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Papa Francisco recusa reunião com Pompeo e Vaticano condena tentativa de uso político da Igreja

O papa Francisco recusou o pedido feito pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, para uma audiência e o vaticano condenou a tentativa feita por ele de tentar colocar a Igreja Católica no centro do debate das eleições presidenciais norte-americanas.

“Sim, ele (Mike Pompeo) pediu. Mas o papa já havia dito claramente que figuras políticas não são recebidas em períodos eleitorais. Essa é a razão”, disse o cardeal e secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin. Recentemente, Pompeo tem apelado à “autoridade moral” da Igreja Católica para criticar um acordo entre Vaticano e Pequim para a nomeação de bispos católicos chineses. A administração de Donald Trump vem subindo o tom das críticas à China em meio à uma disputa comercial cada vez mais profunda.

“Normalmente, quando você está preparando essas visitas entre funcionários de alto escalão, você negocia a pauta sobre o que vai falar em particular, confidencialmente. É uma das regras da diplomacia”, comentou o arcebispo Paul Gallagher, ministro das Relações Exteriores do Vaticano.

De acordo com o site Faro di Roma, Pompeo havia tido o despautério de afirmar que o Vaticano perderia sua “autoridade moral” se decidisse confirmar o acordo entre a Santa Sé e a China sobre como nomear bispos. É mais do que uma interferência, é uma tentativa de colocar a Igreja no fronte da guerra comercial e midiática que os EUA estão desencadeando contra Pequim. Durante seu pontificado, Papa Francisco defendeu com grande vigor o multilateralismo e o diálogo. A abordagem de Trump em relação à China, ao contrário, aponta para uma nova Guerra Fria da qual o mundo, especialmente hoje, em meio à pandemia, não precisa.

Destaca ainda o site que o Papa demonstrou forte autoridade moral, que certamente não pode ser questionada por um governo como o norte-americano, que separa mães de seus filhos na fronteira com o México e continuamente emprega uma retórica racista, supremacista, em relação aos afro-americanos e qualquer minoria, chegando a justificar a violência policial contra elas. A política de Pompeo e Trump é contrária à ética cristã. De fato, ao longo dos anos os EUA têm feito uso indiscriminado de bombas ou drones contra aqueles que não podem se defender, têm imposto sanções penais e bloqueios econômicos a países de cuja política divergem, privando, assim, homens, mulheres e crianças de alimentos, medicamentos e cuidados básicos.

Redação