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China: Xi deve assumir 3º mandato e se tornar líder mais poderoso desde Mao

Os principais líderes do Partido Comunista da China encerraram hoje uma reunião crucial com a aprovação de uma resolução sobre a história do movimento político, que deve reforçar o legado do presidente Xi Jinping, informou a imprensa estatal.

Xi, líder inquestionável do país mais populoso do planeta, presidiu desde segunda-feira uma sessão plenária com 400 dos principais dirigentes do partido que governa a China.

O poderoso Comitê Central aprovou a resolução sobre as “Grandes Conquistas e Experiência Histórica da Centenária Luta do Partido”, o terceiro documento do tipo nos 100 anos do Partido Comunista.

O texto longo pede a defesa “da visão correta da história do partido”, segundo a agência oficial Xinhua, e afirma que “o partido escreveu o épico mais magnífico em milhares de anos de história da nação chinesa”.

“O Comitê Central pediu para todo o partido, todo o exército e pessoas de todos os grupos étnicos que se unam ao redor do Comitê Central com o camarada Xi Jinping como seu eixo, para implementar a nova era de socialismo com características chinesas”, destaca o documento.

O poder de Xi

A plenária deste ano prepara o caminho para o XX congresso do Partido Comunista, no qual se espera que Xi Jinping assuma um terceiro mandato à frente do governo, que o transformará no líder mais poderoso da China desde Mao Tsé-Tung.

Analistas consideram que a resolução ajudará Xi a consolidar ainda mais seu poder, ao definir sua visão sobre a China antes do congresso do próximo ano.

O período de Xi é marcado pela guerra contra a corrupção, políticas repressivas nas regiões de Xingjiang, Tibete e Hong Kong, e uma abordagem cada vez mais assertiva pelas relações internacionais.

Também criou um culto a sua liderança que acabou com as críticas, erradicou seus rivais e introduziu a própria teoria política aos estudantes.

A Xinhua classificou esta semana Xi Jinping como “sem dúvida a figura central a traçar o curso da história”.

A reunião plenária coincidiu com uma intensa atividade diplomática.

Pequim e Washington anunciaram um inesperado acordo climático na COP26 de Glasgow, no que pareceu aliviar as tensões entre as duas potências, e uma reunião entre Xi Jinping e o presidente americano Joe Biden por videoconferência deve acontecer em breve.

Mas o presidente chinês advertiu, ao mesmo tempo, para o retorno de tensões da época da Guerra Fria na região Ásia-Pacífico.

“As tentativas de traçar barreiras ideológicas ou formar pequenos círculos com base na geopolítica estão condenados ao fracasso”, disse em uma conferência empresarial virtual paralela à reunião de cúpula do fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) organizada pela Nova Zelândia.

Jogo do Poder

Fonte: AFP