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Representantes culturais assinam manifesto a candidatos pelo resgate da Lei A. Tito Filho destruída pelos tucanos

É crime sem precedentes a atitude de uma gestão que caminha na contramão do mundo ao destruir iniciativas de promoção da identidade cultural de uma nação, de um estado, de uma cidade, como se observa ao longo dos anos em Teresina. Já não basta a omissão no processo de destruição do patrimônio histórico do município, da memória cultural da cidade. A gestão tucana que se sucede na capital do Piauí ao longo de décadas deu um golpe de misericórdia no segmento que bravamente sobrevive da cultura, ao paralisar e praticamente extinguir há 12 anos a Lei A. Tito Filho, de incentivo cultural. Agora, os artistas da terra levantam a voz, protestam e apelam para que os candidatos que aí estão concorrendo às eleições municipais deste ano revejam essa injustiça, esse crime, e aquele que sair vitorioso, resgate, recupere e fortaleça esse mecanismo que foi instinto na era do PSDB na administração municipal.

Artistas, dramaturgos, diretores e produtores culturais de grande legado à cultura de Teresina fizeram um ato de protesto, na Avenida Frei Serafim, na manhã desta segunda-feira, 12 de outubro, ao redor da estátua do ex-prefeito Wall Ferraz, grande incentivador da cultura em sua cidade e em cuja gestão criou o Projeto Cultural A. Tito Filho – Lei A. Tito Filho -, em 1993, baseada na Lei Rubem Braga, de Curitiba, Paraná, e apresentada pelo então presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, Aci Campelo, hoje presente na manifestação. “Estamos postados diante da estátua de Wall Ferraz, grande prefeito de Teresina, rogando que o seu legado de homem público comprometido com a cultura possa inspirar as candidatas e candidatos a prefeito nos seus projetos e compromissos para a administração de nossa capital”, diz o manifesto divulgado pelos manifestantes.

Ressalta ainda o manifesto: “Tomamos essa atitude porque Teresina é uma cidade alegre, de um povo hospitaleiro e acolhedor! Na raiz dessa alegria está a criatividade e o talento de seus artistas e de seus criadores, nos diversos campos da Cultura e da atividade artística. Cantada em prosa e versos por seus poetas, escritores e músicos, é moldada pelas mãos de seus artesãos, artistas plásticos, cineastas, fotógrafos e interpretada por seus atores e atrizes”.

Eles fazem apelo aos candidatos: “Senhores candidatos e candidatas, para que tudo isso continue é preciso assegurar mecanismos de investimento na área cultural, como forma não só de sustentabilidade de nossa arte, mas também de descobrir novos talentos e valores nos diversos campos da Cultura. Por isso, através desse manifesto, estamos reivindicando a qualquer um de Vossas Senhorias que seja eleito a prefeito de Teresina, o compromisso de restabelecer o Projeto Cultural A.Tito Filho, a Lei A. Tito Filho, da Prefeitura de Teresina, criada pelo saudoso professor Wall Ferraz, quando prefeito de nossa capital”.

Wall Ferraz morreu no dia 22 de março de 1995, deixando esse mesmo grupo no poder, que na sombra do ex-professor e ex-prefeito tem, desde então, mantido-se no poder, mas simplesmente destruindo aos poucos o legado que ele deixou.

“No período em que a administração municipal garantiu a sua efetividade, a Lei A. Tito Filho propiciou a realização de inúmeros eventos culturais. Dezenas de livros foram lançados; peças teatrais foram encenadas; filmes foram produzidos; festivais de música e dança realizados. Há 12 anos, após modificações introduzidas pela administração municipal, a Lei A.Tito Filho, que recebeu esse título em homenagem a uma personalidade ilustre que amava Teresina, está parada, seus objetivos originais esquecidos, causando enorme prejuízo ao desenvolvimento cultural da cidade”, continua o manifesto.

“Na ausência de política pública que dê sustentação à produção cultural em Teresina, atores, atrizes, artistas plásticos, bailarinos e bailarinas, escritores e poetas, com seus projetos debaixo do braço, perambulam por gabinetes, públicos e privados em busca de apoio, recebendo, invariavelmente, ‘chá de cadeira’ e, quando recebidos, um ‘não’. Para completar o quadro de inanição do sistema de apoio à cultura em Teresina, a administração municipal extinguiu o Festival de Cinema e Vídeo, o Festival de Teatro nos Bairros, o Salão de Artes Plásticas, o projeto Enquanto o Ônibus Não Vem”, salienta o documento, citando a esteira de crimes bárbaros cometidos contra o desenvolvimento cultural de Teresina.

“Nesse ambiente de desprestígio da cultura, sofrem artistas, fragiliza-se a economia, perde a cidade. Quando a cidade perde, na verdade, quem perde é o povo, pois, como dizia incansavelmente o inesquecível prefeito Wall Ferraz, ‘A cidade é o povo’.

Agora, pode-se dizer que a ‘a cidade é o tucano’ que fez do Palácio da Cidade ninho eterno.

“Por tudo isso, esse manifesto pede à candidata ou candidato eleito para a prefeitura de Teresina o compromisso com a cultura, fazendo valer a Lei A.Tito Filho para o bem de todos”, finaliza o manifesto, assinado pelo dramaturgo Aci Campelo.

Participaram do manifesto Durvalino Couto, jornalista e poeta; Soraya Guimarães, produtora; Luiz Sá, produtor e educador musical; Mariano Gomes, ator e educador; Wellington Soares, escritor e professor; Arimatan Martins, diretor teatral; Fernando Freitas, ator e coreógrafo; Giovanni Costa, produtor; Elton Arruda, professor, além de Airton Martins, ator e produtor cultural, entre outros.

Sobre a Lei A. Tito Filho

Redação