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Secretários de Saúde culpam Bolsonaro por crise das vacinas e defendem permanência de Pazuello

O cancelamento da compra da vacina chinesa por parte de Jair Bolsonaro irritou governadores e secretários estaduais de Saúde e uniu boa parte deles em um mesmo norte: na defesa pela permanência do ministro Eduardo Pazuello.

Todos culpam o presidente da República pelo episódio, considerado inacreditável. Alguns também veem responsabilidade de João Doria (PSDB-SP) na confusão. Segundo palavras deles, o tucano se aproveita politicamente da situação e já está em campanha.

Ao Painel, secretários mantiveram nesta quarta (21) os mesmos elogios que vinham fazendo a Pazuello. Vários usam como argumento o receio de quem poderia vir a substituí-lo. A primeira versão de uma carta publicada por eles em defesa da ciência tinha trechos em apoio ao ministro. Tiraram, com medo de ter efeito contrário.

“Pazuello tem sido um ministro diligente e cada vez mais comprometido com o SUS. Não vejo motivo para mudança no comando do ministério, o que seria o pior desfecho possível para esse episódio”, afirma Fabio Vilas-Boas, secretário da Bahia.

“Pazuello tem que continuar no cargo. E enfrentar com altivez sua postura de ontem [terça], aquela manifestada em reunião com os governadores”, diz Geraldo Resende, secretário do Mato Grosso do Sul.

“Toda mudança em um cenário de crise sempre representa fragilidade e fragmentação do processo de trabalho. Já entramos em uma linha de ação junto ao Ministério da Saúde que tem sido positiva e uma fragilidade dessas fragmenta essa atuação. Vamos continuar em um caminho que tem dado bons frutos”, diz Juan Mendes Silva, do Amapá.

“O estado do Rio Grande do Sul considera que o ministro tem feito uma política pública respeitando as pactuações com as instâncias estaduais e municipais. É um ministro do diálogo, que ouve, e tem encaminhado as principais demandas, especialmente no Covid, de forma sempre pronta, ajudando os estados”, diz Arita Bergmann, do Rio Grande do Sul. “A escolha da vacina tem que ser técnica, e não política. Tem que ter eficiência e comprovação de que ela é segura”, completa.

“Na verdade, o cerne do discurso não mudou. Ontem [terça] nos foram apresentadas algumas vacinas e seus status, a maioria já na fase 3, carecendo de conclusão e registro. Foi dito ontem [terça] que as vacinas que tiverem respeitado todas as fases de testes, apresentarem segurança de uso e forem aprovadas pela Anvisa, serão adquiridas pelo Ministério da Saúde e distribuídas pelo Programa Nacional de Imunizações. E isso foi repetido hoje [quarta]. Então, observando o epicentro do discurso, não mudou”, diz Ismael Alexandrino, de Goiás.

“Quanto ao ministro Pazuello, creio que deva continuar, pois tem apresentado boa resposta logística (o que num cenário de pandemia, de guerra, é fundamental) e tem se mostrado aberto ao diálogo conosco”, completa.

“Firmamos positivo diálogo com o Ministério da Saúde. Neste sentido, o ministro Pazuello também tem sinalizado abertura para as demandas do Paraná. Temos debatido o Programa Nacional de Imunização de forma técnica, sem viés político. E sobre qual vacina deverá ser colocada à disposição, estamos aguardando esse processo, capitaneado pelo Ministério da Saúde, até porque temos diversas tentativas em andamento”, afirma Beto Preto, do Paraná.

Para governadores, a ira de Bolsonaro foi o combo Doria + China. Na reunião para anunciar que iria adquirir o imunizante, Pazuello deu explicações. “A vacina do Butantan será uma vacina brasileira. Com isso, o registro entra pela Anvisa, (…) e isso dá mais segurança.”

Posicionados pragmaticamente do mesmo lado de Doria, pró-vacina do Butantan, alguns dos secretários se queixam nos bastidores da postura do governador. Eles dizem que a forma com que o tucano lida com o tema ajuda na politização.

Na reunião entre governadores e Pazuello, causou surpresa uma atitude de Doria: fez chamada de presença dos participantes, convocando-os pelos nomes. Pazuello prontamente assumiu o comando da conversa. (Folha)

Redação