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América Latina demorará mais de três anos para se recuperar da crise, diz Cepal

O retrocesso econômico e social deixado pela pandemia na América Latina exigirá no mínimo três anos até a recuperação, alertou o último relatório da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), publicado na terça (6).

As estimativas são menos otimistas que em relatórios anteriores. Em coletiva de imprensa, a secretária executiva do órgão da ONU (Organização das Nações Unidas), Alicia Bárcena, afirmou que a recuperação será mais lenta do que se esperava no início do ano.

“Devemos nos preparar para uma recuperação que não ocorrerá em 2021, nem provavelmente em 2022 ou 2023”, disse. Após contração de 9,1% no PIB (Produto Interno Bruto) latino-americano até a metade de 2020, as consequências a médio e longo prazo terão impactos sociais e econômicos profundos na próxima década, estima a Cepal.

Para manter uma estabilidade, os países da América Latina e Caribe precisam aumentar a arrecadação de impostos para além dos atuais 23,1%, em média, do PIB. Nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), por exemplo, a carga tributária chega a 34,3%.

O aumento de impostos, no entanto, enfrenta barreiras desde o início da pandemia. Com o avanço do desemprego após as restrições impostas para conter o vírus, a pobreza aumentou em toda a América Latina.

As exportações têm o pior desempenho em 80 anos e as importações caíram 25% – situação que o Cepal já classificou como um “colapso” no dia 6 de agosto.

Políticas macroeconômicas
A recuperação só virá através de políticas macroeconômicas nas esferas fiscal e monetária, apontou Bárcena. Isso significa pensar receitas públicas em modo global a curto e médio prazo. O combate à evasão tributária, que já alcança 6,1% do PIB da região, também se mostra necessário.

“Aqui, a cooperação internacional é fundamental”, disse a representante da Cepal. A sugestão é que se ampliem as redes de financiamento e a liquidez das instituições multilaterais de crédito, como o FMI (Fundo Monetário Internacional).

O processo segue a lógica do empréstimo de US$ 6,5 bilhões ao Equador, concedido no dia 30. O FMI (Fundo Monetário Internacional) autorizou um saque imediato de US$ 2 bilhões ao país, que terá de realizar reformas e passar uma lei anticorrupção.

Com uma melhor distribuição da liquidez aos países latino, os recursos permitirão o pagamento de juros de eventuais empréstimos e construção de ferramentas de resiliência econômica. “Não é de graça e nem uma bolsa, mas um dinheiro que será pago”, pontuou Bárcena. (A Referência)

Redação