Destaques Geral Local Política

Ciro Nogueira na Casa Civil é desespero e compra de apoio de Bolsonaro, dizem deputados

O anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira 21 de que vai promover uma “pequena reforma ministerial” na próxima semana é vista por deputados não aliados do governo como um “termômetro do desespero” do chefe do Poder Executivo.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) pode assumir a Casa Civil na vaga do general Luiz Eduardo Ramos. Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral, deve ir para o Ministério do Emprego e da Previdência Social, que será recriado. No troca-troca, Ramos pode se tornar o novo Secretário-Geral.

“As ações de Bolsonaro são o termômetro do seu desespero. Ele está correndo contra o tempo, não tem partido, não tem aprovação popular e não tem liderança. Ele está num verdadeiro vale tudo. Difícil ver com bons olhos essa indicação [de Ciro Nogueira], porque está óbvio que não é em prol do País”, diz o deputado Junior Bozzella (PSL-SP), ex-aliado do presidente em conversa com CartaCapital.

“Infelizmente, todos os gestos têm como objetivo único o favorecimento pessoal ou de seus amigos e familiares. Todas as trocas de ministérios que existiram foram sempre para atender a alguma necessidade pessoal ou blindagem a algum familiar”, acrescenta.

Para o parlamentar, as prováveis mudanças são “mais uma tentativa de compra de apoio ou de legenda”.

A posição é compartilhada por Rogério Correia (PT-MG), que vê a ação como uma resposta ao derretimento da popularidade de Bolsonaro.

“Quanto mais o governo derrete mais depende do Centrão”, afirma. “Ciro Nogueira já se beneficiou e articulou ano passado , quando recebeu e compartilhou com a base bolsonarista muitos milhões de reais. Para completar o ciclo , o presidente [da Câmara] Artur Lira pauta o que o tal mercado deseja”, declara.

“O toma lá dá cá é devastador, garantindo ao presidente o beneplácito de não sofrer impeachment, mesmo continuando seus crimes. Nogueira será mais um nesse arranjo anti-povo, facilitando e articulando as negociatas com o Centrão”, avalia.

Jogo do Poder

Fonte: Carta Capital