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Sem apoio: Ciro Nogueira não consegue unir seu partido e tenta duvidosa candidatura

O fazer política não propositiva, não muito recomendada e pouco convincente tem caracterizado o senador piauiense Ciro Nogueira (foto acima), presidente nacional do Progressistas. Ele imagina que vai criar um fato político estrondoso com o lançamento do seu próprio nome, na próxima segunda-feira (26), como postulante ao cargo de governador do Estado nas eleições de 2022. Mas, antes, o senador deveria ter se preocupado em unir o próprio partido, que, com a exceção de alguns parlamentares da sigla, estão todos com os dois pés na base e na própria administração do governador Wellington Dias (PT), contra o qual o congressista vem fazendo oposição desde meados do ano passado.

Talvez esse evento político do dia 26 tenha sido a única forma encontrada pelo senador para tentar aglutinar ao seu lado parlamentares estaduais e federais do partido, além de lideranças da sigla, que tanto em Teresina como em vários municípios do interior do estado, em grande parte, estão com aquele que vai conduzir os rumos da eleição de 2022 – Wellington Dias, como atesta a sua volumosa densidade político-eleitoral de há muito tempo. Então, será que todos os progressistas vão abandonar seus postos no atual governo e na base política do grupo do petista para se aventurar numa candidatura meio duvidosa do senador? Difícil acreditar que vão.

Ora, o senador Ciro Nogueira vem atentando contra as lideranças e parlamentares do próprio partido, quando se lança a uma oposição sanguinária contra a gestão do governador Wellington Dias, considerando que grande parte das ações da atual administração estadual é concebida, conduzida e gerenciada por integrandes do Progressistas, com total apoio do chefe do Poder Executivo. Soa estranho que o senador venha agora criticar o governo que por tantos anos apoiou e continua tendo em áreas estratégicas gente do seu próprio partido.

Um exemplo disso é a Secretaria de Estado dos Transportes, cujo gestor é o deputado estadual Hélio Isaías, do Progressistas. Segundo ele, não há nenhum comunicado do partido e nem do senador sobre eleição. “Continuarei trabalhando na minha secretaria até quando tiver indicação do governador Wellington Dias”, frisou. Já a deputada federal Margarete Coelho, também do Progressistas e que já foi vice-governadora de Wellington Dias, tem uma irmã, a jornalista Sádia Castro, como secretária de Estado do Meio Ambiente na administração estadual. Sem contar que outros nomes importantes, como dos deputados Wilson Brandão e Firmino Paulo, estão de corpo e alma no Governo de Wellington Dias. Como o senador Ciro Nogueira pretende administrar isso?


Deputados estaduais Wilson Brandão e Hélio Isaías


Deputado estadual Firmino Paulo e deputada federal Margarete Coelho

Alguns entendem que essa atitude de Ciro Nogueira em se lançar candidato ao governo seja uma forma de sinalizar a esses ‘rebeldes’ que ou estão com ele ou estão contra ele. Só que essa é uma forma não republicana de convencimento de suas lideranças, porque denota falta de maturidade ou de disposição política para promover o diálogo. Ou até mesmo ausência de horizontes e de futuro promissor e sólido que venham a induzir os progressistas governistas a sair da zona de segurança para mergulhar na escuridão do futuro das incertezas.

Jogo do Poder