Eleições Gerais – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br Portal de Notícias - Piauí, Brasil, Política, Economia Thu, 29 May 2025 21:47:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://jogodopoder.com.br/wp-content/uploads/2025/03/images-1-150x150.png Eleições Gerais – Jogo do Poder https://jogodopoder.com.br 32 32 Ex-AGU confirma ao Supremo consulta de Bolsonaro para reverter urnas https://jogodopoder.com.br/ex-agu-confirma-ao-supremo-consulta-de-bolsonaro-para-reverter-urnas/ Thu, 29 May 2025 21:47:16 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4572 O ex-advogado-geral da União Bruno Bianco (foto) confirmou, nesta quinta-feira (29), no Supremo Tribunal Federal (STF), que o então presidente Jair Bolsonaro o indagou, em reunião após as eleições de 2022, sobre algum problema que pudesse ser usado para reverter o resultado das urnas. 

Bianco foi ouvido como testemunha da defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que é réu na ação penal sobre trama golpista que teria operado para manter Bolsonaro no poder,  mesmo após derrota no pleito. 

“Houve uma reunião”, afirmou Bianco, em resposta ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que o indagou se, após o segundo turno, Bolsonaro o teria sondado sobre alguma “possibilidade jurídica de reverter os resultados das urnas”.

“Em relação ao tema que o senhor me pergunta, houve uma reunião”, reiterou Bianco. “Tal encontro foi específico sobre como havia ocorrido o pleito eleitoral, se havia algum problema jurídico.”

De acordo com Bianco, o então presidente perguntou, na ocasião, após entrevista coletiva sobre a transição de governo, se o ex-AGU vislumbrava um caminho jurídico que pudesse servir para questionar o resultado das urnas. 

“’O senhor vislumbra algum problema que possa ser questionado?'”, perguntou Bolsonaro, segundo Bianco. “Respondi que, na minha ótica, a eleição havia ocorrido de maneira correta, sem nenhum tipo de problema jurídico.”

“Eu disse que não, que foi tudo realizado com transparência”, reforçou Bianco. “O presidente, pelo menos na minha frente, se deu por satisfeito.”

A consulta de Bolsonaro ao então ministro-chefe da AGU tinha aparecido em depoimento do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior à Polícia Federal (PF).

Ainda na fase do inquérito policial sobre o golpe, Baptista Júnior disse ter presenciado o ex-presidente perguntar se haveria alguma “alternativa jurídica” para reverter o resultado das urnas. Segundo o relato, a reunião se deu em 1º de novembro de 2022.

Nesta quinta-feira, Bianco deu o primeiro testemunho público, confirmando a reunião e a presença, no encontro, dos três comandantes das Forças Armadas à época – general Freire Gomes (Exército), brigadeiro Baptista Júnior (Aeronáutica) e almirante Almir Garnier (Marinha).

O então ministro da Defesa, o general reformado do Exército Paulo Sérgio Nogueira também participou, revelou Bianco. Ele disse não se recordar, contudo, se o ex-ministro da Justiça Anderson Torres estava presente.

Reunião

Além do ex-AGU, foram ouvidos nesta quinta outros dois ex-ministros do governo Bolsonaro: Wagner Rosário, ex-ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU); e Adolfo Sachsida, ex-ministro das Minas e Energia.

Ambos foram questionados sobre a reunião ministerial de 5 de julho de 2022, em que Bolsonaro pediu aos ministros presentes que se empenhassem em questionar o processo eleitoral. Um vídeo da reunião veio à tona em fevereiro de 2024.

Indagados se foram tratados temas golpistas na ocasião, Sachsida e Rosário negaram, bem como Bianco.

“Não, não senhor, não tivemos nenhuma discussão sobre isso. Todas as discussões elas versavam sobre possíveis fragilidades no sistema de votação eletrônica, o sistema de tecnologia e que pode ter problemas, então todas visavam se tivesse um resultado de eleição que fosse fidedigno”, disse Rosário em sua reposta.

Havia a previsão de que também falasse o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, mas ele acabou dispensado pelos advogados de Torres.

Entenda

A ação penal 2668 foi aberta depois que a Primeira Turma do Supremo aceitou a parte da denúncia da PGR relativa ao chamado núcleo “crucial” do golpe, composto pelo que seriam as principais cabeças do complô.

Entre os réus dessa ação penal está o próprio Bolsonaro, apontado pela PGR como líder e principal beneficiário da trama golpista, além de outros sete ex-ministros de seu governo e assessores próximos.

As testemunhas do caso começaram a ser ouvidas em 19 de maio, por meio de videoconferência. Uma nova audiência está marcada para a sexta-feira (30), às 8h, com outras testemunhas de defesa de Anderson Torres e também com o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes, arrolado pela defesa de Bolsonaro.

Na tarde de sexta (30), às 14h, estão marcados os testemunhos de mais oito testemunhas de Bolsonaro, incluindo os ex-ministros Gilson Machado (Turismo) e Eduardo Pazuello (Saúde).

As audiências são presididas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Em despacho, ele proibiu qualquer tipo de gravação das audiências. Jornalistas foram autorizados a acompanhar as falas da sala da Primeira Turma, no Supremo.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcelo Camargo

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Ex-diretor da PRF confirma blitz na eleição, mas nega viés político https://jogodopoder.com.br/ex-diretor-da-prf-confirma-blitz-na-eleicao-mas-nega-vies-politico/ Tue, 27 May 2025 17:31:23 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4490 O ex-diretor de Operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Djairlon Henrique Moura confirmou, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a corporação fez blitze na Região Nordeste para fiscalizar ônibus com eleitores, no domingo do segundo turno da eleição presidencial de 2022, mas negou que a operação tivesse viés político. 

Nesta terça-feira (27), Moura prestou depoimento como testemunha de defesa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, na ação penal sobre a trama golpista durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Questionado pelo relator da ação penal, ministro Alexandre de Moraes, o ex-diretor de Operações da PRF confirmou que o órgão intensificou a fiscalização do transporte de eleitores no fim de semana do segundo turno da eleição presidencial, em outubro de 2022.

Na noite anterior ao domingo de votação, entretanto, o próprio Moraes, que era presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à época, determinou a interrupção na fiscalização do transporte de eleitores, após notícias de que haveria atuação política da PRF nas blitze, com a retenção de eleitores do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Bolsonaro, postulante à reeleição.

As blitze aos ônibus de eleitores, contudo, continuaram, em especial na região Nordeste. Questionado por Moraes porque descumpriu a ordem judicial, o ex-diretor de Operações da PRF disse que o entendimento da corporação foi de que a fiscalização do transporte deveria ser interrompida, mas que as fiscalizações relativas a violações do Código de Trânsito Brasileiro poderiam continuar.

“Essa operação estava programada e planejada bem antes da decisão de Vossa Excelência”, respondeu Moura ao ministro. Ele disse que a fiscalização tinha o objetivo de cumprir decisão do STF para garantir o transporte regular de eleitores.

Ao receber a ordem de Moraes para interromper tais fiscalizações, a cúpula da PRF entendeu se tratar apenas da fiscalização relativa ao transporte de passageiros, mas não atingiria as blitze para violações ao Código de Trânsito.

Um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) dava respaldo a esse entendimento, segundo Moura.

“Tínhamos muito claro que [a proibição] foi à fiscalização de transporte, e a fiscalização de CTB segue, como de fato seguiu”, afirmou Djairlon Moura.

“Mas em nenhum momento houve preocupação com o transporte de eleitores. Em mais de 60% dos veículos fiscalizados, não se levou mais de 15 minutos para que os veículos fossem liberados”, disse.

O ex-diretor da PRF confirmou ainda a realização de reuniões, na semana anterior ao domingo de votação, em que no Ministério da Justiça, sob o comando de Anderson Torres, em que houve “um pedido do então ministro para que as instituições colocassem o máximo de efetivo nas ruas”.

Moura negou, contudo, “qualquer tipo de direcionamento [político]” nesses encontros.

O ex-diretor de Operações da PRF confirmou ainda que, em julho de 2022, meses antes do pleito, o Ministério da Justiça determinou “a realização de uma operação antes da eleição dos ônibus que estivessem saindo de São Paulo e da região Centro-Oeste com destino ao Nordeste com possíveis votantes e recursos financeiros, e que já estariam em investigação da PF [Polícia Federal]”.

À época, as pesquisas eleitorais apontavam vantagem de Lula sobre Bolsonaro no Nordeste. Moura, contudo, disse que esse tipo de fiscalização é “comum” antes de qualquer eleição, e que não havia viés político.

“Não foi evidenciado nenhum transporte irregular de eleitores”, afirmou.

Entenda

O ministro Alexandre de Moraes preside, nesta semana, as audiências para ouvir testemunhas de defesa dos oito réus na ação penal que tem como alvo o  núcleo “crucial” de uma suposta tentativa de golpe de Estado liderada por Bolsonaro, conforme denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Pelo cronograma original, devem ser ouvidas 25 testemunhas arroladas pelo ex-ministro da Justiça Anderson Torres, um dos réus na ação penal, sob a acusação de ter sido uma espécie de mentor jurídico do golpe.

A defesa de Torres sustenta que ele nunca discutiu ou, se ficou sabendo, nunca levou a sério a possibilidade de um golpe de Estado. Todas as atitudes do ex-ministro foram tomadas dentro das atribuições regulares e em cumprimento às leis e à Constituição, sustentam os advogados.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Rosinei Coutinho

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De olho em 2026, PL aposta no desgaste econômico do governo Lula https://jogodopoder.com.br/de-olho-em-2026-pl-aposta-no-desgaste-economico-do-governo-lula/ Wed, 21 May 2025 17:37:06 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=4248 Enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta desafios na economia e na gestão do INSS, o Partido Liberal (PL), liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, já se movimenta com foco nas eleições de 2026. A sigla intensificou sua ofensiva política e midiática, apostando no descontentamento popular com o custo de vida e com escândalos envolvendo benefícios previdenciários.

Na última quarta-feira (20), o PL começou a veicular uma nova propaganda partidária na televisão em diversos estados. Nela, o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, critica duramente a política econômica do governo e ironiza o slogan de programas sociais petistas. “O slogan do governo Lula deveria ser ‘Inflação Para Todos’”, afirma Valdemar, numa provocação direta a iniciativas como Luz para Todos — lançado originalmente em 2003 e relançado em 2023 — e o mais recente Gás para Todos, criado em 2024.

A campanha sinaliza uma mudança tática do PL: em vez de focar prioritariamente em pautas de costumes — bandeiras tradicionais do bolsonarismo —, a sigla pretende concentrar esforços em temas que afetam diretamente o bolso da população, como a inflação e a alta nos preços de alimentos e serviços essenciais. A estratégia visa ampliar a comunicação para além da base bolsonarista tradicional e alcançar eleitores moderados ou insatisfeitos com o governo atual.

“O governo que está aí faz a inflação chegar onde ela nunca chegou: aqui no supermercado e na mesa do povo brasileiro”, diz Valdemar em um dos trechos da propaganda. Ele também relembra promessas de campanha de Lula, como a de “fartura com picanha e cerveja”, e contrapõe com a frase: “Agora está tirando ovo e café da mesa de muita gente”.

Outro foco de ataque é o escândalo recente envolvendo descontos irregulares em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. O caso, revelado por denúncias de beneficiários que tiveram valores indevidamente descontados em nome de associações e sindicatos, gerou forte repercussão nas redes sociais e virou munição para a oposição.

Aproveitando o tema, Bolsonaro gravou uma propaganda com a frase: “Aposentadoria é sagrada. Quem rouba não cuida”, buscando colar a imagem de corrupção e descaso ao atual governo.

Mudança de tom e foco pragmático

Aliados de Bolsonaro avaliam que, embora as pautas morais continuem sendo importantes para mobilizar a base mais fiel, o debate econômico e a crítica à gestão da máquina pública são mais eficazes para atrair o eleitorado flutuante e atingir a chamada “bolha do centro”.

A estratégia reflete também um reposicionamento de Bolsonaro no cenário político: enquanto o ex-presidente ainda enfrenta restrições judiciais e incertezas sobre sua elegibilidade, o PL busca mantê-lo como principal referência da oposição, ao mesmo tempo em que testa novos discursos e figuras para fortalecer o partido no cenário nacional.

Em meio às críticas, o governo Lula tenta reagir. Em abril, o Palácio do Planalto anunciou um pacote de medidas para conter a inflação dos alimentos, incluindo incentivos à produção agrícola e negociações com varejistas para conter abusos de preço. Também foi prometida uma revisão nos mecanismos de descontos em benefícios previdenciários, com maior controle e transparência.

A disputa narrativa rumo a 2026

Com pouco mais de um ano e meio até o próximo pleito presidencial, a propaganda do PL deixa claro que a disputa por corações e mentes dos eleitores já começou. E, ao que tudo indica, será travada menos no campo ideológico e mais no cotidiano das famílias brasileiras — nos preços do supermercado, na fatura da conta de luz e no extrato do INSS.

Resta saber se o governo Lula conseguirá reverter a percepção de descontentamento econômico a tempo ou se o PL conseguirá capitalizar essa insatisfação e expandir sua influência para além do núcleo bolsonarista.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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Queda na popularidade de Lula levanta debate sobre reeleição e abre espaço para articulações da oposição https://jogodopoder.com.br/queda-na-popularidade-de-lula-levanta-debate-sobre-reeleicao-e-abre-espaco-para-articulacoes-da-oposicao/ Mon, 12 May 2025 19:03:14 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3897 A queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reacendeu o debate sobre uma possível candidatura à reeleição em 2026. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, o ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que o cenário atual pode levar Lula a reconsiderar seus planos políticos. Para Temer, o presidente perdeu uma de suas marcas dos primeiros mandatos: o diálogo constante com o Congresso Nacional.

“Eu acho que o presidente Lula não tem feito uma coisa que ele fazia muito nos dois primeiros mandatos. Ele dialogava muito com o Congresso Nacional. Segundo ponto, caiu a popularidade dele, sem dúvida alguma. O que penso fará com que ele medite duas ou três ou dez vezes para ser candidato à Presidência pela quarta vez”, declarou Temer. A íntegra da entrevista será exibida neste domingo (11), às 20h30.

A avaliação do ex-presidente vem em um momento delicado para o governo federal. De acordo com pesquisa divulgada no fim de abril pelo Instituto Paraná Pesquisas, 57,4% dos brasileiros desaprovam a atual gestão — o índice mais alto desde o início do mandato. A aprovação está em 39,2%, enquanto 3,4% não souberam ou não quiseram responder. O levantamento confirma uma tendência de desgaste também apontada por outros institutos. Em abril, o Datafolha mostrou que, embora tenha interrompido a queda, o governo mantém reprovação superior à aprovação.

Outro dado que ajuda a compor o cenário é a relação do presidente com o Legislativo. Um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo aponta que Lula, neste terceiro mandato, foi o presidente que menos registrou encontros oficiais com parlamentares, ficando atrás de Jair Bolsonaro (PL), de Michel Temer e até de Dilma Rousseff (PT), conhecida por sua relação difícil com o Congresso.

Temer também comentou sobre a possibilidade de uma candidatura única da direita em 2026. Segundo ele, alguns governadores estariam dispostos a trabalhar por uma união nesse sentido, o que, em sua avaliação, daria uma vantagem expressiva diante de uma eventual fragmentação do campo progressista.

A movimentação de Temer no debate público tem chamado atenção. Recentemente, seu nome voltou a circular nas redes sociais após uma postagem do consultor eleitoral Wilson Pedroso, que o incluiu em uma brincadeira simulando possíveis candidatos ao Planalto. A publicação teve mais de 2,8 milhões de visualizações e milhares de interações, provocando especulações, ainda que informais, sobre sua presença na disputa.

Com quase um ano e meio de governo pela frente, o presidente Lula ainda conta com tempo para reverter o atual quadro. A retomada do crescimento econômico, o avanço em programas sociais e uma reaproximação com o Congresso podem ser fatores decisivos para melhorar a percepção popular e viabilizar uma eventual candidatura à reeleição.

Especialistas avaliam que, embora o momento seja de desgaste, o cenário político é dinâmico e sujeito a mudanças. O histórico eleitoral de Lula, marcado por vitórias consecutivas e alta aprovação no passado, também é considerado um ativo importante que pode influenciar os rumos da disputa presidencial de 2026.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Instragram

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PSD se movimenta para 2026: Kassab aposta em Ratinho Junior e Eduardo Leite como “bons candidatos” à Presidência https://jogodopoder.com.br/psd-se-movimenta-para-2026-kassab-aposta-em-ratinho-junior-e-eduardo-leite-como-bons-candidatos-a-presidencia/ Fri, 09 May 2025 22:22:11 +0000 https://jogodopoder.com.br/?p=3784 O cenário político brasileiro para 2026 começa a ganhar forma, e o Partido Social Democrático (PSD) dá sinais claros de que pretende ter um papel de protagonismo na disputa presidencial. Nesta sexta-feira (9), o presidente do partido, Gilberto Kassab, oficializou a filiação de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e reforçou que a legenda conta agora com dois nomes fortes para a corrida ao Planalto: Leite e Ratinho Junior, governador do Paraná.

“Nós devemos ter um esforço pra ter uma candidatura própria. O que aumenta muito a chance de termos uma candidatura própria é que temos dois bons candidatos à Presidência da República. O Eduardo e o Ratinho são duas pessoas que é um privilégio de qualquer partido tê-los como seus filiados”, destacou Kassab em coletiva de imprensa após a filiação.

Eduardo Leite não esconde suas pretensões nacionais. “Aspiro e tenho disposição para liderar uma candidatura presidencial. Se entenderem que há em mim a possibilidade de liderar esse projeto, não apenas não tenho medo, como tenho vontade, disposição, apetite e desejo”, afirmou o governador gaúcho, que deixou o PSDB após 24 anos. Ele garantiu, no entanto, que a saída não significa rompimento com os valores tucanos.

“O próprio PSDB vive um novo momento, refletindo sobre seus rumos e discutindo uma possível fusão com o Podemos. Desejo muito sucesso a essa trajetória e a todos os que a integram”, declarou Leite em nota.

Kassab já havia antecipado, em entrevista à CNN no ano passado, que Ratinho Junior só não será candidato em 2026 se não quiser. “Primeiro, nós temos um consenso no partido hoje, que se tivermos candidato, o Ratinho só não será candidato se não quiser”, afirmou na ocasião.

Análise: o PSD e o tabuleiro de 2026

A movimentação do PSD ocorre em um momento de fragmentação no campo de centro-direita e centro, com partidos tradicionais, como PSDB e MDB, enfrentando crises internas e dificuldades para lançar nomes competitivos nacionalmente. A entrada de Eduardo Leite fortalece o PSD, que já contava com Ratinho Junior, líder popular no Sul e com boa articulação entre empresários e o agronegócio.

Ratinho Junior tem a seu favor uma imagem de gestor eficiente e pragmático, mas ainda precisa expandir seu reconhecimento fora do Paraná. Já Eduardo Leite, apesar da derrota nas prévias do PSDB em 2021 e da imagem de político jovem e moderado, carrega o desafio de consolidar seu nome em regiões fora do eixo Sul-Sudeste, além de superar a desconfiança de setores mais conservadores.

O partido, no entanto, também precisará avaliar o impacto de uma eventual polarização no próximo pleito, especialmente se a disputa entre Lula e Bolsonaro, ou seus herdeiros políticos, continuar pautando o debate nacional. Nesse contexto, uma candidatura do PSD pode correr o risco de ser engolida pelo voto útil nas duas pontas.

Ainda assim, o movimento de Kassab é estratégico: com dois nomes competitivos, o PSD se posiciona como peça-chave no jogo de alianças, podendo liderar uma terceira via ou negociar seu apoio em troca de espaço relevante em um eventual governo.

Enquanto 2026 ainda parece distante, os bastidores políticos já estão em ebulição — e o PSD se coloca no centro do tabuleiro.

Edição: Damata Lucas – Imagem: Valter Campanato

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