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Página será virada? Teresina é capitania hereditária tucana desde a década de 1980

A imprensa nacional vê Teresina como uma “Capitania Tucana”, como observou apresentadora do programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, na noite de apuração da eleição para prefeito de Teresina, domingo, 15 de novembro. Segundo a jornalista Renata Lo Pret, Dr. Pessoa, do MDB, passa para o segundo para enfrentar o PSDB, que governa a cidade por mais de 30 anos. “Podemos chamar Teresina como a Capitania do PSDB”, pontuou a jornalista.

A história do PSDB em Teresina, pode-se afirmar, começou com o professor Wall Ferraz, que tornou-se em 1985 o primeiro prefeito da capital eleito diretamente pelo povo quando da redemocratização do Brasil com o fim do regime militar iniciado em 1964.

O prefeito Wall Ferraz nomeou inúmeros apoiadores para cargos públicos na Prefeitura, incluindo o hoje candidato a prefeito, Kleber Montezuma. Naquele período, não vigorava a universalização do concurso público. Muitas lideranças também foram cooptadas, o que contribuiu para a formação de uma invejável máquina eleitoral que fez com que ele próprio elegesse o seu sucessor para o mandato subsequente. E terminou também sendo reeleito em 1992.

Mesmo com sua morte, em 1995, o grupo político forjado pelo professor Wall vem, desde então, mantendo-se no poder, transformando a capital do Piauí numa espécie mesmo de capitania tucana.

Firmino Filho, que era secretário de Finanças de Wall Ferraz, está terminando seu quarto mandato. Sua primeira eleição foi em 1996 contra o lendário Alberto Silva, ex-governador do Piauí.

Para especialistas, essa foi a primeira demonstração da força da máquina eleitoral tucana, uma vez que foi capaz de derrotar uma das forças pujantes junto ao eleitorado de Teresina. O médico Sílvio Mendes, também da era Wall Ferraz, como presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), governou Teresina entre 2005 e 2010. Saindo para ser candidato a governador, deixando Elmano Férrer, seu vice, hoje senador, ‘guardando’ a cadeira tucana por dois anos.

Em 2012, foi a vez da máquina eleitoral tucana derrotar Elmano Férrer (PTB), que tentou se rebelar, e a “onda vermelha” do PT, quando Firmino Filho foi eleito prefeito de Teresina novamente.

Em 2020, o atual grupo político iniciado em 1985 está sendo novamente testado com Kleber Montezuma, um ex-secretário do início da era Ferraz.

Dr. Pessoa surge como um nome que pode acabar com a hegemonia tucana em Teresina. É um veterano na política local, ex-vereador de quatro mandatos e ex-deputado estadual, além de ser uma liderança expressiva em Teresina. Ele traz como candidato a vice o ex-deputado estadual Robert Rios, do PSB, que tem um enorme capital político na cidade, principalmente como delegado federal, superintendente da Polícia Federal e parlamentar atuante na Assembleia Legislativa. O emedebista passa para o segundo turno na liderança da disputa, com 34,53% dos votos apurados, trazendo o tucano com 26,70%.

É um momento histórico na política local, principalmente porque o modelo tucano já está muito desgastado e não consegue tirar a capital do Piauí de décadas de atraso em relação a outras capitais ao redor. Os teresinenses batem na mesma tecla: mudanças. Mesmo porque problemas básicos persistem, a exemplo do desemprego, falta de oportunidades e incentivos para a geração de negócios, falta de infraestrutura e saneamento, saúde capengando e, como denunciam, educação sendo utilizada politicamente como sendo a melhor das capitais do Brasil, mas com vários problemas de aprendizagem, sem contar com falta de vagas nas creches.

Quando se vai para a zona rural, o problema se agrava, não há produção e nem incentivos, o que faz com que a capital do Piauí importe quase 100% do que consome em hortifrutigranjeiros, mesmo sendo banhada por dois rios.

E a população dá sinais de que é hora de virar essa página da história das capitanias hereditárias. (Fonte pesquisada: Rômulo Plácido)

Redação