Opinião – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Wed, 21 May 2025 17:37:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png Opinião – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 De olho em 2026, PL aposta no desgaste econômico do governo Lula https://jogodopoder.com.br/de-olho-em-2026-pl-aposta-no-desgaste-economico-do-governo-lula/ Wed, 21 May 2025 17:37:06 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4248 Enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta desafios na economia e na gestão do INSS, o Partido Liberal (PL), liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, já se movimenta com foco nas eleições de 2026. A sigla intensificou sua ofensiva política e midiática, apostando no descontentamento popular com o custo de vida e com escândalos envolvendo benefícios previdenciários.

Na última quarta-feira (20), o PL começou a veicular uma nova propaganda partidária na televisão em diversos estados. Nela, o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, critica duramente a política econômica do governo e ironiza o slogan de programas sociais petistas. “O slogan do governo Lula deveria ser ‘Inflação Para Todos’”, afirma Valdemar, numa provocação direta a iniciativas como Luz para Todos — lançado originalmente em 2003 e relançado em 2023 — e o mais recente Gás para Todos, criado em 2024.

A campanha sinaliza uma mudança tática do PL: em vez de focar prioritariamente em pautas de costumes — bandeiras tradicionais do bolsonarismo —, a sigla pretende concentrar esforços em temas que afetam diretamente o bolso da população, como a inflação e a alta nos preços de alimentos e serviços essenciais. A estratégia visa ampliar a comunicação para além da base bolsonarista tradicional e alcançar eleitores moderados ou insatisfeitos com o governo atual.

“O governo que está aí faz a inflação chegar onde ela nunca chegou: aqui no supermercado e na mesa do povo brasileiro”, diz Valdemar em um dos trechos da propaganda. Ele também relembra promessas de campanha de Lula, como a de “fartura com picanha e cerveja”, e contrapõe com a frase: “Agora está tirando ovo e café da mesa de muita gente”.

Outro foco de ataque é o escândalo recente envolvendo descontos irregulares em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. O caso, revelado por denúncias de beneficiários que tiveram valores indevidamente descontados em nome de associações e sindicatos, gerou forte repercussão nas redes sociais e virou munição para a oposição.

Aproveitando o tema, Bolsonaro gravou uma propaganda com a frase: “Aposentadoria é sagrada. Quem rouba não cuida”, buscando colar a imagem de corrupção e descaso ao atual governo.

Mudança de tom e foco pragmático

Aliados de Bolsonaro avaliam que, embora as pautas morais continuem sendo importantes para mobilizar a base mais fiel, o debate econômico e a crítica à gestão da máquina pública são mais eficazes para atrair o eleitorado flutuante e atingir a chamada “bolha do centro”.

A estratégia reflete também um reposicionamento de Bolsonaro no cenário político: enquanto o ex-presidente ainda enfrenta restrições judiciais e incertezas sobre sua elegibilidade, o PL busca mantê-lo como principal referência da oposição, ao mesmo tempo em que testa novos discursos e figuras para fortalecer o partido no cenário nacional.

Em meio às críticas, o governo Lula tenta reagir. Em abril, o Palácio do Planalto anunciou um pacote de medidas para conter a inflação dos alimentos, incluindo incentivos à produção agrícola e negociações com varejistas para conter abusos de preço. Também foi prometida uma revisão nos mecanismos de descontos em benefícios previdenciários, com maior controle e transparência.

A disputa narrativa rumo a 2026

Com pouco mais de um ano e meio até o próximo pleito presidencial, a propaganda do PL deixa claro que a disputa por corações e mentes dos eleitores já começou. E, ao que tudo indica, será travada menos no campo ideológico e mais no cotidiano das famílias brasileiras — nos preços do supermercado, na fatura da conta de luz e no extrato do INSS.

Resta saber se o governo Lula conseguirá reverter a percepção de descontentamento econômico a tempo ou se o PL conseguirá capitalizar essa insatisfação e expandir sua influência para além do núcleo bolsonarista.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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CPMI do INSS: um risco calculado – ou um tiro no pé da oposição? https://jogodopoder.com.br/cpmi-do-inss-um-risco-calculado-ou-um-tiro-no-pe-da-oposicao/ Thu, 01 May 2025 14:09:15 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3497 A oposição ao governo Lula parece estar entusiasmada com a possibilidade de instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar a fraude bilionária no INSS. O alvo é claro: desgastar ainda mais um governo que já enfrenta dificuldades, com uma aprovação que oscila perigosamente entre o positivo e o negativo, conforme apontam pesquisas recentes. No entanto, será que a oposição calculou bem esse movimento? Ou estaria prestes a dar um tiro no próprio pé?

Primeiro, é preciso contextualizar. As denúncias de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS não surgiram ontem. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e apurações jornalísticas mostram que essas práticas começaram a ganhar corpo em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro. Empresas e associações passaram a descontar mensalidades e tarifas sem autorização dos beneficiários, abocanhando milhões de reais todos os meses de pessoas vulneráveis. Ou seja, o esquema nasceu — ou ao menos cresceu — sob a gestão bolsonarista, e não apenas agora.

Portanto, ao pressionar por uma CPMI, a oposição corre um risco real: o de abrir um espaço institucional onde não apenas os erros do governo Lula estarão expostos, mas também as falhas e permissividades herdadas do governo Bolsonaro. Num cenário político polarizado, com eleitores ainda fortemente divididos, isso pode criar um efeito bumerangue. A cada denúncia feita contra o governo atual, a base governista poderá retrucar lembrando a origem de muitos problemas durante a gestão passada.

Outro ponto relevante: o INSS tem sido um barril de pólvora há décadas. Defasagem tecnológica, falta de servidores, filas intermináveis e sucessivos escândalos de corrupção formam um terreno fértil para fraudes e desvios. Nenhum governo escapa completamente dessa responsabilidade histórica. Portanto, uma CPMI que pretenda de fato passar a limpo esse setor precisará enfrentar um lamaçal que atinge não só os atuais mandatários, mas também os ex-governantes, incluindo o bolsonarismo que hoje lidera parte significativa da oposição.

Por fim, vale notar o momento político. Lula enfrenta críticas dentro e fora do Congresso, seja pela condução econômica, pela política externa ou por pautas sociais controversas. Uma CPMI poderia se somar a esse desgaste? Sim. Mas também pode gerar uma narrativa de “governo transparente”, disposto a enfrentar irregularidades — desde que o Planalto saiba se posicionar estrategicamente. Do lado da oposição, no entanto, o risco é entrar numa arena onde velhos esqueletos podem ser tirados do armário e expostos à luz do dia, gerando dano político reverso.

No fim das contas, a pergunta central é: quem realmente tem a ganhar com essa CPMI? A resposta não é tão simples quanto parece. E, como a política brasileira já mostrou tantas vezes, quem atira pode acabar acertando o próprio pé.

Por Damata Lucas – Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Dino intima deputado Sóstenes Cavalcante a esclarecer declarações sobre emendas e parlamentar reage https://jogodopoder.com.br/dino-intima-deputado-sostenes-cavalcante-a-esclarecer-declaracoes-sobre-emendas-e-parlamentar-reage/ Sun, 27 Apr 2025 17:52:20 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3328 O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (27/4) a intimação do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) para que, no prazo de 48 horas, apresente esclarecimentos sobre declarações relacionadas ao uso de emendas de comissão. A medida foi tomada no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que discute a transparência na destinação de recursos públicos.

A decisão foi motivada por reportagem publicada pelo jornal O Globo, que revelou uma estratégia do Partido Liberal (PL) para pressionar o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), no contexto da divisão de emendas parlamentares. De acordo com o jornal, Sóstenes teria afirmado que o PL poderia passar a controlar integralmente os recursos das comissões presididas pelo partido, rompendo um acordo que distribui 30% dos valores para o partido que comanda a comissão e os 70% restantes para outras legendas, conforme decisão da presidência da Câmara. Os recursos em disputa somariam cerca de R$ 6,5 bilhões.

O suposto movimento do PL seria uma forma de pressionar a Câmara a votar um projeto de anistia para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Ao justificar a intimação, Flávio Dino destacou que as declarações atribuídas ao deputado podem indicar a repetição de práticas incompatíveis com a Constituição Federal, em especial com os princípios da transparência e da rastreabilidade de recursos públicos. Dino lembrou que o Congresso Nacional, ao aprovar a Lei Complementar nº 210/2024, estabeleceu regras específicas para o uso das emendas de comissão, exigindo que elas sejam destinadas a ações de interesse nacional ou regional, com aprovação formal das comissões e registro em ata.

“O aprimoramento constante do primado da transparência, rastreabilidade e eficiência tem norteado a conduta desta Relatoria”, escreveu Dino na decisão. O ministro ainda reforçou que o objetivo do pedido de esclarecimentos é garantir o cumprimento das normas estabelecidas no plano de trabalho pactuado entre os Poderes Legislativo e Executivo, homologado pelo STF em fevereiro, que busca extinguir práticas conhecidas como “orçamento secreto”.

O despacho de Dino determina que, após a manifestação do deputado, o processo volte imediatamente para avaliação de eventuais medidas adicionais necessárias à proteção do interesse público e ao respeito à legislação.

Reação de Sóstenes Cavalcante

Após a divulgação da decisão, o deputado Sóstenes Cavalcante se manifestou nas redes sociais, afirmando que parlamentares eleitos “não se curvam a ameaças” e rejeitam qualquer tentativa de “censura” ou “intimidação” por parte do Judiciário. “O Parlamento é livre. Deputado eleito pelo povo não se curva a ameaças de ministro do STF. Fazemos política com transparência, dentro da Casa do Povo. A luta pela Anistia é justa, constitucional e legítima”, declarou.

O parlamentar também utilizou as hashtags “#RespeitoÀSeparaçãoDePoderes” e “#ParlamentoLivre” em sua postagem, reafirmando a defesa da autonomia do Poder Legislativo. À imprensa, Sóstenes informou que ainda não foi oficialmente notificado da intimação, mas que se manifestará no momento oportuno.

Contexto

Flávio Dino é relator no Supremo de ações que têm como foco o aprimoramento da transparência na destinação das emendas parlamentares. O debate sobre as chamadas “emendas de comissão” ganhou destaque após a descoberta de práticas que concentravam a distribuição de verbas públicas de forma opaca, culminando na implementação de novas normas para garantir mais publicidade e rastreabilidade dos recursos.

Além da intimação de Sóstenes, Dino também determinou, na última sexta-feira (25), que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal informem, em até dez dias úteis, como será feito o registro público dos autores das emendas de comissão e de bancada.

O tema permanece no centro das discussões entre os Poderes, em um momento em que a transparência e a integridade dos processos orçamentários são cobradas com maior rigor pela sociedade e pelas instituições de controle.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Lula Marques

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Mercados sobem com isenção tarifária dos EUA https://jogodopoder.com.br/mercados-sobem-com-isencao-tarifaria-dos-eua/ Mon, 14 Apr 2025 17:12:54 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2793 Apesar de um raro gesto de alívio vindo da Casa Branca, os mercados globais ainda caminham sobre uma corda bamba. Na última sexta-feira (11), os Estados Unidos anunciaram isenções tarifárias para smartphones, semicondutores, computadores e outros dispositivos, e nesta segunda-feira (14) os reflexos positivos chegaram às Bolsas da Ásia e Europa — mas será que isso representa uma trégua real ou apenas um respiro passageiro?

As principais praças asiáticas fecharam em alta: Tóquio subiu 1,2%, Seul 0,95%, Sydney 1,34%, Hong Kong 2,4% e Xangai 0,8%. Na Europa, o otimismo também se fez sentir, com Paris ganhando 2,14%, Frankfurt 2,10%, Milão 2,04% e Londres 1,60%. O impulso vem em um momento em que qualquer sinal de descompressão comercial é recebido com alívio por investidores fatigados.

Contudo, a euforia momentânea não apaga o pano de fundo cada vez mais tenso entre Washington e Pequim. Desde que Donald Trump retomou sua política tarifária agressiva — impondo tarifas de até 145% sobre produtos chineses — a relação entre as duas maiores economias do planeta voltou a um nível de tensão quase pré-pandêmico. A resposta de Pequim foi igualmente dura: tarifas de retaliação de 125% sobre bens americanos.

A retórica também endureceu. Enquanto o porta-voz da alfândega chinesa, Lyu Daliang, tenta tranquilizar os mercados dizendo que “o céu não vai cair para as exportações chinesas”, o presidente Xi Jinping não poupa palavras ao afirmar que o protecionismo “não leva a lugar nenhum”. Já Trump, fiel ao seu estilo beligerante, disparou em sua plataforma Truth Social que “ninguém vai sair impune… especialmente a China”.

Apesar das declarações, há sinais de pragmatismo — ou, ao menos, tentativas de reposicionamento. A China intensifica sua diplomacia regional, com Xi Jinping iniciando uma visita estratégica ao sudeste asiático. O foco é claro: manter sua influência e garantir novos parceiros comerciais enquanto os EUA endurecem o jogo.

A realidade é que, por trás das bravatas políticas, as tarifas têm um impacto econômico direto. O próprio Ministério do Comércio da China afirma que as medidas de Trump “prejudicam gravemente a ordem econômica mundial” — e não está errado. Dados recentes mostram que cadeias de produção foram afetadas, custos subiram e países em desenvolvimento estão entre os mais prejudicados.

O mais irônico é que, mesmo com o impacto global, os EUA continuam com discurso ambíguo. Embora Trump se diga “otimista” quanto a um acordo, seu representante comercial, Jamieson Greer, foi claro ao afirmar que “não há planos” para um diálogo direto entre os líderes das duas potências.

No fim das contas, a guerra comercial segue sem vencedores. A leve trégua nos mercados é um alívio, mas está longe de representar uma solução. A escalada protecionista liderada por Trump pode até gerar manchetes fortes, mas o que o mundo — e especialmente as economias em desenvolvimento — precisam, é de estabilidade. E isso, por ora, parece tão distante quanto um acordo definitivo entre Washington e Pequim.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Freepik Free

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Reeleição de Daniel Noboa consolida autoritarismo neoliberal no Equador https://jogodopoder.com.br/reeleicao-de-daniel-noboa-consolida-autoritarismo-neoliberal-no-equador/ Mon, 14 Apr 2025 17:02:50 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2790 A reeleição de Daniel Noboa neste domingo (13) marca um novo capítulo sombrio para o Equador, de acordo com analistas internacionais. Com 55,8% dos votos válidos, segundo a apuração de 90% das urnas, o jovem bilionário de direita garantiu mais quatro anos no poder. O resultado, no entanto, está longe de ser unânime: a candidata de esquerda Luisa González, que obteve 44,1% dos votos, não reconheceu a derrota e denunciou fraude eleitoral.

As acusações são sérias. Segundo González, Noboa utilizou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e o Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE) como ferramentas de campanha. A cereja do bolo foi o decreto de estado de exceção, baixado às vésperas da votação, que suspendeu direitos civis básicos como a inviolabilidade de domicílio e de correspondência em oito províncias. Em 22 cidades, houve toque de recolher.

“Não reconhecemos os resultados. Noboa atropelou a democracia”, disse a candidata, que também promete pedir recontagem dos votos. O presidente eleito respondeu sem demonstrar preocupação: “O Equador já escolheu um caminho diferente”, afirmou, se referindo ao que ele chama de um projeto de progresso. Mas, na prática, o que está em jogo é a consolidação de uma agenda neoliberal, autoritária e elitista, como opinam especialistas de ciência política.

Quatro anos de repressão e retrocessos?

Desde que assumiu em 2023, após a renúncia de Guillermo Lasso para evitar um impeachment, Noboa se escorou no uso das Forças Armadas nas ruas e no discurso de “guerra contra o crime”. Mesmo com plebiscito e decretos de emergência, o resultado foi trágico: violência em alta, recordes de homicídios (45 por 100 mil habitantes), massacres em presídios e hospitais públicos em colapso.

A promessa para o novo mandato é mais do mesmo, com agravantes: construção de mais presídios de segurança máxima, militarização da segurança pública e até uma proposta para reintroduzir bases militares estrangeiras no país — medida que vai contra a Constituição de 2008 e só pode ser aprovada via referendo.

No campo econômico, a agenda é clara: privatizações, desregulamentações e favorecimento ao capital privado. O país, que enfrenta apagões de até 14 horas diárias desde o fim de 2024, aprovou uma lei que permite investimentos privados no setor elétrico, apesar da Constituição reservar essa gestão ao Estado. Uma brecha legal a favor dos grandes empresários — como o próprio Noboa, herdeiro do império das bananas no Equador.

Um país à deriva

Enquanto o governo fala em “energia limpa” e “futuro digno”, a realidade é de desabastecimento, precariedade e aumento da pobreza. A proposta de geração de energias renováveis não tradicionais, por exemplo, ainda não veio acompanhada de qualquer plano concreto. Fala-se em sustentabilidade, mas age-se com oportunismo.

A bandeira anticorrupção também parece mais uma cortina de fumaça. Noboa lançou um Plano Nacional de Integridade Pública e Combate à Corrupção, mas a atuação do próprio governo nas eleições levanta dúvidas sobre o verdadeiro compromisso com a transparência.

A oposição já se articula. Wilson Barba, dirigente do movimento Revolução Cidadã, resume o sentimento de boa parte da população: “Noboa representa a continuidade de um bilionário no poder, defendendo os próprios interesses. Estamos voltando ao domínio absoluto dos grandes empresários”.

A democracia em risco

Mais do que uma eleição, o que se viu no Equador foi uma demonstração do enfraquecimento das instituições e do avanço de práticas autoritárias disfarçadas de governabilidade. A manipulação de instrumentos eleitorais, a repressão disfarçada de segurança e a concentração de poder nas mãos de um setor econômico privilegiado colocam em xeque os pilares democráticos do país.

Se a história recente do Equador ensina algo, é que governos autoritários, mesmo sob o verniz da legalidade, acabam custando caro ao povo. E este novo mandato de Daniel Noboa pode ser o mais caro de todos.

Edição: Damata Lucas – Imagem: X

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Tarifaço de Trump: Lula acende alerta sobre protecionismo e clama por equilíbrio global https://jogodopoder.com.br/tarifaco-de-trump-lula-acende-alerta-sobre-protecionismo-e-clama-por-equilibrio-global/ Tue, 08 Apr 2025 21:09:46 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=2577 Em um momento em que o mundo vive sob o impacto de decisões econômicas imprevisíveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu espaço no 100º Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), em São Paulo, para soltar o verbo. Sem meias palavras, Lula apontou o dedo para o novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse, com todas as letras: “não vai dar certo”.

A crítica de Lula vai além da política externa. Ela é, na verdade, um alerta. Um chamado ao bom senso em tempos de protecionismo crescente e lideranças que parecem cada vez mais inclinadas a agir sozinhas, ignorando as complexidades de um mundo globalizado. E Lula, que já viu esse filme antes, sabe onde isso pode acabar.

“Ninguém pega um transatlântico carregado e faz as coisas que estão acontecendo”, disparou o presidente brasileiro, em referência às ações de Trump.

A metáfora é certeira. O transatlântico é o mundo — pesado, complexo, interligado. E tentar dar um “cavalo de pau” nesse cenário, como Lula descreveu, pode causar não só ondas, mas tsunamis geopolíticos e econômicos.

Na semana passada, Trump surpreendeu o planeta ao anunciar uma bateria de tarifas contra países como Brasil, China, membros da União Europeia e Japão. A medida, que despertou críticas até de aliados improváveis como Elon Musk, parece mais uma cartada impulsiva do que uma estratégia consolidada. Resultado: a resposta veio à altura. A China não apenas retaliou com uma tarifa de 34%, como provocou nova ameaça dos EUA — desta vez, com um imposto de 50% se Pequim não recuar até hoje à tarde.

Guerra de tarifas ou guerra de egos?

O que está em jogo não é apenas uma guerra tarifária — é uma disputa de narrativas, de hegemonias e, sobretudo, de egos. Trump, ao insistir na via do confronto, tenta se posicionar como o xerife da economia mundial. Mas esquece que, no tabuleiro global, os outros jogadores não são meros figurantes. E a reação internacional, com a União Europeia e a China assumindo uma postura firme, mostra que o jogo é mais complexo do que o republicano talvez imagine.

Lula, por sua vez, traz uma voz de moderação e realismo. Defensor do multilateralismo e do diálogo entre as nações, o presidente brasileiro propõe um caminho que parece óbvio, mas que muitos líderes têm ignorado: o da cooperação.

“A coisa mais importante hoje é o multilateralismo”, reforçou Lula. “É preciso combater o protecionismo.”

Brasil entre gigantes

Para o Brasil, o cenário exige mais do que posicionamento: exige estratégia. O país não pode se dar ao luxo de seguir o fluxo de impulsos internacionais. Precisa manter o equilíbrio, como Lula bem frisou, e tomar decisões com base na sua realidade.

Em um mundo onde o inesperado virou rotina, o discurso de Lula soa como um raro respiro racional. Enquanto Trump aposta na força bruta das tarifas, o presidente brasileiro propõe o diálogo como arma de reconstrução. E em tempos tão polarizados, talvez seja essa a única saída viável.

Porque o multilateralismo pode até não ser manchete de jornal como um tarifaço, mas é ele que sustenta os pilares do comércio, da paz e do progresso compartilhado.

Redação Damata Lucas – Imagem: Ricardo Stuckert

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