechado e uma oposição fragmentada entre o boicote e a participação institucional, a Venezuela segue em um impasse político que desafia as instituições regionais e coloca em xeque os princípios democráticos no continente.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Leandra Felipe / Agência Brasil

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Inteligência artificial impactará menos da metade dos empregos na América Latina https://jogodopoder.com.br/inteligencia-artificial-impactara-menos-da-metade-dos-empregos-na-america-latina/ Sat, 29 Mar 2025 14:26:34 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2120 O Fundo Monetário Internacional, FMI, divulgou uma análise sobre o futuro do setor laboral na América Latina em frente à crescente influência da inteligência artificial, IA.*

Segundo a instituição, menos da metade dos postos de trabalho na região será impactada fortemente pela inteligência artificial por causa da baixa exposição à nova tecnologia e o grande número de atividades informais.

Portas abertas para investimentos

Para o FMI, essa é uma barreira que deixará alguns países de fora dos benefícios econômicos da inteligência artificial, a não ser que ocorra uma ampliação do acesso digital e mais formalização no setor laboral.

América Latina e Caribe concentram grande índice de trabalhadores na informalidade. As empresas informais são pequenas e não têm muito acesso aos sistemas financeiros e jurídicos que conectam e organizam a economia abrindo as portas para atrair investimentos.

Sem recursos, elas também têm poucas chances de adotar novas tecnologias e adquirir treinamento especializado para sua mão-de-obra.

Mais de 2/3 dos trabalhadores na informalidade

Gráfico da Semana, divulgado pelo FMI, mostra que a inteligência artificial é mais aproveitada em economias desenvolvidas, como as do Reino Unido e dos Estados Unidos, onde o setor formal é mais amplo para os empregados.

Na América Latina, por exemplo, três países têm mais de dois terços de seus trabalhadores atuando na informalidade: Bolívia, Peru e Honduras, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, OIT.

Na América Latina, três países têm mais de dois terços de seus trabalhadores atuando na informalidade
FMI
Na América Latina, três países têm mais de dois terços de seus trabalhadores atuando na informalidade

Para o FMI, “a exposição relativamente baixa à IA pode ajudar a região a evitar rupturas mais imediatas, porém os países também correm o risco de perder todos os benefícios do crescimento econômico impulsionado pela inteligência artificial”.

A instituição indica num documento de trabalho recente que cerca de 50% dos postos de trabalho expostos, como os da área da saúde, teriam a ganhar com a produtividade reforçada pela inteligência artificial sem grandes prejuízos ou demissões.

O órgão internacional acredita que aumentar o emprego na formalidade beneficiária a América Latina e impulsionará o crescimento da economia.

*Com colaboração do FMI.

Fonte: ONU News – Imagem: © OIT/BMF Media

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