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Rússia propõe tratado aos EUA e à Otan com limites para armas nucleares

A Rússia enviou aos Estados Unidos e à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) um grande “tratado de paz”, com nove artigos, com a intenção de acalmar a situação no leste europeu, especialmente na crise com a Ucrânia.

O anúncio foi feito hoje pelo Ministério das Relações Exteriores. Conforme a pasta, o documento foi entregue no dia 15 de dezembro.

Entre as medidas, citadas por vários veículos de imprensa russos, há a criação de uma “linha direta” entre Moscou e Otan, a promessa por parte dos norte-americanos de “não expandir” a Otan para países da região e não aceitar membros que faziam parte da União Soviética.

“As partes deverão resolver todas as controvérsias internacionais em suas relações mútuas por meios pacíficos e abster-se do uso ou ameaça de força de qualquer forma incompatível com os propósitos das Nações Unidas”, diz o início do texto.

Outro ponto abordado, no artigo 7, é que Rússia e EUA devem “evitar a implantação de armas nucleares fora de seus territórios nacionais” e que levem de volta para suas nações “as armas já entregues fora de suas fronteiras no momento de entrada em vigor desse tratado”.

“As partes eliminarão todas as infraestruturas existentes para o envio de armas nucleares para fora do território nacional. [Também] não treinarão equipes militares ou civis de países que não possuem armas nucleares ao uso de tal armas”, diz ainda o texto.

O tratado cita a mesma questão para a instalação de bases militares no exterior, mas destaca, especialmente, que não poderão ser criadas nos países que formavam a União Soviética.

O documento proposto pelos russos ainda pede que “os exercícios militares da Rússia e da Otan devem ser planejados e conduzidos de forma que reduzam riscos de situações perigosas eventuais de acordo com suas obrigações sob a lei internacional, incluindo aquelas envolvidas em acordos intergovernamentais na prevenção de incidentes nas águas territoriais marítimas e seu espaço aéreo”.

A tensão na região se ampliou de maneira exponencial nas últimas semanas, com os russos enviando milhares de soldados – seriam cerca de 90 mil – à área de fronteira ucraniana.

A medida foi vista pelos ocidentais, incluindo a União Europeia, como uma tentativa de invasão do território vizinho.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou por mais de uma vez que só queria “garantir” a segurança do país, mas deixou claro que a medida foi tomada por conta do desejo do governo ucraniano de se unir à Otan.

Além disso, Putin reclama constantemente dos exercícios da Otan no Mar Negro.

Mas os líderes ocidentais não se contentaram com essa informação e disseram que estão prontos para aplicar “graves sanções” políticas e econômicas contra Moscou se houver qualquer movimento militar na Ucrânia.

Atualmente, o país já vive sob sanções europeias que, inclusive, foram estendidas por mais seis meses e vigorarão, ao menos, até 31 de julho de 2022.

A crise na região se arrasta desde o fim de 2013 quando o então presidente, Viktor Yanukovych, se negou a assinar um acordo de cooperação entre Kiev e UE. A medida abriria as portas para os ucranianos, no futuro, fazerem parte formalmente do bloco.

A decisão do mandatário foi alvo de grandes protestos diários da população – ele caiu em fevereiro de 2014 – e a Rússia, que era contrária à adesão, aproveitou o momento de “fragilidade” para anexar o território da Crimeia, tendo acesso ao Mar Negro, e apoiando grupos separatistas na região do Donbass.

Em 2015, o acordo de Minsk, intermediado por França e Alemanha, colocou fim ao conflito bélico em si, mas a situação nunca voltou à normalidade. Agora, com a nova aproximação entre Kiev e os países ocidentais, a crise voltou a se agravar.

Fonte: Ansa