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Bolsonaro, na ONU, culpa governadores por crise econômica da Covid no Brasil; Dias reage

Na abertura dos discursos da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) repetiu declarações sobre a pandemia de Covid-19 e os posicionamentos de sua gestão em relação ao coronavírus nesta terça-feira (21). O chefe de Estado não mencionou os mais de 590 mil mortos no plenário.

Ele pontuou que sempre defendeu “combater o vírus e o desemprego ao mesmo tempo” e disse que “Aos mais necessitados, demos um auxílio de 800 dólares em 2020”. O valor, US$ 200 menor do que o declarado em 2020 na ONU, é de aproximadamente R$ 4200.

“Eles [mais necessitados] perderam emprego graças aos prefeitos e governadores. Somente nos sete primeiros meses de 2020, criamos mais de um milhão de empregos. Lembrando que o crescimento projetado para 2022 é de 5%. Temos quase 90% da população adulta vacinada ao menos com a primeira dose. Da população indígena, 80%. Apoiamos a vacinação, mas somos contrários ao passaporte de vacinação”, defendeu.

O presidente ainda voltou a argumentar que apoia a “medicação a ser utilizada” no combate à doença, em referência a medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina e a invermectina, e adicionou que foi um dos pacientes que usou as drogas. “Não entendemos porque a mídia e muitos países foram contrários ao tratamento inicial”, disse.

O governador Wellington Dias, coordenador do assunto pandemia no Fórum de Governadores, criticou o discurso de Bolsonaro à ONU nesta terça (21).

“Que presidente de um país, do Brasil ou de outros países ao longo da historia, foram (sic) à ONU para colocar a culpa, para colocar responsabilidade, para fazer crítica ao seu próprio país?”, questionou Dias, em vídeo.

Em seu discurso à Assembleia Geral, Bolsonaro culpou prefeitos e governadores, e não o vírus, pelo impacto econômico da pandemia: “No Brasil, para atender aqueles mais humildes, obrigados a ficar em casa por decisão de governadores e prefeitos e que perderam sua renda, concedemos um auxílio emergencial de US$ 800 para 68 milhões de pessoas em 2020”, disse o presidente.

O governador do Piauí, que é do PT, rebateu: “Pois somos uma federação. E governadores e prefeitos do Brasil seguimos a ciência. E vamos seguir a ciência. E aqui não tivemos nenhuma dúvida. Com muita coragem e determinação, buscamos contribuir para salvar vidas. A vida em primeiro lugar. Um pacto pela vida, era isso que queríamos do presidente da Republica. E agora ele vai à ONU para colocar a responsabilidade pela situação social, econômica – resultado da pandemia – em quem? Em quem aqui trabalhou duro para salvar vidas. Assim, repudiamos firmemente esta posição. E queremos dizer da importância de o Brasil criar juízo, e a união de todas as autoridades pensando no povo em primeiro lugar”.

Assista:

Jogo do Poder

Fontes: O Globo/O Antagonista